[dia 29/12: "um surrealista escreveu no meu pau"]
JIMMY tirou da mochila um vidro com líquido ROXO embalado numa sacola plástica laranja: chá de cogumelos. com suco de uva. pouco mais de meio copo para cada um. aí nos mandamos pra rua, pra trégua da chuva, pra uma pracinha calma pra discutir - entre outras coisas - TARÔ.
nada muito mais forte que um bem estar & gargalhadas fáceis, no entanto. o misticismo do carteado tornou-se EXISTENCIALISMO NIILISTA e aí a única saída foi procurar um boteco pra tomar uma dose. eram umas quatro da tarde: cervejas, doses, histórias que acabavam nos induzindo TRANSES & dilatação temporal; doses, cervejas, conversas & nos mandados sem rumo.
esta é uma bela cidade. sensação constante de "quinze anos atrás". as fachadas antigas descascando e as novas, de mau gosto irônico. tudo muito calmo, tímido, CASTO. alcoólicos anônimos sob a igreja do rosário, entrada na lateral, reunião às 20h; entramos. um ex-alcoólatra cuidava do local & nos explicou como a coisa toda funcionava. o rosto magro & seco me chamou a atenção. assinei como DOUTOR SAX num livro aberto (A.A., pois não?). aí viramos a esquina pra entrar na igreja, pra sentarmos nos bancos, pra sussurar feito reza o CUT-UP que fiz com o folheto das cantorias que nos entregaram. para sermos massacrados pela poluição visual daquele EXCESSO de simbolismo. entramos para poder sair.
perambulações & CACHAÇA ao anoitecer.
íngrime decadência psicoativa
pelas ladeiras inevitáveis,
pelo silêncio provinciano
no qual fincávamos o CAJADO
repleto de frases & registos:
um cilindro de papelão maculado
pela esferográfica azul;
ESTANDARTE ÁGUA-ARDENTE.
embriaguez eminente.
FÁCIL.
e então eu estava completamente bêbado, chato, riscando o verso do papel da igreja com palavras ilegíveis, rabiscos de catarse falsa & estúpida; torcendo pano seco. aquela merda que se faz quando você acha que pode forçar alguma espontaneidade. não pode. nunca pode. ao menos, no dia seguinte, não compreendi grande coisa do que rascunhei ali. tanto melhor. nos separamos e fui sozinho subir um morro, depois outro, e mais um: praça central, bancos vazios & um sujeito me observava desconfiado da janela de seu sobrado, envolto numa penumbra que julguei densa demais.
perdi a consciência enquanto o encarava.
adormeci profundamente no banco da praça.
[lacuna temporal indeterminável.]
voltei pra casa.
~
[dia 30/12: bohemian polka]
THIAGO surgiu fumando depois da chuva.
carro aberto, três junkies adentro.
um fardo de cervejas naquela praça
onde tudo começa.
eterno retorno.
a erva rolou pela esquerda.
duas voltas.
e a cerveja,
até acabar.
bebemos mais, margeando o lago, depois de comer uns lanches por um preço pouco razoável. e àquela hora a única opção possível era a inevitável CERVEJA COM FORRÓ. acatamos. CONSPIRA-SE em qualquer ambiente com o ADVENTO de bebidas alcoólicas & na companhia de grandes comparsas, que era o caso.
uma grande noite, portanto.
~
[dia 31/12: so what]
vinho & champagne.
e mais vinho.
2010.
~
[dia 01/01: sorriso]
noite deserta.
tudo fechado.
cerveja cara.
outra rodada de conversas memoráveis.
bebemos as sete últimas garrafas do bar.
aí nos mandaram embora.
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[dias 02 & 03/01: simbolismos; dia 04/01: madrugada]
"pero que las hay, las hay."