
Fargo (1996 - EUA)
Os irmãos Coen levam até as últimas conseqüências uma decisão errada, e o buraco negro parece não ter fim depois que Jerry Lundegaard (William H. Macy) coloca em prática a genial idéia de sequestrar sua esposa para arrancar do sogro o dinheiro do resgate. Tudo planejado de maneira tão certinha quanto amadora que só um loser como ele seria capaz. Mas o filme dos Coen não está exatamente sustentando nessa esfera, a história transcorre com o humor negro e sempre gélida e por vezes desprezível visão dos cineastas.
A riqueza de Fargo está nas entrelinhas, na caracterização esplendida dos tipos interioranos dos EUA, nos milhões de "Yeahh" que os personagens repetem, na vida pacata evidenciada a cada cena (por mais que o segundo anterior tenha sido aterrorizante como se nada abalasse a tranqüilidade da rotina de cada um deles). Nesse contexto a figura chave é a delegada (Frances McDormand) e toda o universo à sua volta, seus parceiros, seu marido, o antigo colega de escola, com esse punhado de personagens os Coen fazem de seu humor negro um poderoso retrato dos rincões de um país despreocupado com o que estiver à margem de suas mesquinhas vidinhas. De resto, toda a violência bizarra e sanguinolenta, os personagens esquisitões e asquerosos, farão parte do universo que os diretores criam a cada filme.








