
Oscar e Coldplay
Como não poderia ser diferente, o assunto é Oscar. E neste ano de 2010, por mais que as indicações fossem pulverizadas em 10 filmes (um pior que o outro na grande maioria dos que ocuparam as vagas infladas), você tinha que optar por um partido. PT ou PSDB, não, Avatar ou Guerra ao Terror (sem querer fazer qualquer associação a direita ou esquerda como alguns da imprensa fizeram, muito menos a "cinema comercial" x "cinema autoral/independente"). Ou você vislumbrava-se pelo 3D e todo o poderio técnico de efeitos especiais (de um filme clichê que apenas repagina outros filmes de imenso sucesso), ou escolheria algo mais tangível e ainda vivo (como a ocupação americana no Iraque que parece não ter mais fim). O que fez a academia é simples, eles são reis em reconsiderar, em compensar, e outros equívocos que jamais premiam os reais merecedores dos prêmios; por isso optaram pelo bom filme Guerra ao Terror, que sim é muito superior a Avatar, só que a premiação soa muito mais como escolhemos-o-filme-que-vai -representar-a-Guerra-no-Iraque. Assim a Academia fecha uma história que começou lá no governo Bush, quando da invasão que foi repudia em massa por atores e demais participantes da industria cinematográfica, todos mostraram-se amplamente contrários à invasão, e agora no tempo de Obama é hora de eleger o nosso filme, nosso símbolo. Isso talvez vá representar uma diminuição na quantidade de filmes do tema (o que é ótima notícia já que houve alguns filmes simplesmente terríveis, vide o do Paul Haggis), ainda assim injusta já que também houve filmes melhores e de cara Redacted de Brian de Palma brilha como o grande filme da Guerra do Iraque. Privilegiando um filme melhor que o arrasa-quarteirão rei absoluto das bilheterias a Academia mostra que se vende a muitas coisas, mas não às estatísticas de bilheteria, se não seria fácil e todo ano davam o Oscar ao campeão de bilheteria.
O que eles não conseguem é realmente premiar o melhor filme, dessa vez foi Bastardos Inglórios e seu diretor Quentin Tarantino os injustiçados. Tudo bem, enquanto muitos daqueles filmes serão completamente esquecidos da memória, o filme de Tarantino será mais um inesquecível que você assiste quantas e quantas vezes estiver na TV. De muito representativo a vitória de Bigelow em direção, quebrando assim o tabu, abrindo espaço para que os melhores sejam escolhidos daqui em diante, seja qual for o sexo. Sua carreira sempre à margem da grande indústria coloca agora seu nome numa linha de frente. A categoria que mais me interessa é de Filme Estrangeiro, e nessa concorriam, por exemplo, o filme que mais aguardo este ano (O Profeta), um dos meus cineastas preferidos (Michael Haneke), e o filme que me encantou e torci por sua vitória (o incrível O Segredos dos Seus Olhos), que se faça justiça ao ótimo cinema argentino.
Fugindo um pouco da polêmica Avatar x Guerra ao Terror, o que era aquela cara de mau-humor do George Clooney, que coisa estranha. E o esquecimento de Farrah Fawcett nos que se foram no último ano. Pelo menos foi digna a homenagem a John Hughes, diretor que marcou minha geração, que nos prendeu muitas tardes em casa sorrindo e nos identificando com personagens complexos, inteligentes e perfeitos sinônimos da década de 80. A festa ficou melhor sem música, ganhou seu momento Domingão do Faustão com aqueles depoimentos desnecessários aos atores e atrizes indicados (tinha gente lá que não tinha o que dizer), e por fim premiaram a dupla de atores que cabe perfeitamente no perfil Oscar de homenagem com um prêmio gente que eles acreditam que nunca terá outra chance de indicação (mas isso só o tempo dirá).
Antes do Oscar teve no Morumbi o show do Coldplay, primeiro que bagunça para entrar, a banda cantando seus hits e ainda havia uma fila enorme do lado de fora (não sei como a produção não se atenta a esse tipo de coisa, quer dizer sei sim, eles não tem a capacidade de tirar do caminho onde irão cruzar mais de 40 mil pessoas um monte de catracas, imagina se atentar na fila e atrasar alguns minutinhos do show). Com isso entrei na pista no meio de Yellow, e aquele visual amarelo e a energia da música trouxeram uma excitação que não durou muito tempo. O som muito baixo, mas tão baixo que chegou-se a ouvir muitas vaias do pessoal da arquibancada que não conseguia ouvir. Algumas das músicas do disco novo não empolgam, Coldplay tem um quê de Radiohead em algumas canções, mas sempre fica no quê e a banda também não parece cativar o público resultando num show comportadinha que dava p/ curtir sentado mesmo (exceção é claro a Viva La Vida quando Chris Martin levantou o Morumbi e arremessou-se ao chão nas últimas frases), outro grande momento foi Shiver acústico (sorte minha que estava bem perto do palquinho, deu para aproveitar bem), a chuva de borboletas coloridas em Lovers in Japan criou uma linda atmosfera mas quando tocou The Scientist é que Coldplay mostrou q eu veio. Gente emocionada, uma canção embalado a multidão, um momento inesquecível que fez tremer muita gente, e cada frase na voz triste de Chris Martin parecia doer no fundo da alma "Nobody said it was easy / It's such a shame for us to part "