Olha, dou a mão a palmatória: ficar 24 horas sem web hoje em dia não dá. Precisei entregar um trabalho que atrasou por causa disso, tive que desmarcar uma reunião de trabalho e não tinha o telefone da pessoa, só o e-mail (acabei conseguindo o telefone, mas tive que me virar), enfim:

ÀS VEZES SER CIBORGUE É UMA MERDA.

Leiam o final de The Fall of Hyperion e depois me digam se não é verdade.

Amanhã voltamos à programação normal.


Recebi hoje o seguinte e-mail da minha amiga e colega pesquisadora Adriana Amaral, a Lady A e repasso com o maior prazer:


Caros amigos e colegas,
Repasso para vocês a entrevista que dei ao programa Cybercubo gravado em abril na TV Feevale (Novo Hamburgo - RS) sob orientação da professora Paula Puhl. O tema foi cyberpunk e cibercultura e o formato do programa foi bem interessante e inovador, buscando algumas referências como o Roda Viva. Espero que gostem. Seguem as 4 partes postadas no youtube:


Parte 1


Parte 2


Parte 3


Parte 4


Acabei de ver as quatro partes e adorei. A Adriana, que além de professora e pesquisadora do Mestrado em Comunicação e Linguagens da UTP-PR, é autora do ótimo
Visões Perigosas: uma arque-genealogia do cyberpunk, dá um show de bola na entrevista. Fundamental para quem quer saber mais sobre cibercultura e cyberpunk. Check it out!

As férias começaram ma non troppo: hoje retomo os estudos de doutorado (uma análise do conceito de pós-humano na ficção científica) e continuo trabalhando em projetos e escrevendo. E, claro, lendo bastante. Abaixo, uma lista do que tenho lido:

Perdido Street Station, de China Miéville - relendo este já clássico que inaugurou o subgênero literário chamado de New Weird. Miéville, que já escreveu mais dois livros ambientados no universo bizarro de New Crobuzon: The Scar e Iron Council, além de uma ótima coletânea chamada Looking for Jake, que contém uma história de New Crobuzon mas outras igualmente incríveis, lançou recentemente um infanto-juvenil que de bobo não tem nada: Un Lun Dun, que narra a incrível viagem de duas meninas por uma Londres oculta - algo no mesmo tom de Neverwhere, de Neil Gaiman, mas ao mesmo tempo bem diferente. Vale a pena conferir. Aguardem resenha em breve, além de uma surpresa no Post-Weird Thoughts.

Dreamsongs, Vol. 1, de George R. R. Martin - Comecei agora; o grande barato é ler os primeiros contos que o cara publicou em zines na década de 1960. Coisas meio lovecraftianas, mais para Old Weird que para New, mas também o cara tá com quase 70 anos, né? Muito bom

Mad Scientist Meets Cannibal, de Robert T. Jeschonek. Autor de livros de Star Trek, Jeschonek estreia com uma minicoletânea que faz parte do showcase da PS Publishing. O livro ainda não saiu, mas recebi uma ARC (Advance Reviewer Copy) para resenhá-lo no The Fix. Esse cara eu não conhecia, mas até agora estou adorando os contos da minicoletânea. Jeschonek lembra Frederic Brown e William Tenn. Bárbaro!!

A Magia das Máquinas - John Wilkins e a origem da mecânica moderna, de Ana Maria Alfonso-Goldfarb. Excelente livro, fruto da dissertação de mestrado da Professora Goldfarb, da PUC-SP, para pesquisa no romance que estou escrevendo agora (mais sobre isso depois).

É o nome de uma história que escrevi há mais de dez anos, e que seria o conto-título da minha segunda coletânea de contos, que nunca chegou a ser publicada.

Depois de algumas reescrituras, enviei o conto ao Rodrigo Gurgel, que gostou e resolveu publicá-lo na edição 35 do caderno Palavra, do Le Monde Diplomatique.

Está aqui. Espero que gostem.

Como alguns dos meus leitores devem saber, por mais de um ano mantive um blog sobre literatura brasileira no Overmundo. Capitaneado por Hermano Vianna, José Marcelo Zacchi, Ronaldo Lemos e Alexandre Youssef e uma super-equipe de jornalistas, programadores, escritores do maior calibre como Helena Aragão, Thiago Camelo, Viktor Chagas e Saulo Frauches (que tive o prazer e a honra de conhecer pessoalmente e com quem espero ainda poder bater altos papos), o Overmundo presta um serviço de primeiríssima qualidade na divulgação da cultura brasileira. Contendo seções como o overblog (para matérias jornalísticas), o banco de cultura (para falar de cultura e também para quem quiser apresentar suas próprias obras culturais - minha primeira coletânea de contos, Interface com o Vampiro está lá, gratuito para quem quiser baixar), um guia e uma agenda cultural. Todo mundo pode participar. Eu participei ativamente durante a maior parte do anos de 2006, chegando a fazer parte de duas rotações da equipe de conselheiros do site (um sistema de autogestão que acabou não dando certo, mas que gerou discussões muito válidas e pertinentes). Em 2007, por conta de diversas questões pessoais, fui me afastando aos poucos. Cheguei a participar um pouco (muito pouco) das discussões e postar algumas coisas no blog, mas em 2008, nem meia dúzia de posts. Assim, O Viajante Imóvel entrou em coma, foi para o limbo, esperando algo que nem mesmo eu sei o que é.

Ontem recebi um e-mail do Overmundo para me lembrar de que all things must pass, tudo deve passar, todas as coisas um dia chegam ao fim:

Nós, da Equipe de Moderação e Administração do Overmundo, valorizamos muitíssimo o trabalho que você e seus companheiros blogueiros têm feito nos blogs hospedados no Overmundo. Por isso, é não sem algum pesar que comunicamos o cancelamento do serviço de hospedagem desses blogs no próximo dia 15 de julho.

Quando o Overmundo surgiu - e lá se vão mais de dois anos desde então -, avaliamos que uma comunidade de blogueiros que tratasse sempre de temas relacionados à cultura brasileira pudesse agregar valor e atraísse outros colaboradores interessados em manter blogs no mesmo sistema, criando assim uma rede de "blogs parceiros" que se consolidaria como um excelente manancial de informações na internet. Isso de certa maneira aconteceu. Mas os desenvolvimentos de serviços semelhantes (ainda que voltados não apenas para a cultura brasileira), gratuitos, livres e de excelente qualidade, nos fez caminhar aos poucos para a alternativa do Overfeeds, que soma os papéis de agregar e dar visibilidade aos blogs sem demandar a hospedagem no Overmundo. Esta ferramenta atraiu blogueiros que estavam acostumados com outros serviços e interessados em continuar neles. Fomos então levados à percepção de que não faria sentido dedicar tamanho esforço de desenvolvimento tecnológico para aperfeiçoar um sistema de blogs nativos no Overmundo que iria apenas competir com os bons serviços já existentes neste âmbito. Por outro lado, fazia ainda mais sentido nos concentrarmos em melhor oferecer aquilo que hoje é o diferencial do Overmundo: a plataforma colaborativa, a comunidade, a agregação, e por essa razão, demos vazão ao projeto Overmídia .

É claro que gostaríamos muito de continuar a oferecer este serviço, mas avaliando os custos de operacionalidade e a demanda da comunidade por tais serviços, nossa opção, ao menos por ora, é de encerrar o serviço de hospedagem dos blogs. O Overfeeds, no entanto, seguirá funcionando como principal plataforma agregadora de feeds relacionados aos blogs que se cadastraram através do site, e nós recomendamos fortemente que você crie um novo blog e o registre no Overfeeds para continuar tendo seus posts republicados automaticamente seguindo a dinâmica editorial colaborativa dos serviços do Overmundo.

O objetivo desta mensagem é deixá-lo avisado o quanto antes do fim do serviço de hospedagem de blogs do Overmundo, de modo que você possa preparar o terreno para um novo blog e importar para ele todos os posts anteriores de seu blog no Overmundo. Dessa forma, não haverá perda substancial de seu esforço ao longo deste tempo, e seus textos e demais arquivos estarão todos disponíveis no novo blog, que poderá ser hospedado em quaisquer outros serviços, como WordPress, Blogger e outros.

Nós nos dispomos a auxiliá-lo neste processo de exportação e importação de posts tanto quanto possível. Para isso, basta que você entre em contato com a Equipe de Moderação do Overmundo , expondo suas dúvidas e interesses.

Pedimos desculpas pelos eventuais transtornos e contamos com sua compreensão nesta situação, torcendo para que seu blog *O Viajante Imóvel* continue um grande parceiro do Overmundo.


Concordo plenamente. Não só porque o sistema de overfeeds é muito eficiente e não precisa mais hospedar blog algum no espaço do Overmundo, que cresceu muito nesses dois anos. No meu caso, concordo duplamente, porque depois de um ano de posts constantes, acabei abandonando o blog. Não foi intencional, mas simplesmente a vida me levou por outro caminho - no caso dos blogs, o caminho me trouxe até aqui.

Quero aproveitar esse espaço para agradecer ao Hermano, à Helena, ao Thiago, ao Saulo, ao Viktor e a todos os overmanos e overminas com quem tive a oportunidade de ter um contato tão gregário (eu que às vezes não aparento mas sou tão ermitão). Fui muito feliz no Overmundo. Desejo toda a felicidade do mundo, vasto mundo, para todos vocês.

Não pretendo voltar muito ao Overmundo porque sou um cara meio estranho. Quando me afeiçôo a alguém ou alguma coisa e esse contato se interrompe seja qual for o motivo, tenho muita dificuldade de retomá-lo. A nostalgia me dilacera. Mas guardo para sempre no coração a lembrança (será por isso que sempre choro ao ler o poema de Drummond sobre Itabira? Talvez).

Quanto ao Viajante Imóvel, vou salvar o conteúdo, mas ainda não sei se vou criar um blog novo para recolocá-lo. O futuro dirá. E o futuro é tudo o que me interessa, porque o passado, por mais lindo que tenha sido, dói.

São fragmentos de uma história do futuro que venho escrevendo há algum tempo. Com a criação do ótimo Letra e Vídeo, da Ana Cristina Rodrigues, aproveitei a oportunidade para reescrever algumas passagens e costurá-las numa narrativa que faz sentido, mas não tem um começo específico e está bem longe de terminar. Talvez não termine no blog, e certamente não terei tempo para escrever mais passagens nas próximas semanas, portanto deixo abaixo os links para os fragmentos, batizados com nomes de músicas de David Bowie:

Fragmento 1 - Ashes to Ashes

Fragmento 2 - Starman

Fragmento 3 - Space Oddity

Como encerramento das atividades do semestre, a PUC-SP vai exibir hoje a primeira versão do filme Solaris, dirigida por Andrei Tarkovski em 1972.

A exibição ocorrerá na sala 20 do Campus Marquês de Paranaguá (Rua Marquês de Paranaguá, 111, Consolação), às 19h.

Este que vos digita fará a apresentação do filme. A entrada é franca.

Trabalhando muito em ritmo de fim de semestre, mas sempre me atualizando com novas leituras. Aqui, uma lista do que estou lendo neste momento:

Perdido Street Station, de China Miéville - O clássico da New Weird. Relendo. Preciso dizer mais?

The Word of God, de Thomas M. Disch - Tom Disch é um autor clássico norte-americano. Seu livro Camp Concentration é um dos melhores dos anos 1960. Aqui, ele pega onde Philip K. Dick largou e assume para si o papel de divindade. Eu vi a luz e me rendi: só espero que ele perdoe a nós, pobres pecadores, por não termos prestigiado a palestra que ele deu na PUC-RJ em 1990 (quero dizer, vocês é que vão arder no inferno, porque eu e mais meia-dúzia estivemos lá e vimos em seu rosto a tristeza por ter tão poucos interlocutores).

The Plots to Rescue the Tsar, de Shay McNeal - Um interessantíssimo livro e dos planos que foram feitos para o resgate do czar, sua mulher e seus filhos após a Revolução Russa - o que acabou não ocorrendo. Lendo como pesquisa para finalizar meu romance.

Dying of the Light, de George R. R. Martin - o primeiro romance de um dos maiores autores de fantasia de hoje, autor da saga A Song of Ice and Fire. Esse livro é de ficção científica, e é ambientado no mesmo universo da belíssima novela A Flor de Vidro, que traduzi há quase vinte anos para a finada edição brasileira da Isaac Asimov Magazine.

A Game of Thrones, de George R. R. Martin - o primeiro volume da saga de fantasia de Martin. Está começando bem. Há muito tempo eu não lia fantasia dita convencional, mas vários amigos e colegas me recomendaram tanto que acabei comprando para ver no que é que dá. Acho que vai dar samba (ou, no caso, uma canção celta do Clannad).

Aqui, agora, trabalhando e ouvindo no MP3 Player: Protection, Massive Attack. É bom. Todo mundo precisa de proteção de vez em quando.

O efeito de real de Roland Barthes ficou mais pobre: o homem que nos fez acreditar no Exterminador do Futuro, no Predador e, finalmente, que Tony Stark realmente podia caber na armadura do Homem de Ferro, morreu na madrugada de domingo para segunda. O reino do irreal-tornado-real não vai ser o mesmo sem Stan Winston. Que descanse em paz

Adeus ao mestre

Não, não estou falando do conto clássico de Harry Bates (que serviu de fonte para o filme O Dia em que a Terra Parou). Hoje este blog para uma parada de bateria para prestar homenagem ao grande mestre do samba, Jamelão, que morreu nesta madrugada, aos 95 anos. Foi uma vida bem vivida e bem cantada. Vai em paz, Mestre

Agora já posso contar: fui convidado para integrar a equipe do Le Monde Diplomatique online como colaborador mensal. Todo mês, um artigo, uma resenha ou uma crítica. Hoje, uma crítica sobre um livro que provocou muita polêmica aqui mesmo neste blog. No mês que vem, um livro de Vladimir Nabokov. Depois, provavelmente literatura fantástica. E la nave va: o Altíssimo (Chuck Norris, claro) fecha uma porta (com um soco) e abre uma janela (com um roundhouse kick). Muito obrigado ao Rodrigo Gurgel pelo convite. E aguardo vocês por lá também, para críticas e comentários.

Novamente as coisas aqui estão tão corridas que - pecado dos pecados - não tenho atualizado o blog como deveria. Mas há muito o que falar, muitos livros lidos a recomendar, e vocês não perdem por esperar. Enquanto isso, eu estava devendo ao amigo Horacio Corral um aviso importantíssimo. Segue abaixo o convite para a mais nova mesa-redonda organizada por ele:

No sábado, 14 de junho, as 17hs, a Livraria Cultura do Shopping Market Place apresentará uma mesa-redonda que terá como tema a literatura de gênero chamada de Fantasia.

No encontro, que terá a presença de escritores e editores do gênero, serão debatidos temas como:

* O que é fantasia? Podemos afirmar que existe uma literatura de fantasia brasileira?
* Mercado editorial. O que é lançado no Brasil e o que é lançado no exterior. Escolhas e tendências.
* Influência de Tolkien no Brasil.
* Novas tendências como o New Weird Fiction e a influência de escritores como: Neil Gaiman, Terry Pratchett, George R. R. Martin e China Miéville.


A mesa-redonda será composta da seguinte maneira:

Mediadora

Ana Cristina Rodrigues (Presidente do CLFC)


Participantes

Cláudio Villa (autor do romance de fantasia, Pelo Sangue e Pela Fé)
Orlando Paes Filho (autor da série, Angus Saga)
Delfín (coordenador editorial da Editora Aleph)
Sílvio Alexandre (organizador da Fantasticon)
Rogério de Campos (editor-chefe da Editora Conrad)
Gianpaolo Celli (editor-chefe da Tarja Editorial)


Apoio do CLFC, Clube de Leitores de Ficção Científica.


Onde?
Livraria Cultura Market Place Shopping Center -
Av. Chucri Zaidan, 902 - São Paulo/SP


Quando?
Sábado, 14/6/2008, às 17:00h


Quanto custa?
Entrada franca e gratuita.

Estão esperando o quê?
Amanhã, todos lá!!

Acabei de saber, pela lista de discussão PlanetaSF, que o escritor, crítico e editor de FC Algis Budrys morreu esta manhã nos EUA.

Budrys nasceu na Lituânia mas se mudou cedo para os EUA, onde fez sucesso como escritor e editor entre os anos 1950 e 1970. Suas obras mais famosas (inclusive aqui no Brasil) são Who? (1958), Rogue Moon (1960) e Michaelmas (1977).

Os dois últimos romances foram muito lidos no Brasil pelos fãs, embora eu não tenha conhecimento de nenhuma tradução dele aqui. Ele também se correspondeu, entre as décadas de 1980 e 1990, com o escritor de FC brasileiro José dos Santos Fernandes, atualmente afastado do ofício.

É uma grande perda para a FC. Rogue Moon é considerado um dos melhores livros de FC já escritos.

Obrigado à SF Signal e a Steven H. Silver pelas informações complementares.

ficção de polpa 2

areia nos dentesAcabo de receber, do Samir Machado de Machado, da Não Editora (excelente nome, se eu tivesse uma editora ia querer colocar um nome desses) os livros Ficção de Polpa vol. 2, coletânea de diversos autores, e Areia nos Dentes, de Antônio Xerxenesky.

Nada a comentar neste instante, a não ser a EXCELENTE, embasbacante qualidade gráfica de ambos os livros. O primeiro, uma coletânea original de ficção científica "pulp", com uma capa que homenageia os grandes ilustradores do gênero, como Frank R. Paul. O segundo, um western que, me disseram, é meio weird - bem do jeito que eu gosto.
Aguardem resenha suculenta em breve. Meu obrigado ao Samir pelo envio.

Update 7 / 06: o Bruno Porto postou um comment querendo saber quem são os autores das capas. Muito justo, erro meu que corrijo agora. A capa do Ficção de Polpa 2 é do Samir Machado de Machado, e a ilustração é de Gisele Oliveira. A capa e todo o projeto gráfico do Areia nos Dentes são do Samir.

Por motivos de casamento e mudança, a Ana Cristina Rodrigues me convidou, juntamente com o amigo e parceiro de blog Jacques Barcia, a editar junto com ela o Letra e Vídeo. Continuamos recebendo e aceitando colaborações.

A primeira, que já estava na fila de Ana mesmo antes do convite, é o segundo fragmento do meu romance de futuro distante. O romance ainda não tem título, mas o fragmento é baseado na canção Starman, de David Bowie. Confiram.

Meu agradecimento novamente à Ana, pela confiança depositada neste humilde escriba.

Recebido ontem de Silvio Alexandre: a programação da Fantasticon 2008 - Simpósio de Literatura Fantástica, atualizada. Confiram abaixo as oficinas e mesas-redondas:


Sábado - 05 de julho

10 às 12 horas - Anfiteatro

Mesa-redonda: "Universos Ficcionais Compartilhados: transformando limitações em triunfos de enredo".

Uma tendência muito forte da atual Literatura Fantástica é a técnica literária de Universos Ficcionais Compartilhados, onde vários autores compartilham definições e personagens que aparecem em seus respectivos trabalhos de ficção, geralmente se referindo a eventos que ocorreram nas histórias de outros escritores. No Brasil, quem vem desenvolvendo essa técnica é a empresa Hoplon Infotainment, de Santa Catarina, através do projeto de ficção científica hard desenvolvido junto com o escritor Gerson Lodi-Ribeiro: Taikodom, um MSG (Massive Social Game), que além do game, conta com quadrinhos, contos e livros de ficção científica. Mas como manter a consistência e coerência entre diversas obras e mídias? Como enfrentar e resolver as dificuldades técnicas e literárias? Como tomar as decisões certas para a coerência do projeto?

Participantes:

Gerson Lodi-Ribeiro, escritor de ficção científica e história alternativa. Autor, dentre outras obras, de "Outros Brasis" (Unicórnio Azul) e "O Vampiro de Nova Holanda" (Caminho). Desde 2004, atua como consultor da Hoplon Infotainment.

Tarquinio Teles, idealizador do Taikodom, um dos criadores do U.F. e presidente da Hoplon.

João Marcelo Beraldo, escritor e game designer. Autor de "Véu da Verdade" (Eridanus Books), ebooks de RPG no mercado internacional e prestes a lançar seu primeiro romance no U.F.Taikodom.

Roctavio de Castro, roteirista da série em quadrinhos "Eterno Retorno" e gestor do U.F. Taikodom


09 às 11 horas - Sala 118


ENCONTRO DO GELF (Grupo de Estudos de Literatura Fantástica)

Reunião do GELF, coordenado pela escritora Rosana Rios, que se dedica a discutir, apreciar e divulgar obras literárias de literatura fantástica (ficção científica, fantasia e horror) suas interações e obras precursoras, além de comentar transposições para cinema, teatro, televisão e quadrinhos.



10 às 12 horas - Sala 119

Oficina: "GÊNESE - A CRIAÇÃO DE MUNDOS FANTÁSTICOS"

Oficina com dicas e muita informação sobre como criar universos ficcionais. Uma atividade direcionada para todos aqueles que querem se lançar na aventura de escrever. Saber criar mundos que sejam verossímeis e interessantes é essencial para a confecção de boas histórias.

Richard Diegues, editor da Tarja Editorial. Autor de "Tempos de Algória", "Sob a Luz do Abajur" e "Magia - Tomo I' Organizou as antologias: "Histórias do Tarô", "Necrópole - Histórias de Vampiros", "Necrópole - Histórias de Fantasmas" e "Visões de São Paulo - Ensaios Urbanos".

Gianpaolo Celli, editor da Tarja Editorial. Organizou as antologias: "Necrópole - Histórias de Fantasmas" e "Necrópole - Histórias de Vampiros". É colaborador dos sites Tribos de Gaia, Magia Prática e Visões de São Paulo.


11 às 13 horas - Sala 118

Bate-papo: "O MERCADO EDITORIAL DE LITERATURA FANTÁSTICA NO BRASIL"

Importante participação dos editores do gênero fantástico com novidades, informações e curiosidades do mundo editorial de hoje.

Douglas Quinta Reis, diretor editorial da Devir

Gumercindo Rocha Dórea, editor das Edições GRD

Adriano Fromer Piazzi, diretor editorial da Aleph

Ednei Procópio, editor da Giz Editorial


12 às 14 horas - Sala 119

Bate-papo: "A INVASÃO DO CINEMA NA LITERATURA FANTÁSTICA"

Como a linguagem cinematográfica está interferindo na forma de escrever dos atuais autores e influenciando a literatura contemporânea.

Participantes:
André Vianco, autor dos best sellers "Os Sete" e "Sétimo", que explora o universo sobrenatural (vampiros, lobisomens, anjos e batalhas entre o bem e o mal) elaborando um cenário surrealista, mas com elementos da realidade do dia-a-dia e histórias passadas no Brasil. É hoje o escritor brasileiro que mais conquista leitores de fantasia & horror e seus livros estão entre os mais vendidos na literatura fantástica brasileira.

Raphael Draccon, roteirista e avaliador de roteiros de projetos nacionais e internacionais envolvendo grandes produtoras como Conspiração Filmes, O2 Filmes, Aquarela Filmes e Intervalo Produções. É autor do romance de fantasia "Dragões de Éter" (Planeta). Têm acumulado prêmios e indicações em concursos de roteiros e contos. Atualmente, se divide entre escrever para o mercado literário, o audiovisual e o de quadrinhos.

Vivi Amaral, formada em Rádio e TV, migrou para a área de produção audiovisual. É sócia de uma produtora que trabalha com edição, finalização e computação gráfica para televisão. Em 2006, criou junto com seu sócio, Eduardo Santana, a Mostra Curta Fantástico, evento que busca revelar e inspirar a produção de filmes do gênero fantástico no país.

Alfredo Suppia jornalista científico especializado em literatura, cineasta amador e Doutor pela Unicamp em Multimeios, com uma tese sobre o cinema brasileiro de ficção cientifica.


13 às 15 horas - Sala 118

Palestra: "A FICÇÃO COMO BASE PARA UMA NOVA REALIDADE: DE BAKER STREET AO SÍTIO DO PICAPAU AMARELO"

Como a ficção literária estabelece ligações com a "vida real", criando uma teia de relações entre os fatos históricos e as estruturas narrativas, fazendo com que a fronteira entre os fatos e a ficção se tornem difíceis de distinguir. Uma discussão sobre os trabalhos de William Baring-Gould, Philip José Farmer, Márcia Camargos, Alan Moore, Monteiro Lobato, Arthur Conan Doyle, Edgar Rice Burroughs, Lester Dent, entre outros.

Octávio Aragão é Doutor em Artes Visuais pela UFRJ. Foi editor de arte da Ediouro, subeditor de arte de O Dia e coordenador de arte de O Globo. Hoje é professor adjunto da Universidade Federal do Espírito Santo. Como escritor, é autor do romance "A Mão que Cria" (Mercuryo), e foi editor da antologia Intempol (Ano-Luz). No momento, morando em Vitória, está escrevendo "A Mão que Pune" e co-produz a graphic novel "Para tudo se acabar na Quarta-feira".

14 às 15h30 - Sala 119

Palestra: "OS MONSTROS NA LITERATURA FANTÁSTICA"

O que é um monstro? Qual a sua origem? Como reconhecê-lo? Onde ele vive? Devemos temê-lo? Estas são questões curiosas, assim como o próprio conceito de monstro, que sempre dependeu do período histórico e da cultura em que foi formulado. Existem muitas histórias sobre monstros - em livros, nos filmes e até na vida real. O monstro, afinal, é tão antigo quanto o pensamento. Utilizando sua pesquisa para o livro "Almanaque dos Monstros", Gonçalo Júnior irá falar sobre seres fantásticos, criados pela imaginação ou da vida real.

Gonçalo Júnior, jornalista e advogado, trabalhou e colaborou em jornais e revistas como Gazeta Mercantil, Folha de S. Paulo, Carta Capital, Bravo! e Imprensa. É autor dos livros "País da TV" (Conrad), "A Guerra dos Gibis" (Cia. das Letras), "Tentação à Italiana" (Opera Graphica), entre outros. Publicou os álbuns de Quadrinhos, Claustrofobia (Devir), ilustrado por Júlio Shimamoto, e "O Messias" (Opera Graphica), com arte de Flávio Luiz. Está lançando o livro "Almanaque dos Monstros" (Ediouro).

15 às 17 horas - Sala 118


Palestra: "O VAMPIRO ANTES DE DRÁCULA"

Martha Argel e Humberto Moura Neto apresentarão uma pesquisa surpreendente e inovadora dos contos que lançaram as bases para o vampiro clássico ao longo do século XIX. A palestra mostrará como a figura do vampiro surgiu e evoluiu na literatura universal.


Martha Argel é bióloga, com um doutorado em Ecologia e escritora de livros de literatura fantástica, crônicas e divulgação científica. Ela trabalha como consultora em meio ambiente e participa em estudos de impacto, planos de manejo e atividades do gênero. Sua especialidade é o estudo da fauna. Desde 2005, coordena o Projeto Aves do Brasil, da Wildlife Conservation Society, cuja missão é disseminar no país o interesse, o amor e o orgulho por nossa riquíssima fauna de aves, e assim estimular a participação das pessoas na conservação do meio ambiente. Como escritora de literatura fantástica, publicou "O Livro dos Contos Enfeitiçados" (Landy), "Olhos de Gato", "O Vampiro de Cada Um" (Ed. da Autora) e "Relações de Sangue" (Novo Século)

15h30 às 17h30 - Sala 119

Bate-papo: "O FANTÁSTICO BRASILEIRO: 100 ANOS SEM MACHADO DE ASSIS E 100 ANOS DE GUIMARÃES ROSA"

A literatura fantástica tem uma longa tradição em nosso país, mesmo não tendo ainda recebido dos críticos e historiadores de literatura a atenção que merece. Neste bate-papo será visto o uso do gênero fantástico por dois expoentes da Literatura Brasileira: Machado de Assis e Guimarães Rosa

DOMINGO - dia 06 de julho

09 às 11 horas - Sala 119


Oficina: "COMO CRIAR PERSONAGENS"

O maior escritor da atualidade do gênero fantástico abre o jogo, dá dicas e informações sobre como construir e utilizar os personagens nas histórias. Uma oportunidade rara!


André Vianco é autor dos best sellers "Os Sete" e "Sétimo", que explora o universo sobrenatural (vampiros, lobisomens, anjos e batalhas entre o bem e o mal) elaborando um cenário surrealista, mas com elementos da realidade do dia-a-dia e histórias passadas no Brasil. É hoje o escritor brasileiro que mais conquista leitores de fantasia & horror e seus livros estão entre os mais vendidos na literatura fantástica brasileira.

10 às 12 horas - Sala 118

Bate-papo: "OS DESAFIOS DE ESCREVER LITERATURA FANTÁSTICA NO BRASIL"

Atualmente, uma nova geração de escritores de Literatura Fantástica tem surgido e publicado no mercado brasileiro. Será que pode ser considerada uma Nova Onda no gênero? Quais são as dificuldades para o novo autor? Como fazer para publicar? Que caminhos seguir para escrever um bom livro? São questões para serem respondidas.

Nelson de Oliveira é escritor e doutorando em Letras pela USP. Recebeu os prêmios Casa de las Americas, Fundação Cultural da Bahia e APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes). Coordena oficinas literárias para escritores iniciantes. Organizou as antologias "Geração 90: Manuscritos do Computador" e "Geração 90: Os Transgressores", chamando a atenção da imprensa para uma nova geração de escritores brasileiros. Ultimamente tem se voltado para a ficção científica, sua primeira paixão na literatura. Organizou a antologia "Futuro Presente", a sair pela Record, em 2009.

J. Modesto é arquiteto e urbanista pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo. Fã de literatura fantástica, abandonou as pranchetas para enveredar pela ficção. É autor do romance "Trevas" (Giz Editorial) e está lançando o livro "Anhangá" (Giz Editorial).

Cristina Lasaitis é escritora e biomédica. Participou do livro "Visões de São Paulo - Ensaios Urbanos" (Tarja Editorial), tem textos publicados na revista Scarium e no site Novas Visões de São Paulo. É autora do livro "Fábulas do Tempo e da Eternidade" (Tarja Editorial)

Nazarethe Fonseca é escritora. Seu livro de estréia foi "Alma e Sangue, o Despertar do Vampiro" (Novo Século). Atualmente morando em Natal, Rio Grande do Norte, vem se dedicando a produzir poemas, contos e crônicas.

Cláudio Villa é escritor e publicitário, autor do romance épico "Pelo Sangue e Pela Fé" (Espaço Editorial). No blog Mundos de Mirr, relata suas experiências, dificuldades e realizações como um escritor iniciante no Brasil. Atualmente trabalha seu segundo livro e desenvolve um projeto que permitirá aos leitores conhecerem sobre o universo de suas histórias.


11 às 13 horas - Sala 119

Mesa-redonda: "Visão Alienígena: Outros Olhares da Literatura Fantástica Brasileira"

A Modernidade sonhou com um outro ser (o sujeito civilizado e emancipado) e um outro mundo (a sociedade no futuro). O momento atual caracteriza-se pela expansão da tecnologia e pela queda de fronteiras tanto condições para o surgimento de novos espaços (ciberespaço e realidade virtual) para a experiência humana. Cada narrativa fantástica nos mostra uma tensão permanente entre o conhecido e o desconhecido. Em termos de enredo, isso se manifesta muitas vezes através da chegada de um personagem estranho em nosso mundo, ou da viagem de um de nós a um espaço (ou tempo) diferente no nosso. Tais situações forçam os personagens (e o leitor) a se depararem com situações 'além da imaginação'.


Elizabeth Ginway é professora associada da Universidade da Flórida, na cadeira de Português e Literatura Brasileira. Autora do livro Ficção Científica Brasileira (Devir). Tem se dedicado à análise de obras do gênero produzidas no Brasil. Está lançando o livro "Visão Alienígena: Ensaios de Ficção Científica Brasileira"

Sérgio Pereira Couto é jornalista com passagem por revistas como Discovery Magazine, Galileu e Planeta. É autor dos livros "Renascimento", "Sociedades Secretas", "Maçonaria", "Decifrando a Fortaleza Digital", entre outros.

12 às 14 horas - Sala 118


Bate-papo: Em Busca da Fantasia Medieval Brasileira

Será possível para o escritor brasileiro escrever Fantasia Medieval, onde se misturam elementos históricos (cavaleiros, castelos, nobres, bardos aldeões, etc) com elementos de magia e seres fantásticos (elfos, anões, magos, criaturas mitológicas, etc)? Como ele teria condições de escrever em uma ambientação e em paisagens inspiradas no período medieval, se no Brasil não tivemos uma Idade Média? O resgate das raízes ibéricas medievais pode ser o caminho para construir um novo caminho para a Fantasia brasileira, se esquivando dos clichês herdados do Romantismo ou do RPG. A questão do imaginário medieval que nós buscamos construir - escolhendo temas e deixando outros de lado - é talvez ainda mais relevante do que o imaginário medieval em si, e uma fantasia medieval brasileira com sotaque luso-ibérico contribuiria em uma série de questões educacionais.

Ana Cristina Rodrigues é historiadora e escritora. Atual presidente do CLFC (Clube de Leitores de Ficção Científica), modera diversas comunidades virtuais sobre Ficção Especulativa. Já publicou em diversos sites brasileiros e argentinos, tem um conto na antologia argentina "Grageas" e, atualmente, escreve um romance de fantasia inspirado no Renascimento e nas navegações portuguesas.

Ana Lúcia Merege é escritora, Mestra em Ciência da Informação e pesquisadora da Biblioteca Nacional, do Rio de Janeiro. É autora de 'O Caçador: Um Conto de Fadas em Mosaico' e 'O Jogo do Equilíbrio', entre outros livros. Colaboradora em Ciência Hoje das Crianças e Revista de História da Biblioteca Nacional.

13 às 15 horas - Sala 119


Palestra: "VIDA LOUCA, VIDA INTENSA - UMA VIAGEM PELA FICÇÃO CIENTÍFICA DE WILLIAM S. BURROUGHS"

O escritor William Burroughs foi um dos responsáveis pelo surgimento da chamada "Geração Beat", movimento que culminou com a revolução sexual e o posterior desenvolvimento da cultura hippie nos Estados Unidos. Grande parte de sua obra, de atmosfera fantástica e grotesca, celebra a não-conformidade e a criatividade espontânea. Sua obra mais conhecida, "Almoço Nu" (Ediouro), é uma narrativa inovadora dos efeitos cáusticos provocados pelo abuso da heroína e outras químicas pesadas. A viagem que Bráulio Tavares propõe é uma aproximação da obra de Burroughs com a de escritores de FC, como J.G. Ballard, Samuel R. Delany e Philip K. Dick.


Bráulio Tavares, éescritor, roteirista e compositor. Compilou a primeira bibliografia do gênero: o Fantastic, Fantasy and Science Fiction Literature Catalog (Fundação Biblioteca Nacional). Autor de "A Espinha Dorsal da Memória", "A Máquina Voadora" e "Anjo Exterminador" (todos pela Rocco). Organizou as antologias "Freud e o Estranho", "Contos Fantásticos no Labirinto de Borges" e "Páginas de Sombra"; (todos pela editora Casa da Palavra).


14 às 15h30 - Sala 118

Bate-papo: "Lobisomem: o lado sombrio da alma humana"

O lobisomem, resultado de fontes variadas, encontra na literatura um terreno para se expandir, ganhar fãs e se multiplicar, seja na abordagem mais hollywoodiana do mito, seja na cadência brasileira e seu tempero folclórico. Um texto da escritora Guilia Moon diz: "estranho mundo, o dos lobisomens. Era para lá que eu ia nos períodos em que a mutação me permitia cruzar o limite entre a besta e o homem, o grande predador. Perto dele, eu e os outros bichos éramos um nada. Comemos a carne e lambemos o sangue. Mas o homem toma a alma".

Helena Gomes é jornalista e professora universitária. Autora dos livros "Lobo Alpha" (Rocco), uma narrativa densa e envolvente que investe na linguagem cinematográfica e mistura textos e quadrinhos. E da saga de ficção científica & fantasia "Caverna de Cristais", com os livros "O Arqueiro e a Feiticeira" (Devir) e "Aliança dos Povos" (Idea)

Júlio Emílio Braz é escritor com vários prêmios nacionais e internacionais recebidos. Escreveu roteiros para o humorístico Os Trapalhões (Globo), e algumas mini-novelas para a televisão do Paraguai. Atualmente, seus mais de 140 livros são referência no universo escolar, trazendo à tona discussões sociais da maior importância e também histórias leves e alegres, mas que nem por isso deixam de ensinar grandes lições.

Eduardo Nogueira, historiador e jornalista. Vem desenvolvendo uma intensa pesquisa sobre as diversas manifestações da Literatura Fantástica.


15 às 17 horas - Sala 119

Palestra: "Padrôes de Contato- Uma Odisséia no Brasil"

Quando o escritor Arthur C. Clarke decidiu escrever a continuação do seu clássico "2001 - Uma Odisséia no Espaço", deu crédito à correspondência que manteve com o jornalista carioca Jorge Luiz Calife, que o fez pensar numa possível continuação, algo que ele dizia ser impossível. A declaração publicada no próprio livro de Clake, "2010″, abriu as portas para que Calife pudesse publicar o primeiro livro de sua trilogia, "Padrões de Contato". Agora, a Devir está lançando a trilogia em volume único, com o acréscimo de um quarto livro inédito.


Jorge Luiz Calife é jornalista e escritor. Atualmente, trabalha no caderno de "Cultura & Lazer", do Diário do Vale de Volta Redonda. Entre suas obras publicadas estão os romances: "Padrões de Contato", "Horizonte de Eventos", "Linha Terminal" (vencedor do prêmio Nova da Associação Brasileira de Arte Fantástica) e "Espaçonaves Tripuladas: uma história da conquista do espaço".

Marcello Simão Branco, jornalista e doutor em Ciência Política pela USP. É Escreveu a introdução do relançamento da trilogia "Padrões de Contato" é jornalista e co-editor do "Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica".

15h30 às 17h30 - Sala 118

Bate-papo: "UM OLHAR SOBRE A LITERATURA FANTÁSTICA ATUAL"

Um conversa sobre as novas tendências da Literatura Fantástica: New Weird, Steampunk, New Space Opera, entre outras

Fábio Fernandes é escritor, jornalista e tradutor. Atualmente, dedica-se ao seu primeiro livro de cyberpunk "Os Dias da Peste".

Guilherme Kujawski é jornalista especializado em arte e tecnologia, escritor de ficção científica e coordenador do Itaulab, laboratório de mídias interativas do Itaú Cultural. Autor de "Piritas Siderais - Romance Cyberbarroco" (Francisco Alves).

Jacques Barcia é escritor de Fantasia e Ficção Científica. Jornalista de tecnologia, editor da revista eletrônica "Kalíopes" e das publicações da Editora Fábrica dos Sonhos.

Sérgio Kulpas é escritor, jornalista especializado em mídia e telecomunicações, e co-autor com Guilherme Kujawski da noveleta "Borba na Infolândia".


O convite é da inglesa Victoria Hoyle, que faz parte do coletivo de escritoras do blog Eve´s Alexandria: uma leitura coletiva de Ulysses, de James Joyce, a começar em 16 de junho, no chamado Bloomsday (pra quem não sabe, a data que consta do próprio livro, o dia em que se passa a ação da história).

Ela não chegou a estabelecer nenhuma regra específica, mas pediu que todo mundo que quiser participar escreva um post no dia 16, dando suas primeiras impressões, e depois vá postando em seus blogs periodicamente, do jeito e na freqüência que achar mais conveniente.

Estendo o convite para meus conterrâneos, o que quer dizer: está valendo tanto ler no original quanto em tradução. O importante é ler. E comentar.

Alguém me acompanha nessa?

Terminei ontem de ler um livro que foi uma grata surpresa: On Writing, de Stephen King. Como eu havia dito há algum tempo num post especial sobre a saga da Torre Negra, antes de começar a ler o primeiro volume, The Gunslinger, eu não lia o chamado mestre do terror há cerca de vinte anos.

Perdi o preconceito - preconceito que, aliás, me foi instilado por anos e anos de leituras de livros da dita Literatura com L maiúsculo e, principalmente, pela influência de pessoas (bacanas e bem-intencionadas, faço questão de ressaltar; nenhuma delas é um arauto do mal) que sinceramente acreditavam que King era uma leitura menor. Acabei seguindo o mesmo caminho. Não de forma pró-ativa, como se diz hoje; eu não fazia campanha contra Stephen King. Simplesmente perdi todo o interesse em ler seus livros e em ver seus filmes, coisa que começou a acabar quando vi o excelente The Shawshank Redemption, com Tim Robbins e Morgan Freeman (que, por curiosidade, completa hoje 71 anos de idade).

(agora, pensando bem, fiz uma exceção nesse longo hiato de leituras de King justamente para ler a novela que deu origem ao filme, Rita Hayworth and The Shawshank Redemption, que está na coletânea Different Seasons - mas, ao que me lembre agora, foi a única exceção MESMO em vinte anos.)

Depois da saga da Torre Negra, entrei num processo de, digamos, uma saudável (na minha opinião, pelo menos) Kingmania: comecei a comprar todos os livros de King que eu podia encontrar. (tudo em pockets, claro, que atualmente saem muito mais barato que brochuras em inglês ou em qualquer livro traduzido).

A última aquisição foi justamente On Writing. Mas confesso que, teimoso como sou, eu ainda tinha um preconceito contra King. Acreditava que esse livro não me ensinaria muito, não porque eu seja um grande escritor (porque não sou nem considero como tal), mas porque o estilo do King é tão direto-ao-ponto que eu achava que ele não faria muito mais do que, a exemplo de alguns mestres como Isaac Asimov, descer a marreta em autores mais focados no estilo e privilegiar exclusivamente a narrativa.

Não posso dizer que ele não faz isso de certa forma, mas com uma elegância e uma cultura que a escrita franca e direta de King muitas vezes esconde. Em suma, On Writing me deixou chapado: devorei o livro como quem lê uma história de ficção, daquelas das quais você não consegue desgrudar o olho (e nem dormir) até chegar à última página - e depois ainda fica acometido de uma certa melancolia, pois o livro acabou e não tem mais.

King dá um show de bola nesse livro, e também muitas lições de humildade para quem está começando no ofício. A primeira delas, e com a qual eu mais me identifiquei, foi: um escritor precisa ler muito e escrever muito. Sempre, o tempo todo. Fiquei feliz ao saber que pelo menos uma coisa eu e o mestre temos em comum: nunca saímos de casa sem um livro (eu, com minha paranóia costumeira, sempre levo dois na algibeira; e se eu acabo o primeiro no meio da viagem de ônibus ou metrô?) e lemos um livro em qualquer situação, seja numa fila até mesmo esperando o elevador. E escrever? Bem, King tem uma disciplina férrea, coisa que eu ainda não consigo ter, mas pelo menos eu já consigo escrever todos os dias, o que até pouco tempo atrás para mim era impensável.

Outra coisa que King ensina é não descuidar nunca de pelo menos três pontos: vocabulário, gramática e narrativa. Resumindo muito: conheça bem a sua língua e aprenda a contar uma história. Dá mais trabalho do que parece, mas no fim compensa.

Resolvi escrever este post justamente para dar força aos colegas de ofício que adoram ler mas parecem nunca ter tempo, devido ao estudo, ao trabalho ou à família. Evoé, pessoal!! Ânimo! Ler é gostoso, e faz bem não só à alma como também à carreira literária. Parar de ler é suicídio literário. Quem descobrir que não gosta tanto assim de ler talvez deva repensar as ambições literárias (não estou me referindo aqui a quem escreve RPGs ou roteiros para animes, por exemplo, pelos quais tenho o maior respeito - embora cultura seja igualmente importante para quem escreve em todas as mídias, aqui estou voltando meu foco para quem deseja escrever livros).

E escrever? Cuidado com a ambição desmedida da "trilogia" logo de cara - sem ter escrito pelo menos uns vinte ou trinta contos. Como diz o velho ditado, uma jornada começa com o primeiro passo. E o primeiro passo, no caso da literatura, costuma ser um conto (nem que esse conto fique na gaveta, ou numa pasta de seu computador). Mas nunca façam como uma conhecida minha, que um dia me confidenciou: "gostaria de ter mais tempo para escrever; mas eu trabalho durante o dia e toda noite sou convidada para uma balada, uma noite de autógrafos, um evento... Não tenho tempo algum." (Acho que não preciso dizer nada, não é? ;-)

Pra fechar: não desistam do sonho. Para a maioria das pessoas, ele vai demorar a se realizar. Mas é importante definir o caminho a seguir e ir em frente, sem deixar que nada ou ninguém atrapalhe (mas ao mesmo tempo sabendo ouvir conselhos e dicas, e sabendo também fazer pitstops para respirar fundo, aceitar críticas, reler com olhar desapaixonado as próprias histórias e revisá-las impiedosamente). Tudo vai dar certo no final. Como dizia o saudoso Fernando Sabino, se não deu certo é porque ainda não chegou ao fim. E boa sorte para todos nós, que precisamos e merecemos.

Recentemente uma amiga me procurou chateada porque recebeu uma péssima resenha sobre sua mais recente tradução. Entre outras coisas, o jornalista que leu o livro disse que a tradução tinha de ser mais "competente" e "inspirada".

Não vou fazer aqui uma análise do livro, porque, confesso, não o li, nem no original, nem na tradução. Tradutores não são perfeitos; minha colega de ofício e ex-chefe em nossa gestão à frente do Sindicato dos Tradutores, em meados da década de 1990, Lia Wyler, quando interpelada sobre escolhas específicas de determinados termos na série Harry Potter - que ela traduziu com muita eficiência, diga-se de passagem - respondeu mais ou menos o seguinte (cito de cabeça): "cada tradutor traduz o texto de seu jeito, a tradução não é uma ciência exata".

Ela está certa. Desconfiem sempre de quem diz o contrário e vem com fórmulas prontas. Tradução é o famoso mix de arte e técnica, tekhné no melhor sentido grego clássico, e é sempre muito complicado criticar a tradução se o crítico não for ele próprio alguém que labuta nesse ofício.

Quando trabalhei na Encyclopaedia Brittanica (onde traduzi alguns verbetes dos anuários), meu chefe, Donaldson Garschagen, jornalista e tradutor responsável pela primeira versão (e creio que a única até hoje) de A Cidade e as Estrelas, de Arthur C. Clarke, para o português, passou por uma situação ainda mais constrangedora: quando traduziu o clássico Nostromo, de Joseph Conrad, para a Editora Record, um resenhista da Folha de São Paulo decidiu fazer um cotejo (comparação) entre a tradução dele e a do saudoso poeta e ensaísta José Paulo Paes, feita na mesma época e lançada pela Companhia das Letras. Afinal, como a obra de Conrad já caiu há muito em domínio público, qualquer editora pode publicá-la sem problemas.

Pois bem, o resenhista já mostrou qual era seu propósito desde o começo: desacreditar a tradução de Donaldson. Estou sendo parcial porque o sujeito foi meu chefe? Não, e explico porquê: em seu artigo, o jornalista disse que a tradução de Donaldson estava errada (não inadequada, não imprecisa, errada mesmo), e citou um exemplo. Donaldson traduziu a palavra cupidity como cupidez, e não como ganância, que seria o correto - e foi como Paes traduziu.

Acontece que o livro foi escrito em 1905, e qualquer estudante de ginásio que tenha se dado ao trabalho de ler Machado de Assis vai encontrar em seus livros a palavra cupidez, que significa... ganância! A opção de Donaldson foi manter uma linguagem mais antiga, machadiana; a de Paes foi modernizar a linguagem sem descaracterizá-la. Quem está errado? Nem Donaldson, nem Paes: o jornalista errou. Porque cometeu um crime de injúria, calúnia e difamação. Na época, Donaldson escreveu uma carta para o jornal, que não se retratou. Pouco tempo depois, os livreiros começaram a devolver a edição da Record, porque ninguém queria mais comprá-la, alegando que não comprariam uma tradução "cheia de erros".

Voltando à minha amiga: ela me disse ter feito um trabalho competente e inspirado, e estava tendo um retorno muito bom dos fãs, mas que a resenha a havia deixado sem chão. Até pouco tempo atrás, ela estava tentando entrar em contato com o jornalista, não para tirar satisfação, porque ela é uma pessoa educadíssima e tranqüila, mas simplesmente para que ele pudesse esclarecer por que motivos ele achou que a tradução estava ruim (em tempo: ele NÃO DEU NENHUM EXEMPLO de tradução em sua resenha).

Esse é um dos tipos de crítica mais rasteiros que existem. Digo rasteiros não para ofender, mas para criticar mesmo o trabalho do crítico. Como jornalista, sei que nosso espaço no jornal ou na revista e muito pequeno para entrarmos em detalhes, mas uma de nossas primeiras lições de jornalismo (e quem mestres como Perseu e Cláudio Abramo nos ensinaram) é: tenha como provar aquilo que você afirma. Quando não faz isso, o crítico não está apenas colocando na berlinda o trabalho do criticado, mas também o seu próprio.

Não conheço o coleguinha pessoalmente, mas soube por conhecidos que ele é uma boa pessoa, mas um pouco intenso demais em suas críticas. E conheço pessoalmente a tradutora, cujo nome não cito aqui porque ela não me autorizou (e nem acho que seria pertinente, pois o importante aqui é o caso, não os nomes), mas ela traduziu uma das obras mais importantes da literatura dos últimos anos, e o fez com afinco, recebendo elogios de todos os veículos que o resenharam. Portanto, ela não pode ser uma tradutorazinha qualquer.

Moral da história? Seja você tradutor ou não, não se deixe depreciar. Robert A. Heinlein dizia que o crítico literário é o sujeito que não teve competência para ser escritor. Não concordo inteiramente (até porque eu exerço os dois papéis), mas talvez esse possa ser o caso em questão.

Não é FC, mas é um dos meus autores favoritos (quem disse que eu só leio ficção científica?): recebi da Companhia das Letras o ótimo A Defesa Lujin, de Vladimir Nabokov. Assim como Joseph Conrad, Nabokov foi um auto-exilado (da Rússia, ao passo que Conrad era polonês) que não escrevia em seu idioma natal, mas no adotado, o inglês, e acabou se tornando um dos maiores escritores do mundo nesse idioma.

Contudo, ao contrário de Conrad, Nabokov escreveu alguns livros em russo, e este foi um deles. A tradução é do competente Jório Dauster, que usou a edição em inglês (traduzida do russo em parte pelo próprio Nabokov). Esse livro gerou uma simpática adaptação para o cinema, O Último Lance, com John Turturro e Emily Watson.

Obrigado a Juliana Vettore, da Companhia das Letras, pelo envio do livro - que receberá uma resenha pelo Le Monde Diplomatique. Quanto a isso, novidades em breve.

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  • estranha jornada noite adentro
    por Fábio Fernandes

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A CONSTRUÇÃO DO IMAGINÁRIO CYBER - William Gibson, Criador da Cibercultura

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  • São Paulo: Editora Anhembi Morumbi, 2006

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