subtropical blues

goin' down south.

goin' down south, i'm going down south
the chilly wind don't blow

i'm going with you babe, i'm going with you babe
i'm going with you babe, i'm going with you babe
i don't care where you go.

onde o vento frio também sopra.

não vou contigo.

[não, não vou contigo.]

mas te espero quando você voltar.

o homem é o lobo do homem

today's horoscope

EAT LIGHTNING, SHIT THUNDER.

sem mais.

te sacaneiam às vezes

porradas luminosas, ritmadas, sincopadas, martelando suas retinas. SARAIVADAS de flashes para todos os lados, capturando movimentos dos espremidos corpos suados & embriagados; um mar de braços para o alto, para os lados e na horizontal - segurando copos meio cheios de qualquer coisa cintilante de textura aparentemente viscosa, ainda que fosse apenas vodka com, sei lá, algum tipo de GROSELHA AZUL.

você não quer estar ali, mas está. quer dizer, eu estava. já entrei nesse tipo de roubada algumas vezes. com exceção de UMA ou OUTRA onde acabei fisgando uns pares de pernas meio por acaso, todas elas me drenam ORGÔNIOS & paciência.

e grana.

este é o ponto: encha a cara previamente, as coisas te parecem um pouco melhores. e sai muito mais barato, também. uma fila de UMA HORA pra me meter em tal INFERNO pansexual, com amigos & amigas querendo dançar e eu querendo beber o máximo que pudesse antes de passar pela CANCELA. o que foi até fácil, uma vez que dávamos um passo a cada quinze minutos e alguém muito benevolente que conhecemos num posto de gasolina (pra comprar cervejas) resolveu nos pagar mais e mais cervejas. garrafas surgiam e rodavam entre nós. o GRAND FINALE foi um BACARDI que veio absolutamente DO NADA e voltou rapidamente para lá em grande parte por minha culpa. nem sei o nome dela, mas nos disse que tinha muita grana mesmo.

então tá. GRACIAS.

ainda assim, as perspectivas de adentrar para DANÇAR naquele estado de embriaguez não me satisfaziam. quebrei uma garrafa no meio-fio por motivo nenhum (em verdade, pra provar um ponto, mas essa história é longa demais), andei o passo da quinzena de minutos que se completava ali e me apoiei numa daquelas hastes com correntes que delimitam a fila, você sabe, como fazem nos bancos. havia umas três ou quatro daquelas junto à entrada, e depois a fila serpenteava livremente calçada afora. me apoiei na última. um sujeito me bateu nas costas e me pediu licença, "meus amigos estão ali na frente."

"claro, pode furar a fila à vontade."

ficou sem graça, mas foi. parou alguns passos adiante. virou-se para se explicar, dizendo que não era da cidade.

"e de onde você vem é normal fazer isso?"

o segredo é manter a seriedade e o tom monótono da voz. confunde. eu estava cagando pra fila, mas achei divertido fazer parecer que não. além disso, curitibanos têm verdadeiro tesão por filas: esperava que algum desses mais EXCITADOS fosse aproveitar minha deixa para iniciar uma discussão de verdade, algo pra me distrair. não deu certo. não dá pra contar com essa gente. o sujeito & cia., no entanto, me encaravam. ele irritado e ainda meio sem graça e seus amigos, no embalo. de minha parte, metade dos meus companheiros estavam bêbados demais e não ouviram nada, e a outra metade temia que eu fosse fazer alguma merda e - tenho certeza - não ia nem me dar uma força caso precisasse. acabei não aguentando e soltei uma risada. aí riram também. o sujeito era de Caxias do Sul. nem perguntei.

acabamos entrando, acabei achando tudo uma merda e fui DORMIR num sofá que encontrei. me acordaram às quatro e meia da manhã, acho, pensando que eu estava passando mal. "não, isso aqui é só um protesto." fomos comer numa padaria 24 horas ali perto. eu tinha uns trocados e a moça esqueceu de marcar na minha ficha meu X-BACON matinal. fiz as contas: sem ele, daria pra comprar um maço de cigarros.

hm.

única moral possível: a vida te sacaneia às vezes (teus amigos também), mas você pode acabar comendo & bebendo de graça se tiver sorte.

minha frigideira sumiu #2: FRIGIDEIRA BLUES

acontece que, após o ocorrido, fui INQUIRIR amigos frequentadores de minha residência semi-república para levantar pistas & tentar obter respostas sobre o paradeiro de minha tão estimada frigideira.

nada conclusivo.

recebi apenas sugestões de locais para buscas & uma proposta de ANGARIAR fundos para uma nova frigideira.

mas não quero OUTRA. frigideiras são o melhor amigo do homem. e aquele teflon riscado tem história, meu deus. além do mais, o valor da vaquinha beiraria uma garrafa de cerveja por cabeça no bar onde sempre vou; e tenho prioridades - então 'bora continuar investigando.

um colega quis sacanear dizendo que se até a frigideira não me suportou e seguiu seu rumo, era porque a coisa estava realmente feia. ao que eu repliquei que a DITA me suportou por mais tempo que as minhas mulheres. juntas.

"vou escrever um blues sobre isso."

duvidaram.

aí ontem reuni toda minha angústia e a REFOGUEI nos versos que seguem, para a surpresa dos putos que sujam minha casa (no ritmo de Mannish Boy, por favor):


FRIGIDEIRA BLUES

era uma noite solitária
quando aquela fome bateu.
foi numa noite solitária, baby,
que aquela fome bateu:
fiz dois sanduíches,
mas a frigideira desapareceu.

procurei na pia,
e não encontrei.
revirei todos os armários,
mas não a encontrei.
a maldita frigideira sumiu
e pra onde foi eu não sei.

comi pão vencido,
presunto velho & queijo frio.
o sanduíche envelhecido
me deu até um arrepio,
e a porra da frigideira,
foi pra puta que pariu.

[SOLO DE GAITA]

e me alimentando mal
fico cheio de perguntas
bebendo mais que o normal
fico cheio de perguntas
a panela me suportou mais tempo
que minhas mulheres juntas!

mas sinto saudades
dessa velha companheira
estou sentindo saudades, lord
dessa maldita companheira
e sem nada pra comer
vou arranjar uma COZINHEIRA.

[OH YEAH!]


~

sei que não a trará de volta, mas é apenas um desabafo sincero de um homem sem frigideira.

[garotas interessadas na vaga de cozinheira favor entrar em CONTACTO.]

analisando os fatos

vamos definir uma coisa: PANDEMIA é quando houver uma reportagem sobre a gripe suína na qual o próprio repórter estiver usando máscara.

AÍ SIM.

até lá, é só RESFRIADO & sensacionalismo.

e além disso, como bem disseram, o fato de eu não assistir TV faz com que a gripe simplesmente não exista aqui no Brasil.

de onde concluo que nem sei porque estou tocando nesse assunto.

zakurivajte!

novo canto da catarse: zakurivajte!

mesmo modelo da espaçonave & afins, mas com uns textos novos e uns links a mais. de modo geral, andei revisando algumas coisas - tipo o instruções para Kali Yuga & pornografia, ambos do Hakim Bey. aos poucos vou chegando nos outros.

e, por exemplo, pesquei no tumblr do ubu um how to do Allan Kaprow sobre happenings. depois, vi que sumiram com ele - política estranha essa, de publicar e deletar; fazem com vários posts, não entendo. mas, enfim, agora ele está disponível aqui. pretendo fazer isso com o que der e interessar.

sugestões & indicações são bem-vindas. e tal.

tamos aí

o motorista ajudou-nos a entrar para o banco de trás. a limusine deslizou lentamente para trás, os garotos acompanhando ao longo da cerca. diabos, em breve eu estaria morto e a metade deles se sentaria diante de processadores de textos escrevendo merdas inimaginavelmente ruins.

(hollywood, pg.221. BUKOWSKI)

minha frigideira sumiu

simplesmente desapareceu. não está na pia, nem no escorredor de louças. olhei em todos os armários. duas vezes.

sumiu.

uma frigideira não é algo que suma assim, tão simplesmente. não é algo que eu leve comigo por aí para abandonar desatento em algum canto. não saio com ela na rua - nem sob chuva. nem de jeito nenhum.

em verdade, nunca devo tê-la tirado da cozinha. acho que posso afirmar que nunca saiu de lá para nada: os pratos eram os que saiam da mesinha da sala e iam até lá para serem servidos do que quer que eu tenha feito na frigideira - misto-quente, geralmente.

mas a maldita frigideira sumiu. passava das dez da noite de ontem quando dei falta dela. tinha muita fome e uns pães de forma no limiar do prazo de validade. queijo & presunto idem. misto-quente. montei os sanduíches (dois), guardei as coisas, fui para o fogão. aí nada.

foi o microoondas - que também nunca se aventurou para além da cozinha e que, excetuando o movimento de abrir e fechar de sua portinha, permanece perfeitamente inerte no mesmo canto desde sempre, desde quando posso me lembrar -, foi o microoondas, então, quem resolveu a situação.

mas como uma frigideira pode desaparecer? - era só o que eu me perguntava enquanto mastigava os pães molengas e meio secos com presunto quase frio e queijo mais ou menos derretido. interrogações sobre onde ela poderia estar não mais me ocorriam. o que fora fazer por lá não me interessava. queria apenas saber COMO, como pode a porra de uma frigideira desaparecer?

não pode. tem de estar por ali. larguei os sanduíches e procurei de novo. nos armários. nos armários da sala. nos armários do quarto. estaria alguém pregando uma peça em mim? armários do banheiro. fui olhar no tanque, no canto atrás da lixeira, na mesa bagunçada da sala, nas prateleiras logo ao lado. maldita frigideira. pelo chão, na geladeira, em armários que nunca abri, em armários que nem sabia que existiam. redescobri toda minha casa por causa da merda de uma panela que resolveu desaparecer.

voltei à mesa de mãos vazias. terminei de comer.

minha frigideira sumiu.

espaçonave

esses dias que seguem o fim das provas implicam em mais tempo livre, então resolvi programar algumas coisinhas & juntar o que vinha programando/fazendo desde antes de um jeito mais organizado: está tudo aqui.

o que andou me tomando mais tempo (naquelas) foram uns comandos para o ubiquity, um proto-buscador de palavras ainda com alguns bugs & o mais recente de todos, a ESPAÇONAVE.

a espaçonave, aliás, é homenagem não só à barraca-espaçonave do corpus christi, como também aos amigos espaçonautas que lá embarcaram e com quem andei trocando algumas idéias, por esses dias, sobre McKenna e essas coisas todas. ainda tenho um monte de coisas para juntar, alguns PDFs pra gerar e um bocado de links pra inserir, mas vamos aos poucos. colaborações são muito bem-vindas.

e, numa nota relacionada, creio que este vídeo serve como terceiro ponto da minha argumentação quando digo que quero ser um PESCADOR.

é isso.

brain damage

aproveitando o embalo temático & algumas horas livres que tive nos últimos dias, resolvi montar um set com as músicas mais apologéticas que encontrei por aqui. um junky set. na verdade, não fui atrás de nada que já não tivesse, simplesmente fui buscando e ordenando - o que justifica ausências do tipo, hm, planet hemp, por exemplo. na real, acho que é uma playlist mais engraçada que qualquer outra coisa.

as músicas:

  1. Bob Dylan - Rainy Day Women #12 & 35
  2. Rogério Skylab - Eu Tô Sempre Dopado
  3. Jimi Hendrix - Purple Haze
  4. Ska-P - Cannabis
  5. Bezerra da Silva - Malandragem Dá Um Tempo
  6. Papa Joe Grappa - Medical Marijuana
  7. Pink Floyd - Have a Cigar
  8. Júpiter Maçã - Um Lugar do Caralho
  9. Bezerra da Silva - Tem Coca Aí na Geladeira
  10. Bob Dylan - Cocaine Blues (Live)
  11. Bêbados Habilidosos - Rio de Whisky
  12. Wander Wildner - Quase Um Alcoólatra
  13. Blues Etílicos - O Sol Também Me Levanta
  14. Matanza - Estamos Todos Bêbados

divirtam-se.

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