se todos os caminhos levam à ela, eu demorei três anos pra chegar... verdade que, de roma, tem traços um pouco por tudo. onde eu moro, em clermont, no meio do « nada » francês, temos um templo romano - dedicado à mercúrio, situado nada menos que no topo do vulcão, ponto culminante do massif central, o puy-de-dôme, à 1.492 metros de altitude.
roma, de longe, parece a cidade dos clichês, talvez a que mais se aproxime de paris nesse particular : qualquer um conhece, desde que nasceu - ou antes, a torre eiffeil, o coliseu, a notre dâme, a fontana di trevi...e hoje eu não sei dizer porque afinal eu demorei tanto tempo pra chegar em uma cidade onde a expressão francesa la folie de grandeur encontra todo seu eco. eu me refiro à folie de grandeur do império, que é dois mil anos depois ainda visível e impressionante. como eu já disse, já é impressionante encontrar vestígios de templos, residências, aquedutos, arenas desde a andaluzia até o beau milieu de paris, passando pelo topo do puy de dôme... mas roma é de fato fora do comum.
enfim, estar sur place foi um acontecimento. nec plus ultra : chorar no ombro de alguém-amor simplesmente por chegar à fontana de trevi...!!
em roma : todos os cartões postais, recomendo. a exceção da boca de la veritá, arnaque.
no vaticano : subir na cúpula - tendo sorte, uma missa meio íntima começa quando você estiver lá em cima, pra ouvir melodia solene como poucas. depois, uma vista de roma inlassable. o museu do vaticano, nota, é um acervo que inclui até obras de arte - que ninguém nobody personne pára pra ver - kandinski, rubens, bacon, modigliani, chagall, botero.... todos vão direto e sem escalas à capela sistina. ok, mas eu fiquei bege quand même.
eleitos tira-gosto romano : gelatto (azar do inverno, aliás pegamos de 7 à 15°c e sol de brigadeiro todo tempo na itália, o que é uma primavera pros « meus » parâmetros franceses), ou e ainda o canolo siciliano - o tradicional, de ricota, o doce que matou o padrinho da irmã do michel... ohlalah no 'poderoso chefão3' - quando eu vi essa cena, nunca sabia que doce era aquele, mas tinha jeito de ser um puta acepipe... e é. o aperitivo : limoncello. a boemia : o bairro do trastevere, cool. nota dramática: o trânsito... dio mio! (ainda que, quase civilizado, perto do napolitano... onde, entre as lambretas, os 500centos, os guris jogando bola, os napolitanos em general... tudo em ruas estreitas como o corredor da casa da sua vó, a gente nunca sabe onde se meter... se meter... nem o que virá por diante...!!)
. homem no escuro - paul auster
. rio dos bons sinais - nelson saúte
. pérolas dão azar - raymond chandler
. venenos de deus, remédios do diabo - mia couto
. murder ballads - jorge rocha
. a estrada - cormac mccarthy
. junky - william burroughs
. os maias - eça de queiros
. alexis et le coup de grâce - marguerite yourcenar
. o outro pé da sereia - mia couto
. printemps et autres saisons - jean marie gustave le clézio
. l'invention de la solitude - paul auster
. leite derramado - chico buarque
. a viagem do elefante - josé saramago
. a dócil & sonho de um homem ridículo - fiodor dostoievski
. l'écume des jours - boris vian
. paris não tem fim - henrique villa-matas (a maior fria gelada do ano)
. as filhas do segundo sexo - paulo francis
. o amor nos tempos do cólera - gabriel garcia marquez
. a cidade e as serras - eça de queiros
. la peste - albert camus
. o mandarim - eça de queiros
. nana - émile zola
. l'adversaire - emannuel carrère
. la nuit sexuelle - pascal quignard
. o segundo tempo - michel laub (a boa excelente surpresa do ano)
o clip novo da pata (de elefante) vi faz uns dias e adorei tanto e nem falo nada porque eu acho tão evidente que eu certamente fui a última a assistir mas foi tão tão bom rever porto alegre, o sol, o brique, o meu bairro, o querido amigo gustavo prego telles e o som - voilà que eles têm o prêmio da mtv porque eles são a melhor banda instrumental de 170 milhões em ação quiçá mui ailleurs... donc, ils sont à vous!
mas escrevendo a µ#*£@&§ da tese... e como bem disse clint dia desses...
"quem disse que se tratava de uma brincadeira?"
encontrei com ele, o bom, em lyon.
dommage, ele era de papel... quoique imenso... e ele era muitos... (*)
eram os cartazes do ciclo sergio leone (olha ele ai...!!) na fundação lumière (oui, os irmãos que inventaram o cinematografo dão nome ao lugar).






























