Direto de Paraty

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Neste e nos próximos dias estarei em Paraty, na OFF Flip, o lado marginal desse evento extraordinário em Paraty, a feira literária local, onde podem ser transitando sem barreiras os enormes egos dos pessoal do mundo literário pátrio, apenas um pouco maiores que aqueles belos bonecos de Olinda. Troço bacana mesmo de se ver.

Neste sábado, lanço aqui o Mentiras do Rio, e, enquanto isso, tentarei fazer o mais fácil, botar umas notinhas no Twitter. Já botei uma hoje, da entrevista coletiva do Gay Talese, da qual peguei o finzinho. A Carla Rodrigues também está Twittando. E os caras da Flip tem uma página também.

Às 18h, a rádio MEC deve transmitir um bate-papo comigo e com o Márcio, que ganhou o Prêmio Sesc na categoria romance.

Vi o Oliveira, o canalha da redação por aqui, para minha surpresa. Ele arranjou não sei como um crachá de convidado, e diz que é escritor, com muitas obras publicadas. Diz que ainda sairá daqui com um romance. "Mas do tipo realista, com alguma dessas moças de verdade", me explica, com ar safado.
"Como você consegue isso, ninguém vê que não existem os livros que você diz ter publicado?", perguntei eu ao Oliveira.
"Quem disse que eu digo os nomes dos livros?", respondeu, com uma careta marota. "O que mais tem aqui é escritor com livros que ninguém leu. Você diz que é autor, ninguém nem te pergunta do quê; e ainda te trata com respeito, vai que v. é importante e o cara não sabe...."

E eu achando que me conheciam. Bem que desconfiei quando o cara com quem eu conversava começou a me chamar de Fernando Molica...

Espero vocês hoje, na ABL!

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Hoje, às 17h30, tem a cerimônia de abertura; às 18h uma mesa redonda, aberta pelo Moacyr Scliar, comigo e outros dois autores e, às 19h, o lançamento do Mentiras do Rio, meu livro de contos. No sábado, no Café Literário em Paraty, jogamos um segundo tempo, na OFF Flip.
A última (e primeira) vez em que estive na Academia Brasileira de Letras foi no século passado, para entrevistar o Austregésilo de Athayde, então presidente da ABL, sobre cuecas, uma matéria que eu estava fazendo para a Ele & Ela, que aceitou uma pauyta que eu havia sugerido de brincadeira. Eu tinha uns vinte anos, disse à secretária da Aacademia que queria entrevistá-lo sobre, bem, vestimentas. Ela me deixou entrar.
O Austregésilo havia começado a usar ceroulas aos 11 anos, mas o resto da história conto depois, para quem aparecer hoje à tarde por lá. Uma parte da reportagem chegou a ser publicada de forma pirata por uma revista de Brasília, anos depois. Mandei uma carta cobrando e os caras sumiram com o texto, que ainda sobrevive, num cache do Google na Internet.
Foi uma bela reportagem investigativa em que descobri até as preferências de Getúlio Vargas em matéria de roupa de baixo (o Austregésilo não teve nada a ver com essa parte da matéria).

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Oliveira, o canalha da redação, acaba de me informar: morreu Michael Jackson!!!!

Todas as dúvidas do post anterior estão solucionadas. Após matar todos os ídolos da infância perdida dele, do Ricardo Motalban ao Dr. Smith, passando pelo Kwai Shan Kane e, finalmente, a Farrah Fawcet, Michael Jackson se suicidou.

Oliveira está em pânico.

"Seráo pelo menos duas semanas ouvindo thriller na tv e no rádio, sem parar!", alarma-se o patife, sempre insensível. "Pior que isso só se morressem Chitãozinho e Xororó!".

Vira essa boca pra lá, Oliveira.


2º clichê: Diz o Oliveira que vai demorar até infomarem a causa mortis do famoso transformista. Os especialistas preferem aguardar até conseguirem mais dados. Por enquanto, ainda estão procurando a caixa preta.

Fim de episódio - Farrah Fawcett

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farrahf.JPG Ela fez a cabeça de uma geração. Lá pela metade dos anos 70, todas as mulheres queriam usar aquele penteado.

E agora, conta o rádio, a Farrah Fawcett, da primeira versão das Panteras, morreu. Pouco tempo depois da morte estranhíssima do Gafanhoto, o David Carradine, do Kung Fu. Pouco a pouco, vão saindo de cartaz os heróis de seriado da geração que foi criança ou adolescente nos anos 70.

A Farrah Fawcett era um meio termo entre Jacklin Smith, a pantera gostosona de lábios carnudos, e Kate Jackson, a magrinha meio andrógina, que também tinha seu charme.

Mas ela era casada com o Homem de Seis Milhões de Dólares, o Lee Majors, que também reinou no imaginário infantil, todos fazíamos aquele barulhinho que indicava o uso de algum dos membros biônicos lá dele. Naquela época, quando se chamava atenção para os membros dos heróis, era dos braços e pernas que estávamos falando, tempos inocentes aqueles (ele também tinha visão biônica; o olho pode ser considerado um membro? Talvez para o Bataille).
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Não faz muito tempo, morreu o dr. Smith, dos Perdidos no espaço; outro dia o Kung Fu e agora ela. Se isso não é uma conspiração, não sei como definir tanta coincidência.

"É a conspiração da idade, Sergio Leo", comenta, sempre cínico, Oliveira, o canalha da redação, que, provecto como eu, suspira de quando em quando de saudades da Barbara Eden. "Duro mesmo é comentar isso com o reportariado e confundirem a morte da aloirada Farrah Fawcet com o passamento do Fausto Fawcett, aquele da loura belzebu".

Otimista, esse Oliveira. Duvido que boa parte da garotada de hoje nas redações saiba quem foi a Farrah, muito menos o Fausto. "Farra, fausto, isso tudo é coisa de velho; o negócio hoje é rave", avacalha o Oliveira. Por uns momentos, comovido, achei que ele estava falando do Ravi Shankar.

As vacas, essas inconvenientes

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Como todos sabem, os maiores culpados pelo efeito estufa são as vacas e sua flautulência incontrolável. Três quartos do metano lançado na atmosfera vêm dos quartos traseiros dos bovinos, o que, aliás, é um argumento a mais em favor do vegetarianismo. Verdura não solta gases, pelo contrário, ajuda a fixar nitrogênio no solo..

Mas alguns corajosos pesquisadores decidiram meter o nariz no assunto e pesquisam uma solução em engenharia genética para uma linhagem de ruminantes com menor emissão de gases. Claro, só podia ser no Canadá, esse lugar insólito de caubóis sem cartucheira.Também estão tentando mudar a ração dos bichinhos ("não Mimosa, de agora em diante, nada de feijoada!).

Diz um produtor citado pela matéria dO Globo de onde estou tirando essa bobagem, que os animais alimentados com uma ração diferente, menos gasífera, estão até com a pele mais brilhosa e hálito melhor.

"Hálito melhor? Pele mais brilhante? Suspeito que essa pesquisa está indo mais longe do que a gente imagina", comenta Oliveira, o canalha da redação, que vê perversão em tudo. Só não acredita que as contas secretas descoberta no Senado tenham fins ilícitos. "É nacionalismo dos senadores, se não fosse pelo patriotismo, conta secreta por conta secreta, teriam mandado esse dinheiro para a Suíça", argumenta o bandido.

Alegrias da caixa postal II

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Recebo esse singelo e informativo press release, do Bernardo Torrico, da Sociedade Mundial de Proteção Animal, que não conheço e a quem nunca solicitei correspondência:

Falta de informação: um problema
para o bem-estar de baleias

Concordo, Torrico. Sem informação, as pobrezinhas não podem explorar suas potencialidades, vivem uma vida cinzenta, têm menores condições de disputar esse acirrado mercado de trabalho do mundo pós-fordista e cruel. Não há desculpa para que continue essa situação de exclusão das baleias na sociedade globalizada e super-informada de hoje em dia.

Mas faltam dados para elaborar uma estratégia contra essa situação humilhante. O release não esclarece se a falta de informaçãod as baleias se deve ao fato de que não leem nada ou se é porque elas, na impossibilidade de ligarem computadores em seu habitat submarino, limitam-se apenas a ler exemplares da grande midia recolhidos nas profundezas.

Quem deve não teme

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Oliveira, o canalha da redação, insiste que nas páginas de economia dos jornais as pessoas encontram prfundas lições filosóficas, com implicações para a vida e o amor. Hoje,, diz ele, há apenas uma séria lição ontológica, sobre a essência das coisas. Isso ele me diz exebindo a página do Estadão onde uma materiazinha pequena conta que o grupo Gerdau, um dos expoentes do capitalismo verde e amarelo, está renegociando sua dívida.

"E que dívida: US$ 3,7 bilhões", diz, invejoso, o Oliveira, que se orgulha de deixar constantemente na pendura uma quantia de R$ 30,00 em pães de queijo que compra fiado no bar do seu Carlos, no térreo do prédio. "Sergio Leo, aprenda isso: rico mesmo, não é quem tem muito dinheiro; é quem deve uma fortuna".

Fica frio, Oliveira. devagarzinho, estou chegando lá.

A menos que ganhe na mega-sena nesta semana e estrague tudo, o azar está sempre à espreita.

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Nas Escolas de Jornalismo, aprende-se, entre outras curiosidades, uma visão crítica sobre o fenômeno dos fait divers (isto é, aprendia-se; não sei o que se ensina hoje nas escolas de jornalismo, onde até pontifica diretora sem experiência em reportagem, que, bem montada em sua estabilidade de emprego público, produz delírios do esquerdismo infantil pós-moderno, e saúda a precarização das relações de trabalho com palavra de ordem em favor da mobilização sindical para os free-lancers _ gente que cheirou Derrida demais, isso às vezes acontece).

Como dizia eu, fala-se do fait divers em escolas de jornalismo. É esse tipo de notícia curiosa, muitas vezes irrelevante, mas que, como definiu a jornalista Marta Salomon, tem enorme "índice de praia", termo de carioca: é o tipo de notícia que o pessoal, na praia, gosta de comentar; aquela bobagem insólita, curiosa, de onde até, quem sabe, pode sair alguma filosofia.

Isso aí em cima, aliás, é um nariz de cera, como estarão em breve ensinando os cursinhos técnicos de jornalismo que serão criados para preparação de futuros candidatos a assessores de imprensa escolhidos em concursos públicos.

Mas eu falava do fait divers e esse nariz de cera não me deixa ir direto a ele. Está meio escondidinho, na Folha de hoje:

Assaltante esquece currículo em van após crime e é preso no Rio.

Ele se chama Everton Cleiton. Entrou numa van, veículo pós-moderno do tipo que transporta jovens autônomos, trabalhadores e também "midialivristas" e toda essa gente que mereceria ter o poder que acreditam terem os jornalistas, para mudar essa ordem injusta que está aí, mas que é sustentada por organizações criminosas que, como se sabe, mantém o José Sarney e o Gilmar Dantas no poder.

O Éverton Cleiton, um arauto dos novos tempos pós-fordismo, sem carteira assinada ou profissão bem definida, resolveu contrariar, à sua maneira, a desigual ordem capitalista, arrancando a propriedade privada dos passageiros da van onde estava. Eram uma dúzia, informa o jornal, para que essa realidade-melhor-que-a-ficção bem descreva os passageiros da van, como ovos embalados à disposição, no supermercado.

(Como se enfiam doze pessoas numa van sem quebrar ou pelo menos amassar os ovos é coisa que deixo para os doutos, esse pessoal erudito que reduz Habermas a pó de traque e discute a pós-modernidade com laivos de genialidade que um jornalista ignorante como eu jamais conseguria)

Everton Cleiton e dois amigos levaram celulares e mil reais, numa prova de que os marginais, heróis não são; são mequetrefes; bandido que morde os ricos geralmente é integrado e rico. Está aí o Chico Buarque, que acaba de fazer 65 anos e já falou do assunto, para não me deixar mentir.

Mas voltemos à cena do crime. Assaltados os passageiros, Éverton Cleiton, na pressa, incompetente que nem pau-mandado da imprensa gorda, deixou na van uma mochila.

Nosso Éverton Cleiton é um personagem que, se batizado por algum autor, seria criticado como tentativa ridícula de avacalhar a onomástica das classes populares. Mas é esse o nome que traz em seus documentos, e, indiferente ao mau gosto paterno, tinha sonhos de vincular-se ao mundo fordista, da carteira, INSS e décimo-terceiro salário. Essa falta de sintonia com a pós-modernidade foi seu erro, e fez valer a mentalidade do século XIX: para o crime, seu castigo.

Dentro da mochila esquecida na van, estavam, também olvidados, a carteira e um currículo do assaltante (ou quem sabe jornalista. Vai que o currículo, que não li, embora não registre passagem por algum curso de Jornalismo, inclui alguma contribuição, com algum artigo, para o jornal da comunidade).

Os meganhas, que não leram Derrida, Habermas, muito menos Foucault, (e, por isso, não sabem que esse negócio de vigiar e punir é algo totalmente em desacordo com os paradigmas atuais do mundo novo ensinado nas escolas de comunicação), pois os meganhas leram o currículo do Éverton Cleiton e viram que, como currículo de um cara antenado, tinha endereço, e-mail e, quem sabe, até a página dele no Twitter. Bom isso, do Twitter estou inventando; sou jornalista, distorço tudo para melhor atender a meus interesses e do status quo, que posso fazer?

Os policias grampearam o cara. Arranjaram uma colocação para o nosso herói, mas na delegacia, no depósito de recolhidos pelo sistema. Onde já se viu levar currículo para assalto. Daqui a pouco vão reivindicar exigência de diploma para o ofício de bandido.

Dá pena. Éverton Cleiton, segundo a Folha, dizia no currículo que já foi ajudante de pintor, serralheiro e estoquista, e é um rapaz "educado, de fino trato" e tem "facilidade de trabalhar em equipe, muita vontade de crescer profissionalmente e disponibildiade de horários".

Pena que exijam formação acadêmica e especialização para exercício do cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal.

Se tivesse bons amigos, sei lá, no Mato Grosso, com esse currículo e um cursinho técnico de Direito, tenho certeza de que Éverton Cleiton não faria feio na Suprema Corte.

Agora, com licença, que tenho de tirar a lazanha do forno, que já está queimando e tenho uma reputação a zelar.

blogues ganharam mais uma

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Enquanto a midia burguesa insiste em espalhar mitos sustentados pela ideologia, só mesmo um blogueiro para mostrar a verdade, e derrubar essa manipulação grosseira da realidade.

Estou falando, claro, do New York Times, e do blogueiro Asim Kwhaja, que conheci pelo blogue do economista Dani Rodrik. Num texto interesantíssimo, ele desmonta a idéia, propagada pelas agências de notícias, revistas e jornalões, de que a educação dos pobres no Paquistão está a cargo das madrassas, escolas religiosas que pintam como celeiro de futuros fanáticos candidatos a mártir.

Essas madrassas,diz o Kwhaja, não chegam a 2% das escolas totais no Paquistão, e o que está crescendo mesmo por lá são esc9las privadas montadas pelas famílias para supriri a falta de educação pública de qualidade para todos.

O texto completo, infelizmente em inglês, está AQUI. . Se precisar, e pedirem com carinho, eu até traduzo uns trechinhos.

Woody Allen de olho em Carla Bruni

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O pessoal pressiona o Sarney, ele diz que não é com ele e fala de tudo, menos de medidas para acabar com a bandalha no senado. Velha técnica de fugir da pergunta, o Maluf era craque nisso. Você responde o que quer, coloca sua agenda na pauta da patuleia. Claro, ver isso saindo de um senador acuado não é cena para as crianças; mais bacana é quando a técncia é usada por gente admirável, assim, como o Woody Allen.


Perguntaram ao diretor quem ele preferiria para atuar em um filme dele, Dalai Lama ou a rainha Elizabeth. E ele escapou da escolha que certamente afundaria a película, qualquer que fosse o escolhido: anunciou o sonho de filmar a Carla Bruni.

"Eu daria qualquer papel à Carla Bruni", declarou. O que fez levantar a orelha do Oliveira, lendo jornal na Internet, ao lado.

"Eu, se fosse o Sarkozy, não deixava esse troço ir adiante", garantiu o patife. "Em que posição quer escalar a Carla o Woody Allen pode não saber ainda, mas o papel que ele planeja para o Nicolas, esse tá na cara", pontificou, com a autoridade que lhe dá a milhagem de destruidor de lares.


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