oito onças

lembre-se que nenhum rabo no mundo
vale mais do que 50 pratas.
(em 1977).

Bukowski estava certo, mas de nada adianta ter como referência as PRATAS de três décadas atrás. houve inflação.

portanto, hoje em dia, saiba que nenhum rabo no mundo vale mais do que CENTO E SETENTA pratas.

ou uns quatrocentos reais.

teto alto, mas verdade absoluta.

anote aí.

três anos

faz pouco mais de uma semana que voltei de fato e, na verdade, noutro post, já disse quase tudo do que eu pretendia dizer neste:

curitiba, março de 2006: me mudei para um kitnet com cama e mais nada. nem mesa, nem cadeiras, nem fogão - quer dizer: fogão, geladeira, pia e armário num pequeno móvel/amálgama metálico de uns vinte anos; usava uma prateleira do guarda-roupas sobre as duas bocas do fogão pra improvisar uma mesa e fazia o contrapeso com caixas de leite ou garrafas. comia de joelhos ou na cama. hm. aí umas semanas depois arranjei uma televisão, 14 polegas, porque não dava pra ficar lendo o tempo todo - até tentei. troca-se facilmente a dignidade para se livrar do tédio.

porque cheguei a 6 de março de 2006.

e porque tenho essa sensação toda vez que estou pra voltar.

não amo, nem odeio. simplesmente gosto daqui.

é o bastante.

melhores conversas

blog serve mesmo é pra encontrar pessoas com quem você gostaria de dividir uma mesa de bar.

eu encontrei um monte. esses putos.

vocês são fodas.

coins in my pocket go jingle-jangle

tive essa revelação enquanto descia a Nilo Peçanha numa tragada frontal a uma loja de torneiras, epifania esta que veio flanando pela rampinha de concreto úmido materializada no corpo de uma loira de trinta e tantos com o busto salpicado pelas chuvas amazônicas que despencavam, ontem, a cada 30 minutos por cerca de uns 5. saltos gigantescos que mal lhe serviam e que me fizeram feliz ao obrigá-la a um rebolado equilibrista até onde a justa saia jeans permitia e a elegância fazia concessões - a chuva dissolve poses. toda de preto, também, e narizinho pequeno e ainda pro alto, como se estivesse no corredor de um shopping e não naquela calçada irregular. pelo caminho, outras três: loiras, trinta e tantos, menos interessantes, decotes salpicados, passos calculados, caras de merda enquanto eu passava com um daqueles guarda-chuvas pequenos numa mão e uma lata de cerveja na outra, assobiando singin' in the rain & - de fato - drinkin' in the rain; provocação divertida para um fim de tarde escorregadio.

de volta à loiraça belzebu e à minha constatação: tédio infinito, mas há algo acontecendo aqui, Mr. Jones. a mulher passou, eu passei, dolorido de tanto caminhar pela cidade INTEIRA por dois dias non-stop, sempre rápido pra ir sempre longe e tentar cubrir rotas de meses atrás e ver qual era a das esquinas dessa vez. tudo igual. movido menos pela curiosidade e mais pelo tédio, como já disse, sem conexão com a internet e fumando um maço por dia, pro tempo passar - a internet ameniza meus outros vícios. virei três doses de vodka & me mandei pra uma lanhouse chinelagem, como também já vos disse, constatando com um olhar a presença maciça daqueles caras na sala gay do batepapo uol - porque nenhuma tecnologia é realmente útil se não te ajuda a levar alguém pra cama. e eu estava lá pra isso também. mandei um email mais ou menos assim: "cara, diga pra garota que meu telefone é esse." nada ainda, mas tenho fé - "please call me, baby, wherever you are." naquelas. mandei outro, mas pro Rei, pedindo um favor & recebendo uma intervenção de brinde e INVESTI R$1,50 apenas para lembrar vocẽs que ontem, dia 26/02, era o Bill Hicks day. Rant in E-Minor, cigarros & vodka. fim da noite, janela aberta, volume alto: evangelização passiva. de nada, meus vizinhos - quatro meses longe & é bom voltar chutando. amém, Bill.

não me canso de voltar à loira inicial, mas é o seguinte: da louhouse andei um bocado porcurando um bar, desci a Nilo Peçanha, loja de torneiras, SEX WITH LEGS, e fui seguindo. passei por Niemeyer, entre carros, por executivos encharcados, de uma calçada pra outra com o holograma da loiraça robolando nas retinas. passei pelo estádio do Coritiba & pela igreja do cemitério luterano onde ocorria um velório qualquer e havia três pipoqueiros na calçada. velório com pipoqueiros na calçada: algum grande filho-da-puta morreu, não tenho dúvidas. perdemos um filho-da-puta - me vê uma pipoquinha aí. mas não. desci girando o guarda-chuva fechado nos dedos pra circundar a UFPR e finalmente entrar num bar. tiozão de jaqueta jeans, camiseta azul-claro e óculos fundo-de-garrafa mexia no que parecia ser uma jukebox, mesinhas amarelas sin chicas, e me sentei numa de mármore para, enfim, me recompor. e tem algo acontecendo aqui, Mr. Jones: cigarro no cinzeiro de madeira, copo meio vazio e folha arrancada de um caderno que, sei lá porquê, eu trazia na mochila. o brainstorm boêmio que começa assim: "loiraça belzebu de busto salpicado pela chuva amazônica." rúh. música ruim, conversas exdrúxulas, mas R$2,70 numa garrafa não é de todo mal - falta, de fato, copo sujo & garotas bonitas: mil pontos pra Londrina - mesmo porque a qualidade de vida de uma cidade se mede pela quantidade de japinhas bissexuais per capita. chupa, IBGE: troco fácil uns pontos de IDH por um punhado de garotas Saigon. e nem digo que divago: penso nisso sempre.

mas a loira: na sola dos sapatos ou abaixo dos pézinhos deve estar escrito que "este produto contém mais de 4700 substância tóxicas (+ZINCO), e saltos altos que causam dependência FÍSICO-PSÍQUICA." ah, mas como não? ainda que as morenas vençam mais quando postas no mesmo PEDESTAL. e não é nem uma questão de curvas ou-. primeira coisa que escutei quando desembarquei acá: PJ Harvey. parece uma informação desconexa, mas o é só até você ver o ao vivo de Dress, que prova o meu ponto com facilidade. morenas lucifér (sic) to light things up. c-c-combo breaker: 15 dias atrasado para aquela peça do Mutarelli que também é filme, sabe? o nome me foge, mas 15 dias atrasado e parecia bom. stand-up visions e a merda de ouvir os mestres é achar tudo aquilo muito fácil. não é. mais vodka, GARÇOM, mais vodka. vou indo de ORLOFF-COLA quando me canso, e há gelo, há whiskey, há também um vinho vagaba, mas falta umas boas conversas para serem regadas por tudo isso: fim de semana verbeater me deixou mal acostumado. vitórias DEMAIS, quase que sem esforço - a não ser, no meu caso, para vencer EL CHARRO. mas foi.

ah, a loira.

titulo: este é um post pago

suspeito que eu vá morrer de tédio AMANHÃ se o técnico não vier e se não parar de chover nessa merda de cidade


post: posto que estou numa lanhouse chinelagem morrendo com R$1,50 rodeado de marmanjos acessando sala gay do batepapo uol (obrigado, NET). porque hoje é o dia de reler o post abaixo [link: http://verbeat.org/blogs/navalha/2009/02/the-dark-poet.html] e tomar um porre homérico, sim?

ao bar.


(me faça um GRANDE favor (porque estou numa lanhouse chinelagem com IE 6 & cheio de gente no batepapo do uol gay): posta lá no blog pra mim o seguinte)


e comprei o livro do fausto fawcett. foda.

acho que isso é publicável também (feel free to INTERVENE. seriously.)


yeah


MERDA
from: bcardoso
to: tiagón
date: thu, feb 26, 2009 at 5:26 PM

agradeço e tal. vou ali ver as chicas, se as encontrar.

no mais: o/

keep winning.


the dark poet

preacher ed. 31, pag. 10: bill hicks

uns dois anos atrás, caí num site qualquer que trazia umas transcrições dos rants que Bill Hicks fazia sobre cigarro. já conhecia o nome, de uns vídeos sobre religião, mas era só. pouco tempo depois, no entanto, passei a virar madrugadas procurando textos, filmagens, qualquer coisa que pudesse encontrar. aí vi Sane Man (1989) enquanto esperava o sol nascer pra ir tomar um ônibus e, depois de exclamar vários palavrões, foi como se eu levasse um tiro na cabeça.

porra.

(sensação análoga ao meu primeiro contato com o turbilhão jazzístico da prosa de Kerouac em Subterrâneos. devo muito a esses dois putos.)

alguém disse que comediantes são os únicos caras que podem dizer verdades. mas são poucos os que resolvem gozar desta liberdade e dizer o que tem que ser dito, mesmo porque, para a maioria, o stand-up é apenas um meio para conseguir outras coisas mais rentáveis - uma sitcom ou o que seja. Bill Hicks, porém, tinha o palco como seu último estágio, quase da mesma forma que um rockstar o tem. não à toa, seu grande ídolo era Jimi Hendrix: play from your fucking heart & MEAN IT. foda-se o público.

"ei, Bill, nós não vamos a um show de comédia para pensar," Hicks imita alguém do público numa entrevista. "bem," ele responde, "e onde é que vocês vão para pensar? eu encontro vocês lá. nós não precisamos fazer isso aqui." e depois que você passa a ser alvo de dezenas de garrafas após 22 minutos de apresentação num bar em Louisiana... bem, pode-se dizer que você está no caminho certo - mesmo que com 300 shows por ano em tudo quanto é buraco da América.

faço um amálgama de entrevistas: "eu estava me sentindo como o monolito de 2001, odisséia no espaço: eu ali parado e essas pessoas ainda aprendendo a construir ferramentas. foi aí que resolvi começar a me vestir de preto e gritar com eles." encarnar o DARK POET ao custo de garrafadas e hostilidades diversas. e essa catarse funcionava - comédia do ódio & temas polêmicos. em umas gravações amadoras, vê-se gente saindo, reclamando, vaiando, ainda que outros tantos desabem em risadas e aplausos. você conquista parte deles e segue em frente, mas nunca entrega exatamente o que querem.

"don't worry, folks, dick jokes are coming next."

preacher ed. 31: bill hicks
[edição 31 de Preacher, com referência ao Bill Hicks. clique para ler.]

tentar destruir o sonho americano & outros dogmas de dentro pra fora há de ser uma tarefa árdua - principalmente quando se depende de veículos de comunicação pra ter uma certa visibilidade. aí chamaram o cara pra se apresentar na Inglaterra: SOLD OUT. em todos os teatros. e não só: a censura do politicamente correto, que o perseguia nas aparições televisivas nos EUA, não existia por lá - suas apresentações foram ao ar sem cortes e com os palavrões necessários. Revelations é um grande exemplo disso: uma de suas melhores apresentações e para um público mais aberto e inteligente que os rednecks para quem havia se apresentado a vida toda. sacaram que o cara era um gênio e abriram portas. era isso que ele buscava, mas não em outro país.

voltou. descobriu que as dores que vinha sentindo era um câncer no pâncreas. parou de fumar. fazia turnês e quimioterapia nalgumas cidades, o tumor diminuía e ele aproveitava os frutos de seu reconhecimento internacional: dessa vez mais gente o escutava. largou as roupas pretas, deixou a barba crescer e emagreceu um tanto (culpa da quimio). voltou a fumar quando soube que o tumor voltou a crescer: já não tinha mais chances e ninguém sabia de nada. "the guy kept goin', kept performin' with the license granted a dyin' man to say what he likes without fear." aí fez sua última apresentação e morreu 13 semanas depois, aos 32 anos, em 26 de fevereiro de 1994.

quem já passou por aqui antes deve ter trombado com algumas várias referências ao mestre. se não, deveria dar uma olhada nos vídeos. e também na seleção feita em seu site, que contém vários registros importantes.

escrevo tudo isso porque semana que vem faz 15 anos que Bill Hicks morreu. e, me repetindo, devo muito. há uma série de eventos planejados, e fizeram inclusive um perfil no twitter que tem sido atualizado com várias citações para promover o #billhicksday no dia 26/02 - provavelmente com mais citações e vídeos e etc, mas eu também sugiro que você tome um PORRE pelo cara. faça um brinde e/ou fique chapado. é válido - e você acaba de ganhar um grande pretexto. mesmo porque, porra, IT'S JUST A RIDE.

the black saint and the sinner lady

o signo do caos #1

curitiba, março de 2006: me mudei para um kitnet com cama e mais nada. nem mesa, nem cadeiras, nem fogão - quer dizer: fogão, geladeira, pia e armário num pequeno móvel/amálgama metálico de uns vinte anos; usava uma prateleira do guarda-roupas sobre as duas bocas do fogão pra improvisar uma mesa e fazia o contrapeso com caixas de leite ou garrafas. comia de joelhos ou na cama. hm. aí umas semanas depois arranjei uma televisão, 14 polegas, porque não dava pra ficar lendo o tempo todo - até tentei. troca-se facilmente a dignidade para se livrar do tédio.

depois de muita tv aberta, apareceu um sujeito da NET pra instalar OPÇÕES e numa noite vi esse O SIGNO DO CAOS, do Sganzerla, começando no Canal Brasil - "o anti filme" (sem hífen), segundo os créditos iniciais. e enquanto DOUTOR AMNÉSIO & seus capangas fazem de tudo para censurar um filme, e entre vários bons diálogos, o que COME ao fundo é o jazz caótico de Charles Mingus. não sabia que porra era aquela, mas precisava ouvir de novo - e ouvir melhor. esperei pelos créditos finais e anotei o nome no canto do caderno.

o signo do caos #3
[ são as únicas músicas do filme. ]

então hoje, no finzinho da tarde e sob um céu azul-escuro, me cai o Track A - Solo Dancer, primeira faixa do disco, e me vejo girando o botão do volume - devagar e indefinidamente. muito tempo sem ouvir e novamente surpreendido por aqueles metais que se lamentam, e suspiram, e vão chorando e GRITAM e depois aceleram pra correr cada um pro seu lado, mas mais ou menos na mesma direção. várias vezes.

lembro que assisti ao filme outras três vezes no espaço de uns meses - e a segunda foi naquela mesma semana, numa reprise. e não só isso: the black saint and the sinner lady deve ter sido um dos primeiros discos de jazz que escutei.

caralho, faz três anos e parece que faz bem mais.

o signo do caos #2
[ é a camila pitanga. uma pena que minha cópia seja uma merda. ]

isso é quase uma resenha

ôdishon poster

com um poster desses, não se pode errar. foi o que bastou para que eu baixasse o filme. mas isso deve fazer mais de ano. ficou num canto do hd e eu o esqueci completamente até ler este comentário, uns dias atrás. não concordo, mas entendo. porque, porra, é uma japonesinha de luvas com uma seringa gigantesca, olhando DAQUELE jeito. e tal.

seis

odeio essas coisas, mas tiagón empurrou e, bem, não tenho nada melhor pra postar - é, esse é o meu espírito participativo em grande parte das TAREFAS que me designam: oh well.

pois, como dizem, pró-atividade de cu é rola. bem literalmente.

e ainda antes de listar seis coisas sobre mim, saliento que não postei isso à toa. e o afirmo agora apenas para causar dúvida sobre a credibilidade dos itens - e também porque venho exercitando a auto-sabotagem ("autossabotagem"?) e o caralho; mas este, no contexto da frase, apenas como artifício de linguagem.

então é algo assim:

1. só comecei a beber na faculdade. no colegial, enquanto os colegas saiam por aí, eu preferia ficar sozinho com música e tentando escrever coisas. era tudo uma grande merda, mas não me arrependo. (por outro lado, num gráfico, a evolução dos meus hábitos etílicos resultariam numa preocupante curva em J - porque já ESTIMEI valores e os números não são bonitos, mas, com sorte, necessários.)

2. também sobre isso, aos 17 eu achava que poderia escrever o que eu quisesse. e aí acabei escrevendo um "livro" (entre muitas aspas) com CENTO E TANTAS páginas - sem artifícios de espaçamento duplo nem nada. passei os meses seguintes tentando revisar (e arrumar) o TOMO. desisti. hoje tenho vergonha infinita daquela merda, mas ainda o guardo com todo cuidado entre os backups das minhas coisas.

3. a primeira garota com quem dividi a cama me achou no orkut (!) - por causa da minha foto com a camiseta de uma banda (!!). aí, num combo fim de semana/feriado, ela veio de outra cidade e dormiu em casa. por dois dias. numa palavra: sufocante. (a informação adicional é que meus relacionamentos não duram mais que algumas horas e a coisa FLUI bem melhor assim.)

4. houve um período da infância em que desenvolvi a PIROMANIA. punha fogo em tudo só pra ver queimar. um dia encontrei um galão de querosene no porão de casa. virei metade num vaso de porcelana, risquei um fósforo e fui jogando papéis e coisas ali dentro. pouco depois minha mãe entra desesperada: havia tanta fumaça naquele porão que eu poderia ter morrido asfixiado, segundo ela (mas mães exageram). com o tempo, isso passou, mas às vezes tenho umas recaídas incendiárias.

5. por um tempo, eu e uns amigos mantivemos um site de literatura. escrevíamos e postávamos aquelas coisas. era pomposo, prepotente, elitista, raso e beirava o ridículo - mas fazia sentido na época. sou IMENSAMENTE grato por termos matado (ainda que a contragosto; história longa) o tal do site. gracias, ustedes.

6. já fiz um curta-metragem (tá, quem não fez?). acho que já mencionei isso, mas dou mais detalhes (nunca o link): 16 minutos de nonsense e pompa emprestada do item acima. recortamos a bíblia da minha irmã e fizemos um poema dadaísta com o apocalipse, que Jimmy recita no coreto de um parque. além do trabalho por trás das câmeras, apareço no final, num enquadramento que só me pega da cintura pra baixo, chutando para fora da cena a pequena bíblia em chamas, que fazia parte do final APOTEÓTICO. é um curta legal, mas muito mal realizado.

~

acontece que memes morrem quando chegam em mim. e também a maioria dos camaradas já foi INTIMADA. no entanto, bia & pablo: se quiserem chutar, essa é a deixa.

22

vinho. o de sempre: meia garrafa e rua. chuviscava, mas aí parou. vi estrelas. saí, então, e segui meus próprios passos de outras noites, quase podia me ver pisando e pisando e toc toc toc. vantagens de terça/quarta-feira: ninguém por perto. bar fechado, garrafona de cerveja no mercado - tive que pedir por um abridor no posto. mil cigarros e mais mil passos, pra lá e pra cá. confessei tudo ao vento, sozinho, em sussurros. e se alguém estivesse naquela praça, eu não teria mais subterfúgios, nem onde me esconder. mas havia um gato e um cachorro (depois) e acho que eles sabem de tudo ("for i am a rain dog too" bla-bla-bla). desci o morro. ganhei um boquete. andei mais. parei no sorriso - um bar. tentei convencer a mocinha.

"é dois e cinquenta"

"faça por dois. é meu aniversário. posso provar."

"é dois e cinquenta. posso provar."

irredutível, ela. dois e cinquenta na porra de uma latinha de itaipava. comprei assim mesmo, cavocando o bolso em busca dos centavos. linda, ela. sentei num canto e a encarava sempre. limpou duas mesas, pegou copos e garrafas vazias dos outros. foi de novo. e de novo. aí a chamei: "olha, preciso mostrar pra você que eu não estava mentindo." puxei a carteira de motorista (quanto tempo faz que não dirijo?) e mostrei. "olha aqui: 11 de fevereiro. e hoje é 11 de fevereiro."

"puxa." olhou bem nos meus olhos. "estou me sentido mal agora."

"eu precisava te mostrar."

"21?"

"22."

"qual seu nome?"

"bruno."

"bruna."

porra.

me deu parabéns, mas não outra cerveja. talvez fosse a aliança de prata. loira e vinte e tantos anos. repetiu as congratulações e sorriu de novo. "te fodo agora mesmo." mas eu não disse isso e nem mais nada. ela voltou pra trás do balcão e eu fumei outro cigarro (e a lata vazia). mais outro e me levantei pra ir embora: ela olhou e eu levei a mão à cabeça e a saudei. me mandei pra bem longe e vi a polícia intimar uns motoqueiros.

grande merda.

voltei.

murder ballads agora & ressaca que já vem me pegar.

não quero absolutamente nada hoje.

talvez foder no chão e quebrar coisas. volto lá qualquer dia desses.

vinte-e-dois, portanto.

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os vizinhos

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