preciosa.jpg

Precious (2009 - EUA)

Chega a ser um filme irritante, no papel da coitadinha uma negra gordona escorraçada pela mãe, maltratada e sem amigos na escola, uma garota sem perspectiva, atrasada, nascida para ser posta de lado. O diretor Lee Daniels usa e abusa de uma temática "filmes de negro" como quem quer alavancar uma discussão de que apenas os negros passam por tal tipo de discriminação. Sendo que todo aquele sofrimento seria sentido e exposto por qualquer um que estivesse em posição parecida (aparência física, comportamento, nível escolar, classe social), um discurso de anos passados que já não se encaixava num planeta tão preocupado com o meio-ambiente e tantas outras questões, uma adolescente rejeitada não parece ser questão racial quando se discute equiparações salariais, quando Obama é o presidente dos EUA. Fora a bandeira levantada, o filme irrita pelas cenas "supostamente" explosivas na relação mãe-filha, Mo'Nique levou um Oscar de coadjuvante por fazer cara de mal, berrar e jogar coisas na filha. Enfim, Preciosa insiste numa tecla batida e rebatida, se pelo menos tivesse competência para tratar do tema, mas não, sobrevive da discussão racial enquanto perde-se numa história de mãe abusando financeiramente da filha, ou de uma escola especial para alunos problemáticos que de tão estranha soa surreal. Ainda por cima aparece uma Mariah Carey sofrível em cena.

De Oscar a Coldplay

| | Comments (0)

oscar2010.jpg

Oscar e Coldplay

Como não poderia ser diferente, o assunto é Oscar. E neste ano de 2010, por mais que as indicações fossem pulverizadas em 10 filmes (um pior que o outro na grande maioria dos que ocuparam as vagas infladas), você tinha que optar por um partido. PT ou PSDB, não, Avatar ou Guerra ao Terror (sem querer fazer qualquer associação a direita ou esquerda como alguns da imprensa fizeram, muito menos a "cinema comercial" x "cinema autoral/independente"). Ou você vislumbrava-se pelo 3D e todo o poderio técnico de efeitos especiais (de um filme clichê que apenas repagina outros filmes de imenso sucesso), ou escolheria algo mais tangível e ainda vivo (como a ocupação americana no Iraque que parece não ter mais fim). O que fez a academia é simples, eles são reis em reconsiderar, em compensar, e outros equívocos que jamais premiam os reais merecedores dos prêmios; por isso optaram pelo bom filme Guerra ao Terror, que sim é muito superior a Avatar, só que a premiação soa muito mais como escolhemos-o-filme-que-vai -representar-a-Guerra-no-Iraque. Assim a Academia fecha uma história que começou lá no governo Bush, quando da invasão que foi repudia em massa por atores e demais participantes da industria cinematográfica, todos mostraram-se amplamente contrários à invasão, e agora no tempo de Obama é hora de eleger o nosso filme, nosso símbolo. Isso talvez vá representar uma diminuição na quantidade de filmes do tema (o que é ótima notícia já que houve alguns filmes simplesmente terríveis, vide o do Paul Haggis), ainda assim injusta já que também houve filmes melhores e de cara Redacted de Brian de Palma brilha como o grande filme da Guerra do Iraque. Privilegiando um filme melhor que o arrasa-quarteirão rei absoluto das bilheterias a Academia mostra que se vende a muitas coisas, mas não às estatísticas de bilheteria, se não seria fácil e todo ano davam o Oscar ao campeão de bilheteria.
O que eles não conseguem é realmente premiar o melhor filme, dessa vez foi Bastardos Inglórios e seu diretor Quentin Tarantino os injustiçados. Tudo bem, enquanto muitos daqueles filmes serão completamente esquecidos da memória, o filme de Tarantino será mais um inesquecível que você assiste quantas e quantas vezes estiver na TV. De muito representativo a vitória de Bigelow em direção, quebrando assim o tabu, abrindo espaço para que os melhores sejam escolhidos daqui em diante, seja qual for o sexo. Sua carreira sempre à margem da grande indústria coloca agora seu nome numa linha de frente. A categoria que mais me interessa é de Filme Estrangeiro, e nessa concorriam, por exemplo, o filme que mais aguardo este ano (O Profeta), um dos meus cineastas preferidos (Michael Haneke), e o filme que me encantou e torci por sua vitória (o incrível O Segredos dos Seus Olhos), que se faça justiça ao ótimo cinema argentino.
Fugindo um pouco da polêmica Avatar x Guerra ao Terror, o que era aquela cara de mau-humor do George Clooney, que coisa estranha. E o esquecimento de Farrah Fawcett nos que se foram no último ano. Pelo menos foi digna a homenagem a John Hughes, diretor que marcou minha geração, que nos prendeu muitas tardes em casa sorrindo e nos identificando com personagens complexos, inteligentes e perfeitos sinônimos da década de 80. A festa ficou melhor sem música, ganhou seu momento Domingão do Faustão com aqueles depoimentos desnecessários aos atores e atrizes indicados (tinha gente lá que não tinha o que dizer), e por fim premiaram a dupla de atores que cabe perfeitamente no perfil Oscar de homenagem com um prêmio gente que eles acreditam que nunca terá outra chance de indicação (mas isso só o tempo dirá).


Antes do Oscar teve no Morumbi o show do Coldplay, primeiro que bagunça para entrar, a banda cantando seus hits e ainda havia uma fila enorme do lado de fora (não sei como a produção não se atenta a esse tipo de coisa, quer dizer sei sim, eles não tem a capacidade de tirar do caminho onde irão cruzar mais de 40 mil pessoas um monte de catracas, imagina se atentar na fila e atrasar alguns minutinhos do show). Com isso entrei na pista no meio de Yellow, e aquele visual amarelo e a energia da música trouxeram uma excitação que não durou muito tempo. O som muito baixo, mas tão baixo que chegou-se a ouvir muitas vaias do pessoal da arquibancada que não conseguia ouvir. Algumas das músicas do disco novo não empolgam, Coldplay tem um quê de Radiohead em algumas canções, mas sempre fica no quê e a banda também não parece cativar o público resultando num show comportadinha que dava p/ curtir sentado mesmo (exceção é claro a Viva La Vida quando Chris Martin levantou o Morumbi e arremessou-se ao chão nas últimas frases), outro grande momento foi Shiver acústico (sorte minha que estava bem perto do palquinho, deu para aproveitar bem), a chuva de borboletas coloridas em Lovers in Japan criou uma linda atmosfera mas quando tocou The Scientist é que Coldplay mostrou q eu veio. Gente emocionada, uma canção embalado a multidão, um momento inesquecível que fez tremer muita gente, e cada frase na voz triste de Chris Martin parecia doer no fundo da alma "Nobody said it was easy / It's such a shame for us to part "

Oscar 2010

| | Comments (0)

avatar_guerra_div.jpg
imagem roubada do Estadão


Oscar 2010

Bom, a festa já está marcada com os amigos, os trajes escolhidos, o prosecco está gelando, os filmes já foram assistidos (ou a grande maioria deles), agora é esperar pelos Oscars divididos por Avatar (eca) e Guerra ao Terror madrugada a dentro e se divertir com os comentários em grupo. Poderia fazer como todo mundo e postar ou os prováveis vencedores ou os meus preferidos. Vou fazer diferente, é duro ficar escolhendo numa lista que você não concorda com nenhum ou que você não assistiu a todos os concorrentes (faltaram 2 de Filme Estrangeiro e mais um filme ou outro que recebera indicações para completar a lista), então vou listar os filmes em minha ordem de preferência, entre todos os que foram indicados (seja qual for a indicação, já que vários bons filmes ficaram de fora dessa lista estapafúrdia de 10 filmes). E vamos a eles:

Bastardos Inglórios****
O Segredo dos Seus Olhos****
A Fita Branca***1/2
Amor sem Escalas***1/2
Invictus***
Direito de Amar***
Guerra ao Terror***
Nine**1/2
Educação**1/2
10º O Mensageiro**1/2
11º Distrito 9**1/2
12º Up - Altas Aventuras**1/2
13º A Teta Assustada**1/2
14º Avatar**
15º Sherlock Holmes**
16º Preciosa*1/2
17º Star Trek*1/2
18º Um Sonho Possível*
19º Um Homem Sério*
20º Um Olhar do Paraíso*

Direito de Amar

| | Comments (0)

direitodeamar.jpg

A Single Man (2009 - EUA)

Gosto da obsessão estética desse primeiro trabalho de Tom Ford como cineasta, os impecáveis trajes de cada um dos personagens (como era de se esperar), as nuances de cor (e suas mudanças dentro de cena), a sutileza da trilha sonora muito presente, a fotografia como um todo (alguns planos fechados no pé ao levantar-se da cama ou outras pequenas argúcias corriqueiras que fazem a diferença). Tudo se ajeitando para uma tradução de solidão sentida pelo personagem de Colin Firth, lentamente descobrimos que sua tristeza latente é oriunda de um acidente, o professor universitário sofre a dor da perda a cada inspirar de seus pulmões. Em sua melhor amiga (Julianne Moore, ninguém representa melhor estas décadas do que ela), encontra novo foco de solidão, uma relação ambígua, calorosa, ressentida, bebem e dançam para abafar mágoas (ao som de Stormy Weather com Etta James nos vocais eles oferecem um momento inesquecível). "Uma relação verdadeira" deve ser a citação mais sutilmente preconceituosa do cinema. Há realmente pequenas preciosidades como a cena do telefone, tudo tão delicado e elegante, e triste. Da amargura sem fim há discursos blasés, filosofias superestimadas, e uma nova esperança que não segue tão bem conduzida quanto o restante, ainda assim Tom Ford apresenta muito bem toda a capacidade de um homem em sofrer a perda de um amor.

Um Sonho Possível

| | Comments (2)

umsonhopossivel.jpg

The Blind Side (2009 - EUA)

Esperar pelo pior é um problema, porque ainda pode ocorrer de você subestimá-lo e vir algo ainda pior do que o esperado. Eis o filme de John Lee Hancock, a sem sombra de dúvida bonita história verídica de solidariedade, amor e tantos outros belos sentimentos que transformou a vida de um garoto negro jogado às traças num respeitado jogador de futebol americano, nas garras do cineasta não alcança nem ares de fábula resultando apenas num conjunto de clichês e cenas que muito aproximam-se com uma novela das oito brasileira. Cenas de draminhas e diálogos pobres, ausência total de um quê cinematográfico que fuja do óbvio e a preocupação única de conduzir a narrativa, contar a história, como se ela resultasse sozinha num filme. O filme é tão medíocre que até criticar é difícil, e tentar alçar o desempenho (correto, sem afetações, porém uma sub-Erin Brockovich) de Sandra Bullock a algo digno de prêmios e elogios é quase um sacrilégio. Não passa de uma jarra de água com açúcar, história da Disney para adolescentes, usando dos clichês para um público que o própria filme julga incapaz de outra linguagem mais sofisticada.

ohomemequematouofascinora.jpg

The Man Who Shot Liberty Valance (1962 - EUA)

A força das interpretações e a presença da mão firme e consistente de John Ford permanecem na mente dias após o filme ser visto. Transformar previsibilidade em arma a favor definitivamente funciona para poucos, e Ford com maestria é capaz de manipular tal característica não só em cenas marcantes e personagens inesquecíveis, como também num jogo político envolvendo uma história de amizade leal e homens íntegros. O aspirante a advogado (James Stewart) recém-chegado à pequena cidade e o rancheiro rápido no gatilho (John Wayne), o durão apaixonado, formam uma dupla capaz de sintetizar o homem americano com seus valores, crenças, e luta pela moral seja pela justiça ou pelo poder de sua virilidade. Extrair de personagens tão bem delineados e previsíveis, apenas enaltece as afirmações que o roteiro eficazmente arquiteta.

Top 100 - Década 2000-09

| | Comments (3)

Meu amigo Chico Fireman convidou alguns amigos para eleger os 100 melhores filmes da última década, eis aqui minha lista com o que considero os grandes filmes da recente safra do cinema mundial, tem para todos os gostos e nacionalidades e uma lista razoável de diretores emplacando 2 filmes na lista.


cache.jpg


1º Caché, de Michael Haneke
2º Um Filme Falado, de Manoel de Oliveira
3º Antes do Pôr-do-Sol, de Richard Linklater
4º Amor à Flor da Pele, de Wong Kar-Wai
5º Casa Vazia, de Kim Ki-Duk
6º Dolls, de Takeshi Kitano
7º Réquiem para um Sonho, de Darren Aronofsky
8º Dogville, de Lars Von Trier
9º Oldboy, de Park Chan-wook
10º O Melhor da Juventude, de Marco Tullio Giordana
11º Amores Brutos, de Alejandro González Iñarritu
12º Cidade dos Sonhos, de David Lynch
13º Segunda-Feira ao Sol, de Fernando Leon de Aranoa
14º Arca Russa, de Alexander Sokurov
15º As Horas, de Stephen Daldry
16º 21 Gramas, de Alejandro González Iñarritu
17º Mondovino, de Jonathan Nossiter
18º Jogo de Cena, de Eduardo Coutinho
19º Cidade de Deus, de Fernando Meirelles
20º Sobre Meninos e Lobos, de Clint Eastwood
21º Dias de Glória, de Rachid Bouchareb
22º Amnésia, de Christopher Nolan
23º O Segredo do Grão, de Abdellatif Kechiche
24º O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, de Cao Guimarães
25º Nove Rainhas, de Fabián Bielinsky
26º Mais Tarde Você Entenderá, de Amos Gitai
27º Na Natureza Selvagem, de Sean Penn
28º Embriagado de Amor, de Paul Thomas Anderson
29º A Questão Humana, de Nicholas Klotz
30º Ônibus 174, de José Padilha
31º Monstros S.A, de Peter Docter e David Silverman
32º O Orfanato, de Juan Antonio Bayona
33º Moulin Rouge, de Baz Luhrman
34º Persépolis, de Marjane Satrapi e Vicente Paronnaud
35º Paris, Te Amo
36º A Última Ceia, de Marc Forster
37ºO Retorno, de Andrei Zvyagintsev
38º Três Enterros, de Tommy Lee Jones
39º Longe do Paraíso, Todd Haynes
40º Bastardos Inglórios, de Quentin Tarantino
41º Valsa com Bashir, de Ari Folman
42º Violência Gratuita (2008), de Michael Haneke
43º Fale com Ela, de Pedro Almodovar
44º Clean, de Olivier Assayas
45º Cinema Aspirinas e Urubus, de Marcelo Gomes
46º A Ferida, de Nicholas Klotz
47º Apenas um Beijo, de Ken Loach
48º Um Amor Jovem, de Ethan Hawke
49º Femme Fatale, de Brian de Palma
50º Os Outros, de Alejandro Amenabar
51º Maria, de Abel Ferrara
52º Aquele Querido Mês de Agosto, de Miguel Gomes
53º Luz Silenciosa, de Carlos Reygadas
54º Deixa Ela Entrar, de Thomas Alfredson
55º O Céu de Suely, de Karin Aïnouz
56º Lemming - Instinto Animal, de Dominik Moll
57º Os Infiltrados, de Martin Scorsese
58º Onde os Fracos Não Têm Vez, de Joel e Ethan Coen
59º O Tempo que Resta, de François Ozon
60º O Auto da Compadecida, de Guel Arraes
61º Flandres, de Bruno Dumont
62º Um Beijo Roubado, de Wong Kar-Wai
63º Elefante, de Gus Van Sant
64º A Inglesa e o Duque, de Eric Rohmer
65º A Alegria de Emma, de Sven Taddicken
66º Aproximação, de Amos Gitai
67º Por uma Vida Melhor, de Sam Mendes
68º Shrek, de Andrew Adamson e Vicky Jenson
69º Quatro Noites com Anna, de Jerzy Skolimowski
70º Ninguém Pode Saber, de Hirokazu Kore-eda
71º Desejo e Perigo, de Ang Lee
72º California Dreamin, de Cristian Nemescu
73º Lá, de Chantal Akerman
74º Volver, de Pedro Almodovar
75º Depois da Escola, de Antonio Campos
76º Go Go Tales, de Abel Ferrara
77º Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo, de Marcelo Gomes e Karin Aïnouz
78º Adaptação, de Spike Jonze
79º Tropa de Elite, de José Padilha
80º Stranded, de Gonzalo Arijon
81º O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel, de Peter Jackson
82º O Pianista, de Roman Polanski
83º O Filho da Noiva, de Juan José Campanella
84º Amantes, de James Gray
85º Star Wars III - A Vingança dos Sith, de George Lucas
86º Querô, de Carlos Cortêz
87º Pequena Miss Sunshine, de Jonathan Dayton e Valerie Faris
88º Pelos Meus Olhos, de Icíar Bollaín
89º Estrela Solitária, de Wim Wenders
90º Encontros e Desencontros, de Sophia Coppola
91º À Prova de Morte, de Quentin Tarantino
92º Hunger, de Steve Mcqueen
93º O Lutador, de Darren Aronofsky
94º O Segredo de Brokeback Mountain, de Ang Lee
95º Cúmplices, de Frédéric Mermoud
96º Não Por Acaso, de Philip Barcinski
97º Chicago, de Rob Marshall
98º O Senhor dos Anéis: As Duas Torres, de Peter Jackson
99ºO Jardineiro Fiel, de Fernando Meirelles
100º Narradores de Javé, Eliane Caffé

Beijo na Boca, Não!

| | Comments (0)

beijonabocanao.jpg

Pas Sur La Bouche (2003 - FRA)

Dono de um glamour discreto e uma classe aristocrática triunfal, o musical de Alain Resnais cultua-se principalmente pelo que há além da trama, sejam nos figurinos kitch, na sábia utilização de corres berrantes ou pastéis, e no domínio total de Resnais. A câmera passeia pelo hall da mansão (onde se passa a maior parte do filme) e nós embasbacados com os enquadramentos, com as escolhas de Resnais. Os diálogos cantados e a própria história pueril da esposa (Sabine Azema) com medo de que seu atual marido descubra que fora casada anteriormente (ela sempre escondeu esse pequeno detalhe em sua vida), agora que seu primeiro marido está prestes a assinar contrato com seu atual conjuge. Além de outros desenlaces amorosos ocorrendo nos contornos daquela casa, não maravilham tanto quanto a perfeição da condução de Resnais. Bonita homenagem aos musicais das décadas de 40 e 50, sempre pontuados por divertidas confusões e um troca-troca de personagens até que no final tudo aprume-se de maneira feliz, besteirinha divertida para nos tirar um sorrisinho quase amarelo.

Up - Altas Aventuras

| | Comments (0)

upaltasaventuras.jpg

Up (2009 - EUA)

Que a Pixar é genial todo mundo sabe, seus filmes cada vez mais exprimem sentimentos adultos em corpos de filmes para crianças e seu segredo principal é unificar os dois públicos num único filme. Só que Up sofre da mesma síndrome que Wall-E, os trinta minutos iniciais geniais, carregados de emoções que incrivelmente estão expressadas muito mais em imagens do que em palavras, e o restante do filme gasto em aventuras exageradamente infantis. Mudam-se cenários e personagens, repete-se a fórmula, a história do velhinho realizando o sonho de sua eterna amada (a mesma do filme alemão Hanami) e levando sua casa à América do Sul controlando balões é sublime até que o mau-humor do velhote encontra um escoteiro atrapalhado e alguns animais para se aventurarem com eles onde encontram até um vilão para a trama ficar recheada de mais "emoção". Novamente trinta minutos de se encher os olhos e uma hora a seguir de pura decepção.

naominhafilhavocenaoiradancar.jpg

Non ma fille, tu n'iras pas danser / Making Plans for Lena (2009 - FRA)

Lena (Chiara Mastroianni) vive sob o sufoco familiar, praticamente enclausurada nas relações e questionamentos, um autosufocamento por sua incapacidade de se impor, seu comportamento intempestivo guarda uma mulher influenciada, infeliz e recriminada por suas escolhas. Ela já possui altas doses de desequilíbrio e depressão e com toda a pressão e controle de pais, irmãos e filhos, Lena beira a crise neurótica após a recém separação do marido (pai de seus filhos). Christophe Honoré segue seu caminho pelas relações familiares, pelos conflitos, sua linguagem fugindo do universo adolescente demonstra-se desequilibrada igual a sua protagonista. Os chiliques tomam lugar de diálogos e discussões mais enriquecedoras, o comportamento intempestivo justifica a impossibilidade de um desenvolvimento do roteiro mais robusto, Lena chega a irritar causando a identificação oposta ao que provavelmente Honoré buscava no público, no fundo seus personagens seguem agindo como adolescentes, os problemas amadureceram, a forma de encará-los não. E Louis Garrel já nem se esforça para sair do mesmo papel que vem atuando nessa parceria com Honoré, o piloto-automático deve estar travado.



v e r b e a t b l o g s

Michel Simões

  • 31 anos, cinéfilo, teimoso, assiste 200 filmes por ano e acredita ter uma vida quase normal.

    E-mail

    assine o feedFeed RSS