o revival dos anos 80 parece que finalmente vai chegando ao fim, e uma das poucas bandas suportáveis brilhantes a habitar aquele espaço-tempo não voltou, não fez revival, não fez grana, nada -- a não ser um único show comemorativo de 20 anos em sua cidade natal, Reyjkavik, em 2006. e nem DVD virou, pra poder dar um conferes atualizado. se o leitor não é superjovem (não temos leitores superjovens neste blog), já localizou: sim, Sykurmolarnir -- ou SUGARCUBES, a ultralternativa banda de rock que entregou allmighty Björk. nesse momento entra o clichê "tanta porcaria por aí e os bons nada etc" e se Björk continua viva, gravando e cada vez mais avant-garde, é coisa bem diferente ouvi-la cantando rock/pop ora alegre, ora denso, e implacavelmente criativo.
vídeo SENSA & obscuro de 1989
o Sugarcubes ainda é o grupo de maior sucesso internacional da Islândia, apesar de algum esforço por parte do Sigur Rós. a origem tem um quê de Seattle 1990: todo mundo se conhecida, todo mundo tinha uma banda, cena pequena e o Sugarcubes acabou surgindo como que espontaneamente. na sonoridade também foi soma: o post-punk sombrio do Kukl, precedente, ganhou mais humor e nonsense; e um bom senso pop, que levou algumas faixas às paradas indie dos EUA e UK. e durou pouco: seis anos, três discos. o fim chegou com ciumeira pelo destaque (justificado) para Björk, e também pelas loucas aventuras amorosas entre os integrantes. o allmusicguide, inclusive, tem uma descrição digna de saga nórdica-pythoniana adaptada ao momentum oitentista, ou:
"By the time the group recorded its second album, Thor had divorced Björk and married Magga Ornolfsdottir, who became the group's keyboardist after Einar Mellax left. Furthermore, Olafesson divorced his wife -- who happened to be the twin sister of Baldursson's wife -- and married Benediktsson, making their union the first openly gay marriage in pop music." amg
apesar de gostar muito dos primeiros trabalhos da Björk, que ouvi até enjoar, hoje escuto mais o Gling-Gló -- que ela gravou com um trio de jazz -- do que qualquer outro de sua carreira solo. e os três do Sugarcubes; únicos como tudo que ela realiza, e com boa dose de demência. mas aí fico com vontade de vê-la cantando rock nos dias de hoje.
se voltasse, ATROPELAVA qualquer uma pelo caminho.
• sugarcubes /wiki • /videos playlist •
Olá. Essa será, salvo catástrofe, a lista mais pop que você verá aqui no Impop em qualquer tempo. E ela não tem como ser diferente. É preciso trabalhar com a massa quando se trabalha para a massa. O que não significa qualquer tipo de perda, existe algo ali naquele emaranhado de acordes viciados e rimas ordinárias implorando para ser encontrado.
Bom, se existe, em 2009 eu não encontrei. Sequer fui capaz de elencar 10 discos que foram ouvidos, de fio a pavio, durante o ano. Mas os que aqui estão, garanto, ficaram rodando por um longo tempo, ininterruptamente, em pelo menos três dispositivos diferentes, da data do seu lançamento até poucos dias atrás. Alguns continuam. Outros voltam de vez em quando. Mas todos, sem exceção, merecem ser ouvidos.
Ah, sim, não existem ordem. Se puder, baixem/comprem todos, compactem num único arquivo e coloquem no random. Há um exigente condutor ali. Chama-se qualidade. Confiem. As faixas indicadas são as melhores na minha opinião. Mas há outras.
Abaixo, um sampler com todos. A seguir, um a um. Escolha e vá.
1. Years of Refusal - Morrissey
Aos 50, a prima donna do pós-punk lançou o disco mais pesado, ácido e bonito que qualquer semanário palha inglês conseguiu colocar em sua capa este ano.
2. Préliminaires - Iggy Pop
Saber envelhecer é uma arte dentro do rock mainstream. E o último disco solo de James Osterberg faz esquecer que ele continua fazendo cover de si mesmo com os Stooges para ganhar dinheiro.
3. Coaster - NoFX
Punk rockers californianos quarentões fazendo barulho como garotos de 20. Decadência? Não quando você canta sobre o dia em que seus pais morreram de verdade e a festa (quase) terminou. Fat Mike, obrigado por continuar a ser o porta-voz da minha adolescência tardia.
4. Demo com bônus elegante - Maria Elvira e os Suprassumos do Suíngue
O combo mais divertido que ouvi este ano em Porto Alegre. Vocalista bonita, versátil e afinada, banda pesando a mão num hardblues, clima de bar junkie. Tem só quatro músicas gravadas, as quatro que mais ouvi esse ano. Talvez vire o ano com elas. Talvez não tenha escolha.
5. Sing Along Songs for the Damned and Delirious - Diablo Swing Orchestra
A única banda que mistura coisas que realmente interessam e dá certo. O primeiro disco está disponível para ser baixado, na íntegra, de graça e legalmente. Este, o segundo, é uma evolução natural. Mais dançante, mais experimental e muito mais divertido. Falei deles aqui.
6. World Painted Blood - Slayer
Não sou da praia do thrash metal, mas WPB fechou o ano me fazendo mudar de ideia. Tiagón explicar com muito mais propriedade aqui, já que sua lista também o inclui. A minha preferida:
7. Kitchen Door - Gru
Conheço muito pouco do pop gaúcho. E do que conheço, não gosto. Mas Gabi Lima acerta quando não dá a mínima para sua Pelotas natal e mistura influências que a colocariam facilmente para tocar num comercial de celular moderninho. Enquanto isso não acontece, baixe aqui o disco inteiro.
disclaimer: esta é uma lista que DESTOARÁ das demais. é por sua conta e risco -- mas é também para o seu máximo deleite.
bueno.
"druida do folk" ou "Áldur" são epítetos que me acompanham e foram cunhados pelos comparsas que compartilham comigo a ÁRDUA, porém PRAZEIROSA, tarefa de listar aqui os melhores discos ouvidos durante este 2009 que se encerra, que se arrasta. de modo que ficam alertados sobre o conteúdo da MESMA.
não há uma ordem lógica. não sou bom com ordenações. procurei ir variando os estilos e, penso, construí uma listagem ESQUISITA o suficiente pra fazer jus aos apelidos que me perseguem. (não esperem muita racionalidade nos motivos.)
não tem sampler com vídeo porque, bom, em alguns casos não se acham exemplos dos artistas com a qualidade necessária.
portanto, sem mais DELONGAS, ei-la: FOLK AWARD 2009 - ÁLDUR IMPROBABILIDADES MUSICAIS TOP NINE
~ all your gardening needs - arranco #ambient 
os dois trabalhos do tiagón mereciam destaque nessa minha lista. fiquei com o ainda em "fase de testes" arranco porque este disco me surpreendeu e me emocionou. foi surpresa porque é "música-silêncio" que me pegou pelo estômago. escrevi sobre as sensações outro dia.
é trabalho cuidadoso. all your gardening needs é ir buscar os sons do cotidiano e transformar em música: de vendedor de batata-doce japonês a cantos das florestas tropicais de Myanmar e gotas de chuva caindo no meio do chão seco. um disco de poesias e paisagens imensas. "música e poesia geográficas" -- é o que tem lá dentro.
faixa na mixtape: brotas de macaúbas
~ Balmorhea - All Is Wild, All Is Silent #post-rock #ambient 
Balmorhea é post-rock com banjo. ponto. tem outras cordas (violoncelo, baixo, violino), mas o que eu ouço é sempre o improvável banjo compondo nessas músicas que são meu alívio imediato.
nesse disco tem mais piano e menos banjo. e piano tem essa capacidade de abrir espaço pra música vir atrás te destruindo. é destruição maneira, parece confortável e carinho, mas. tem um mundo inteiro pesando ali, porque um nome desses não tá à toa.
lindo, lindo disco.
faixa na mixtape: Remembrance
~ Lhasa - Lhasa #folk #new weird america 
quando eu conheci a Lhasa, cujo nome de batismo é Lhasa de Sela, não fui capaz de entender a música que saía dos fones. fiquei anos e anos com o primeiro álbum dela, La llorona, de 1998, parado no HD.
mas a vida gira.
a moça é a confusão dos lugares por onde passou: nasceu nos Estados Unidos, morou no México, na França e hoje está no Canadá, em Montréal. a música que ela faz, então, é uma mistura de influências do folclore mexicano (as letras lembram as composições típicas da música ranchera) com folk norte-americano e canadense (e daí o arrastado da voz, esse violão intermitente, percussão pesada, quase triste).
Lhasa é um disco diferente dos dois anteriores. a influência latina não está óbvia ali, parece que ela se fechou mais no Canadá que a envolve dessa vez. as letras falam bastante sobre escuridão, o amor que se perde, a vida que fica mais distante. não é um disco pra ouvir e sair dançando, isso é certo. mesmo por isso, talvez, seja tão arrebatador.
faixa na mixtape: Fool's Gold
~ HAYA [哈雅乐团] - 寂静的天空 (Silent Sky) #worldmusic 
o grupo 哈雅乐团 (HAYA, "margem") é formado por mongóis étnicos que vivem na região autônoma da Mongólia Interior, na China. saber muito mais do que isso é bastante difícil, quase impossível. a música que fazem tem traços da tradição mongol (especialmente na maneira como cantam) e influências chinesas e ocidentais.
em alguns momentos é possível dizer que fazem um "post-rock mongol", tocado com instrumentos chineses. as músicas são abertas, arejadas -- de um lirismo único, eu aposto (porque, entender, mesmo, não dá) -- com a vocalista Zhang Quansheng (张全胜) e sua voz de veludo ajudando bastante.
são canções de ninar em chinês entoadas no meio do deserto de Gobi. go figure.
faixa na mixtape: 雪山 (Snow Mountain)
~ SOIL & "PIMP" Sessions - 6 #jazz 
maior descoberta do ano. quando eu precisei de um grau considerável de DEMÊNCIA ao longo do ano, foi nesse disco que encontrei. japoneses têm disso. se meteram a fazer -- e fazem MELHOR que qualquer outro -- uma banda de "death jazz" que ultrapassa limites, com um náipe de metais destruidor, todo swing que você NÃO imagina num nipônico e que, pra ACABAR, tem um AGITADOR como band leader. I rest my case.
está na lista e estará sempre que discos novos aparecerem.
faixa na mixtape: KEIZOKU
~ Cesária Évora - Nha sentimento #worldmusic #morna 
dona Cesária Évora tem uma imponência que eu admiro. não deve em absolutamente nada às grandes divas que você quiser listar. eu teria muito orgulho se meu país fosse conhecido ao redor do mundo através da figura desta senhora. Cabo Verde deve ser um lugar improvável, cravado no alto de vulcões no meio do Atlântico, logo às portas da África, quente e solitário.
as pessoas de lá falam um idioma creole derivado do português -- durante séculos a língua de seus colonizadores -- quase ininteligível. a cadência da língua, a percussão leve da morna e da coladeira (os ritmos representados pela música da "diva dos pés descalços") dão uma impressão de que Cabo Verde fica ali no Caribe, entre palmeiras e praias azul-turquesas. mas é só reparar, com alguma atenção, nas letras e na seriedade com que dona Cesária canta as histórias cotidianas de seu país pra entender que não é bem assim.
o disco lançado em 2009, Nha sentimento, com composições dela própria e de outros cabo-verdeanos, é a prova de que este arquipélago caminha entre a alegria da música e a história de expropriações muito semelhantes à nossa própria. este eco que existe entre o que eu sinto e o que eles transmitem é o grande trunfo da música desta senhora admirável.
grande perda não ter ido assistir seu show na Virada Cultural do ano passado.
faixa na mixtape: Serpentina
~ IANVA - Italia: Ultimo atto #darkfolk 
o IANVA é soturno. intercala nas suas músicas gravações de transmissões de rádio da Itália durante a Segunda Guerra Mundial. tem até trechos de discursos do Mussolini. é uma composição entre a ATMOSFERA daqueles dias com letras críticas, irônicas ao sentimento que se apoderou dos italianos. tudo isso empurrado por uma mistura de influências do folclore no norte da península.
tem bombardeio, Pasolini e canção tradicional italiana. tem voz de moça e chiado de rádio explodido.
é um grande "disco histórico".
faixa na mixtape: Galleria delle grazie
~ Magnolia Electric Co. - Josephine #americana #alt-country 
Jason Molina é um cara de várias bandas. esta, Magnolia Electric Co., toca com mais seis músicos. a Songs: Ohia (outra favorita da casa, mas que não lançou disco em 2009, damn) leva sozinho.
tocam americana, alt-country, bem pouco "alternative" às vezes. tanto lá, na Songs: Ohia, quanto cá este moço consegue essas notas que escorrem entre linhas de baixo bem encaixadinhas (como seria de esperar de música country). a voz dele é o ponto mais forte da história toda: típica. imagino que todos os norte-americanos passando o KENTUCKY falem como ele -- ou cantem como ele, pra ficar na ideia.
não é o melhor trabalho da banda, que em 2007 me saiu com um disco QUÁDRUPLO, Sojouner, que é uma obra-prima. e mesmo quando solito, no Songs: Ohia, meu deleite é maior. no entanto, Josephine não foge à regra de qualidade e cuidado de todos os outros.
esta é outra banda que vai sempre estar nas minhas listas, sempre que lançar disco novo. ou enquanto o impop durar.
faixa na mixtape: Josephine
~ Lisandro Aristimuño - Las crónicas del viento #folk #argento 
acho que o grande atrativo do Lisandro Aristimuño é a maneira como canta -- aqui e ali alguns silêncios: a música não precisa de voz o tempo todo. e eu arrisco dizer que ele acerta nessa escolha. isso até o último disco, no entanto. neste Las crónicas del viento alguma coisa mudou e Lisandro parece mais alegre. nos outros discos ele parecia estar com a navalha a poucos centímetros do pulso (o que me incomodava bastante), neste é outro cantor.
grande disco (duplo) que entrou na reta final da escolha.
faixa da mixtape: Cosas de un soñador
pois foi.
se quer tentar, eis a mixtape.
é favor (a si) não perder a continuação do DESFILE. ainda por vir: Renna Mero e Mano Briga -- tio Berê já foi, você sabe.
êra 2010.
durante os próximos dias o amigo leitor, ou você aí mesmo, estará vendo AQUI no impop, com exclusividade, não apenas UMA lista com os melhores álbuns de 2009 -- ligando agora você recebe quatro, eu disse QUATRO listas de melhores álbuns de 2009, além de um conjunto de espátulas de borracha, um jogo de xícaras para cozinhar e um objeto brilhante. e telefonando agora AGORA você recebe adiantado, inteiramente de graça, a primeira das quatro, eu disse QUATRO listas de melhores álbuns de 2009, senão, behold:
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10 Big Business: Mind The Drift #rock/stoner #usa
tem algo que me incomoda há muito no Big Business e eu não sei bem o que é -- provavelmente o vocal, meio forçado, meio sem jeito. escutei Mind the Drift a primeira vez achando que seria a única, mas me vi querendo ouvir o refrão de Gold and Final de novo, e escutei o disco todo outra vez. no outro dia deu saudades da linha de guitarra no início de Cats, Mice e nesse mesmo dia à tarde fiquei com Ayes Have It no repeat depois alternando com Cold Lunch e desde então já são quase 30 giros: sim, isso vicia.
é uma banda que pode ser alinhada ao Torche não apenas na gravadora (crias da Hydra Head): são ambas um trio e fazem essa mesma espécie de doom rock, vivendo uma dualidade de ser pop-FM em determinados momentos e sludge doom no outro. muitas vezes na mesma faixa. se olhamos para a genealogia da banda, nenhuma surpresa: o Big Business é formado pela cozinha do Melvins, verdadeiro pilar dos releases anárquicos e da inclassificação esquizofrênica. e como é sabido, que cozinha: Coady Williams é um monstro baterista, preciso e criativo, e Jared Warren -- que também fica no vocal -- comanda todas as distorções (principal fator sludge da banda) num baixo com overdrive duplo. o terceiro integrante, Toshi Kasai, foi a adição recente deste disco, e com vantagens: quando não toma a frente da música com linhas limpas e grudentas, cria texturas como grafitti sobre o muro de cimento que os outros integrantes constroem.NEM QUERIA, mas não pude evitar que Mind the Drift aparecesse nessa lista. nem todas as faixas são tão boas, mas é um trabalho novo e único; e estranhamente viciante.
ponto forte: tem bateria sobrando pra dois discos aqui, quase desperdício
ponto fraco: o vocal não convence
09 Helcaraxë: Broadsword #black/death metal #usa
eu já dava o ano como fraco para o death metal quando surgiram, na finaleira, um par de discos nada menos que fantásticos. ambos vieram como que do nada; bandas que eu não conhecia, e despedaçaram por completo minha existência com um death híbrido, pesado e com alto grau de memorabilidade nas composições.
os gringos da Helcaraxë são a primeira delas. Em Broadsword, a um death de temática viking soma-se velocidade e rasp backing vocals de black metal, e uma boa porção de técnica nas guitarras e no baixo: impiedosamente rápido, grave e distorcido, vai debulhando tudo por onde passa. algumas faixas são bastante curtas e diretas, como a powerhouse "The Iron Shield"; já "Eye of Fire", que evoca um Gojira do mal, bate nos 6'. são 11 faixas em 35 minutos, mas parece menos; é um disco que, embora massivo no instrumental, passa rápido -- por interessante, bem escrito. o que me leva ao início desse texto: discos de death metal saíram aos montes esse ano, mas todos compostos naquele mesma velha fórmula -- ou pior, entregues ao deathcore pula-pula azedo e sem graça. bandas de death criativas tem espaço sobrando na cena. passinho a frente por favor. ou como o Helcaraxë, patrolem o caminho.
ponto forte: refrões épicos em death growl
ponto fraco: a voz ficou baixa no mix, apesar da boa produção
08 Memory Driven: Relative Obscurity #doom metal #usa
eu sou fã de Place of Skulls, e quando descobri que o guitarrista Dennis Cornelius montou uma nova banda, fui correndo encontrar os riffs iômmicos com cobertura de fuzz e licks viciantes do inferno.para minha surpresa, eles estavam lá!
Relative Obscurity, estreia do Memory Driven, é um disco todo em torno das guitarras, naquela linha 60's melodies de Crowbar, afinação baixa, encharcadas de resina stoner. não as mais originais do mundo, mas grudentas, das que provocam o efeito "catar as letras na internet" no mesmo instante. o clima doom é fornecido mais pela melancolia, nas harmônicas e na temática, do que por sombrio (escute "Forever Lasting Sadness" e entenda). o vocal é limpo e segura bem as inflexões, apesar de faltar alguma pegada. se nem tudo é perfeito, fato é que se trata de um grande álbum de estreia: deliciosamente fácil de ouvir e espalhando carisma de seis cordas a rodo.
ponto forte: as linhas melódicas
ponto fraco: os intervalos de efeitinhos sintetizados space-prog entre uma faixa e outra -- fica bacana na primeira vez, mas depois acaba se tornando chato, atravancando as canções.
07 Slayer: World Painted Blood #thrash metal #usa
Slayer. SLAYER. VELHO SLAYER. Slayer tipo "Seasons in the Undisputted Intervention". SLAYER. o único remanescente com dignidade do Big Four of Thrash. Slayer. DAVE F*ING LOMBARDO. porrada na orelha. riffs de Hannemann. o vocal de Araya. DAVE LOMBARDO. Slayer. velho Slayer de guerra, cansado, careca e com uma postura meio mainstream/palha demais, mas ei --
Slayer.
ponto forte: SLAYER FUCKING LOMBARDO
ponto fraco: o mix "fininho" pra emular old-school oitentista.
06 Serpent Throne: The Battle of Old Crow #stoner/metal #usa
"Picture this: say there was a heavy rock festival in like '72 where Black Sabbath, Wishbone Ash, the Scorpions, Budgie, and like Cactus are supposed to play, but then, due to a series of plane crashes and natural disasters, only 1 surviving member from each band can make it. In order to calm down the crowd of heavy rockers, Iommi grabs a couple dudes from the other bands and puts together an emergency band. And then Uli Roth says, "We don't need a singer because he'll just get in the way of the riffs." I think that's what Serpent Throne is aiming for. Whether we get there or not is another story, but we'll drink some beer and rip some guitar harmonies along the way."
com uma autodescrição dessas, só faltava tocar pouco pra ser vitória completa. ms hooray: os caras do Serpent Throne não só tocam bem como escrevem, com notas musicais, exatamente o que se propõem: tio Iommi saindo pra fazer jam com a turma. pense em Iommi tocando no Nebula, e mandando o vocalista fazer sanduíches. pense em kits mínimos, simples, espartanos de instrumentos; pense em trilha para road movies, pense em botecos com palco em cima de engradado de cerveja, no amor louco dos anos 70. ponha o disco pra tocar de novo.
ponto forte: o entrosamento e a coesão dos músicos
ponto fraco: melhor, só se esses caras tivessem um vocalista.
05 Impious: Death Domination #death/thrash metal #swe
1. volte ao primeiro parágrafo sobre o Helcaraxë.2. aqui: old school of swedish death metal + kill go fast kill faster kill! não tão técnico como Gorod ou Neuraxis, nem tão inovador como Withered: porém mais agressivo, com grandes doses adicionais de brutalidade. não existem faixas de tempo médio, que seja, em Death Domination: é tudo downhill, e com lâminas. todo o disco é uma grande massa de destruição. já veteranos, patinando na Metal Blade sem conseguir destaque, desta vez conquistaram o direito à jogar na primeira linha.
enfim o Impious faz jus ao nome. com bravura e louvor.
ponto forte: maior rage container do ano. listen up and unwind!
ponto fraco: "We're not trying to be original or something", disse o guitarrista. bueno, deu certo.
04 Om: God is Good #doom/stoner/psych #usa
se me vendessem, eu ia dizer que é picaretagem. capa de anjinho, banda com nome hare buda krishna e disco de título gospel??!?
intervalo. era uma vez uma banda de doom metal chamada Sleep. ela viveu curtamente, influenciou toda sua geração mais a posterior, e morreu. dessa partida, dividiu-se em duas: de um lado, High on Fire; do outro, Om. a primeira levou a sala e os eletrônicos. a segunda ficou com a cozinha. as duas seguem únicas.a Om de Al Cisneros (voz/baixo) é uma das bandas mais verdadeiras que se pode ouvir: nada além de um duo, baixo e bateria -- hoje aos cuidados do Grails Emil Amos, já que Chris Haklus largou o futebol (e o drum kit). Cisneros tem duas variações para seu baixo: a) sem distorção e b) cortando rocha. no vocal, entrega um mix de budismo, ásia menor, religiosidade, bíblia e espiritualismo; muitas de suas faixas parecem verdadeiramente mantras, com voz leve, pouco modulada, riffs hipnóticos de baixo e tempo sub-doom: lento como um camelo sem pressa, mas isso não significa que seja inofensivo.
já há alguns anos que a Om vem no meu panteão de bandas preferidas: é uma espécie de equivalente do rock para o ambient. em God Is Good estão as marcas registradas da banda (inclusive a longa duração de algumas faixas: Thebes bate os 19 minutos), e mais: além da bateria ter ficado mais esperta e presente (e se ouve com perfeição cada tom e cada prato), há passagens de tambura e de flauta, acentuando a aura oriental. se o ambient é esparso, a Om é densa, embora sem peso; é uma música que tem presença e embala, com sua aparente simplicidade. e vai ficando como um hábito, e se perpetuando.
ponto forte: o baterista do Grails foi uma grande contratação
ponto fraco: dura apenas 34 minutos :(
03 SOIL & "PIMP" Sessions: 6 #jazz #jap
o marketing do Soil & "Pimp" Sessions é o de "death jazz": jazz com energia e agressividade de metal. é um exagero, certamente, mas nem tanto: imagine um clube de swing (de jazz, não o de -- ou será que a metáfora funciona igual, hm) repleto de energético, amendoim e japoneses tocando numa big band que não pode desacelerar senão o ônibus explode. (imaginou? eu fiquei pensando no ônibus atropelando todo mundo na pista, dando zerinho.)
(o que não deixa de funcionar, também.)em alguns momentos é um hard bop inflamado; noutros sobra soul, inclusive numa versão de "Papa's Got a Brand New Bag", de James Brown. e há muitos grooves latinos e riffs de metais que parecem regidos por Hermeto Paschoal. mas apesar das referências, tudo no Soil & "Pimp" Sessions grita NOVO/NUEVO -- o grupo faz parte de uma novíssima geração de jazz combos que estão infestando os clubs do Japão, tomando o lugar da dance music naquelas pistas e, de quebra, revitalizando este respeitável senhor chamado Jazz.
sem dúvida a maior descoberta do ano, e tenho a sensação de que ainda há muito a descubrir em 6. chego lá quando conseguir parar de repetir "Quartz and Chronometer".
ponto forte: President, aka Shacho: sua função na banda é a de "agitator, spirit". ele não toca; apenas dança, toma o palco, rege, solta um scat de vez em quando, e inventa um posto novo em bandas de jazz ou qualquer outro estilo
ponto fraco: algumas faixas com vocal, que perdem muito em espontaneidade
02 Tim Hecker: An Imaginary Country #ambient/electronic #can
o canadense Tim Hecker é um dos músicos que eu gostaria de conhecer, conversar sobre música, pagar uma cerveja, implorar por uma collab com o aygn.
de todos desta lista, An Imaginary Country é o mais álbum de todos. as imagens de uma terra imaginária levam para um grande passeio, com mapa e sightseeing, comparável à um romance de narrativa linear. menos barulhento do que em outros discos, mas não inteiramente plácido (em alguns locais há mellotrons distorcidos impedindo essa realização), Hecker incrementou sua fábrica de synth drones com alguns eventos de guitarra, que mesmo altamente processados injetam pequenas colônias de vida, como bactérias, no caldo de paisagens sonoras que compõe.apesar de algumas faixas mais silentes, como "Paragon Point" e "Borderlands" (onde parece muito a Colleen), ganharem destaque, é nos extremos que este disco se mostra mais marcante. a abertura, "100 Years Ago", traz uma linha simples, emotiva, do supracitado mellotron, que vai crescendo e gravando lentamente, até dissolver-se nos batimentos de "Sea of Pulses" e seguir criando novos drones. já no final, ao término de "Currents of Electrostasy" (que evoca Fennesz), retornam aqueles drones, emergindo lentamente durante "Where Shadows Make Shadows" e enfim desaguando em "200 Years Ago", que retoma a mesma frase do ponto de partida. mas, paradoxalmente, parece nos ter viajado em direção ao passado. conceitual, mas sem ser psicológico; é um álbum inteligente, dedicado, de ambient -- característica que não foi cumprida por seus pares, como Loscil ou Pan American, que também lançaram inéditos em 2009.
An Imaginary Country é um dos grandes discos de ambient de todos os tempos. e um dos melhores realizados.
ponto forte: a experiência que o álbum provoca
ponto fraco: nenhum
01 Goatwhore: Carving Out The Eyes of God #black/death metal #usa
sabe como faz black/death metal? usa a velocidade e a estrutura do primeiro com as guitarras do segundo. do vocal faz-se um mix, tanto na variação quanto na simples soma.
ou escute o disco de 2009 do Goatwhore.que sempre foi uma banda de elevada técnica, mas pouca inspiração e um vocal mediano (em que pese a extensa lista de serviços de Ben Falgoust, do Soilent Green -- cujo último disco esteve no meu top de 2008, inclusive). mas eles compraram um daqueles kits onde diz "todos os seus problemas estão resolvidos plim puf!" e então puf! Falgoust está cantando de forma (e também na letra) demoníaca, e os riffs ganharam vida e brilho e estão macios e sedosos, digo -- crocantes e grudentos como seus cabelos. Carving Out the Eyes of God é um testemunho de violência que busca raiz no crust punk tão caro ao black metal: muitas das guitarras vem de lá, só que mais graves e pesadas. "Provoking the Ritual of Death" é um exemplo cadenciado; a faixa-título vai para o lado mais feroz; "Reckoning Of The Soul Made Godless" é Celtic Frost de carteirinha. e ainda cabe espaço para o southern sludge, afinal estamos em Nola: "In Legions, I am Wars of Wrath" carrega a flâmula da identidade geográfica e é um dos melhores momentos do disco.
técnica irretocável (outra bateria exemplar desta lista: prevejo em breve chuva de sponsors para bancar videoaulas de Zack Simmons, que também esmurra no Nachtmystium), equilíbrio perfeito entre agressividade e melodia, entre batida hardcore e andamentos de death clássico. e muita blasfêmia, pra contrabalançar a Om. 2009: o ano é da Goatwhore. (maior nome.)
ponto forte/fraco: n/a
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quer uma amostra? tem sampler mixtape: aqui [mediafire/56mb]
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este foi o TOP 2009 de bereteando. a IMPOP LIST GALORE MELHORES TOP ÁLBUNS 2009 EM QUATRO PARTES C/ CRACK LIMÃO E HEY segue com impop favorites Renner Rodgers, Áldur Gonssalvson y Tio Briga nos próximos episódios. & também não deixe de conferir o melhor disco do ano para another impop fave mr. el primo.
CONTINUA AMANHÃO
Primeiro é preciso olhar bem para a capa do disco.
Em um mundo normal uma imagem vale por mil palavras. Nos mundos (porque não são músicas, são mundos) construídos por Christian Fennesz apenas com "guitarras elétricas e acústicas, sintetizadores, aparelhos eletrônicos, lloopp e computadores", são os sons que valem por mil imagens como a da foto - sons de tom frio e monocromático, sons de um longo trajeto cujo destino é obscuro. De fato, "obscuridade" e "amplidão" é o que deve ser lido do nome do disco.
E não há facilidades. "Black Sea" é denso e difícil. As melodias são escassas: todo o resto do espaço sonoro não é nem preenchido, e sim consumido por sons graves e distorção árida. Mas no fundo, bem no fundo de suas paisagens tristes e monótonas, "Black Sea" carrega consigo uma beleza autêntica, autêntica por não ser plástica, por não ser ordinária, uma beleza que surge justamente da aceitação de que todas as outras aproximações da beleza que são vistas espalhadas pelas artes são, de certa forma, tentativas de negação do que realmente somos: torpes, imperfeitos e maus. "Black Sea" não tenta se distanciar desta realidade; ao contrário, é uma enorme imersão nela - e é nessa franqueza que sua beleza se encontra.
"Black Sea" é a melhor coisa que ouvi no ano de 2009. E "Black Sea" é a representação perfeita de como foi o meu ano de 2009 - vazio, ácido e difícil, mas salutar à sua maneira. Por muitas e muitas vezes eu coloquei os fones de ouvido e me sentei naquela praia cinzenta, sozinho, e olhei o mar por horas a fio enquanto a música ilustrava o lento submergir dos cadáveres das minhas utopias, que desciam lentamente, solenemente, até o fundo do oceano.
japão; bebop; free jazz; swing; fusion; avant-garde. uma playlist que une artistas tradicionais e consagrados e o novo jazz japonês que superlota os clubs de Tóquio, Osaka, Oita et al. uma compilação jorrando criatividade, inventividade e energia. insira mais uma frase clichê sobre um mundo musical nada clichê etc. são vinte faixas entre 1950 e 2009: aperte o play e vá.
• Indigo Jam Unit • Masahiko Sato • Quasimode • Hiromi Uehara • Natsuki Tamura & Satoko Fujii • PE'Z • Keisho Ohno • Korekyojinn • J.A.M • SOIL &"PIMP" Sessions • Jun Fukamachi • Yosuke Yamashita • Jabberloop • Sleep Walker • Takashi Matsunaga • Koenji Hyakkei • Satoru Shionoya • Senri Kawaguchi & Fragile • Toshiko Akiyoshi • Shizuko Kasagi •
"O impop devia ter playlists no youtube. @renmero favor providenciar. ou já existem e sou um parvo?" - http://twitter.com/trecker/status/54567265342.
from: tiagón3.
subject: so rock the fuck
to: renmero
http://www.youtube.com/watch?v=ZIW3z6R81fw
RESPONDER com uma faixa sff.
c/c #impop ytmxtps sessions
???
na verdade isso é bastante pop, mas assim como o também-visto-por-aqui Hotel Santa Clara, fica longe da imundície generalizada e descartável que caracterizamos como POP.
como quem diz: pode até ser fácil, assoviável e em 4x4, desde que seja LIMPINHO.
o POMPLAMOOSE -- francês para pomelo -- está confortavelmente instalado no mundo indie, e como o HSC, tem seus momentos twee, mas não apenas isso: poderia ser também um case de social media nesses tempos de webernets, se não desse tanta preguiça. senão vejamos: Nataly Dawn e Jack Conte, músicos jogando suas proezas no youtube, resolveram unir forças em 2008. não apenas como namorados, mas também como banda. conhecedores do poder multiplicador deste nó central da internet, transformaram o modus operandi do it yourself em base e lançaram-se em videosongs. diferentes do videoclipes, seu manifesto tem dois pontos:
• o que você vê no vídeo é o que ouve, ou seja, sem overdubs na edição;
• se você ouve, em algum ponto do vídeo vai ver -- todos os elementos da música estão no vídeo.
o resultado produz vídeos bastante parecidos, gravados no estúdio do casal em Corte Madera, California -- porém sempre cheios de carisma e bom humor. vemos (a gracinha) Nataly cantando com excelência cool e tocando baixo, e Jack com violão, bateria, teclados, acordeão, xilofone, percussões e traquitanas. também nisso reside o charme do duo -- a propriedade hipnótica de ver o que se está ouvindo funciona como num show ao vivo, mas com o requinte de uma montagem criativa.

claro que nada disso seria válido não fossem as músicas interessantes. as canções são inspiradas, compostas com esmero falsamente despretensioso e muitas passagens diferentes. e grudentas, como se espera -- com o auxílio da imagem, transpassam a honestidade necessária para diferenciar-se num estilo tão coberto de posers de 25 cents. as linhas de baixo de Nataly tem mais soul do que se ouve nos similares, e Jack sabe usar o Hammond com propriedade, sem exageros. também nos arranjos (veja o cuidado com as pausas e os vocais dobrados) a dupla acerta. junte a espontaneidade do espírito folk e, se isso não se tornar destaque no mainstream, pode ficar com mais raiva de tudo mais que toca na FM. aliás, é difícil acreditar que as faixas foram feitas sem um produtor profissional por trás. (ou seria justamente o contrário?)
talento puro: garimpando, se acha até no youtube.
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Depois de um hiato de cinco anos sem lançar material inédito, eis o retorno do Tortoise, banda das mais caras ao coração deste que vos escreve, retorno este que deu-se da seguinte forma:
1. High Class Slim Came Floatin' In - É o início do disco, mas você chega logo a uma conclusão: Toda banda muito boa tem, obrigatoriamente, um PUTA baterista - coisa mais do que confirmada a cada disco do Tortoise. Foi assim em "Djed", foi assim em "Seneca", e dessa vez não é diferente. "High Class Slim Came Floating' In" é longa (8'14'') mas contém umas cinco músicas diferentes dentro de si. Mais umas duas ou três audições e você terá a surpresa de notar que as cinco músicas fazem referências umas às outras. Sim, Tortoise tem muitas camadas.
2. Prepare Your Coffin - Bem, digamos que é uma daquelas "putaquepariu que filhos da puta como é que eles fazem isso" kind of song.
3. Northern Something - A terceira faixa traz duas certezas: uma é a que a distorção veio FORTE nesse disco, e a outra é que toda banda muito boa, sim, tem um PUTA baterista. Mas note que a parte do "puta" em "puta baterista" refere-se menos à técnica e mais a um certo senso rítmico, uma compreensão dos alicerces de uma boa batida.
4. Gigantes - O título em provável-português, as palmas e as cordas beliscadas dão uma impressão meio "capoeira" à coisa toda. Mas da segunda metade da música em diante o norte-americanismo do Tortoise volta a dominar.
5. Penumbra - É uma "música-pintura" de um minuto: mais estática que dinâmica, pinta uma paisagem de timbres muito mais do que desenvolve uma história.
6. Yinxianghechengqi - Barulhenta demais numa primeira audição e genial em todas as subsequentes. Pense na estética do punk rock usado como veículo para a técnica de progressão harmônica do jazz moderno. Pouquíssimas bandas teriam os colhões para tentar uma coisa dessas. Menos ainda a habilidade de se dar bem no final.
E deste ponto em diante o disco muda COMPLETAMENTE:
7. The Fall of Seven Diamonds Plus One - É a versão musical de um pai dizendo ao filho, num tom preocupado: "Sente aqui, meu filho. Preciso lhe dizer umas verdades". A analogia com uma conversa não é por acaso: as guitarras dedilhadas tocam melodias tão evidentes, tão expressivas, que são mais diálogo que música. Destaque para o ritmo "assombrado", marcado de quatro em quatro tempos ora por um baque seco, ora pelo tilintar de correntes metálicas.
8. Minors - O título dá a dica: progressões harmônicas em acordes menores, tocadas com timbres veranescos. Serve para resgatar o ouvinte do clima taciturno da faixa anterior e para dar o tom do resto do disco (basicamente: menos distorção).
9. Monument Six One Thousand - O disco começa a esfriar a partir daqui. As guitarras escalam escalas modernas sobre um chão de baixo meio ácido. A música parece não saber bem para onde está indo - coisa rara nos discos do Tortoise.
10. De Chelly - É um pequeno interlúdio de menos de dois minutos, bem solene. Lembra Bach e Laranja Mecânica.
11. Charteroak Foundation - Uma faixa bem cerebral, pra fechar o disco. Teclados dançando sobre um ever-repeating baixo tocado fora do ritmo, tanto do jeito certo (tercinas) quanto do jeito errado (realmente fora do tempo em alguns momentos). E, onze faixas depois, você tem a reconfortante certeza de que o Tortoise continua desgraçadamente bom.
porque a ideia de uma mixtape madrugadeira relax vem dos momentos em que eu preciso que a música seja quase invisível -- não que tenha menos personalidade, mas que seja mais quieta, que tenha um andamento mais devagar, que não abuse dos agudos, que não tenha sobressaltos. eu quero notar a música, mas minimamente; quero que ela envolva minha concentração e diminua o ritmo estressante do dia, mas de uma forma muito sutil.
a descrição poderia muito bem abraçar todo o ambient, mas não é disso, ou só disso que se trata; ambient é sensacional (e jardinagem é vida), mas nem toda hora é boa pra soundscapes. e sair pelo trip-hop ou downtempo seria fácil, e provavelmente desinteressante, demais.
donde uma mixtape que tem um pé no post-rock, embora totalmente impop e descaracterizado. há boa dose de mistureba, mas é unida principalmente por uma textura que acompanha as faixas: uma maciez instigante. a seleção foi pensada como fechamento de noite, e por isso vai ficando cada vez mais rarefeita, mais esparsa; se você estiver trabalhando, por exemplo, pode querer parar ali na faixa 10 pra não levitar demais.
quando o cérebro já quer descanso mas é preciso ainda fazer alguma coisa antes, e o silêncio é muito duro e melodias doces exigiriam atenção demais. uma mixtape que é um lugar de passagem, um pouso, um descanso. de inenarrável riqueza. (mesmo sem grandiloquência.)
vou ouvir agora, outra vez.
moonrise hotel - download @mediafire
01 input_output - indústria brasileira de lavadoras automáticas
02 brant bjork - sun brother
03 grails - bad bhang recipe
04 scatter - godown
05 maudlin of the well - interlude iii
06 rachel's - cuts the metal cold
07 eric satie - tapestry of wrought iron
08 balmorhea - process
09 dale cooper quartet and the dictaphones - aucun cave
10 labradford - recorded and mixed at sound of music, richmond, va
11 windy & carl - balance (trembling)
12 stars of the lid - part two
13 loscil - faint liquid
68'14
* foto: flickr de c@rljones
um guia em três passos, levemente aproximado e de resultados periclitantes pero cumplidores, quando calha
PREMISSA
quem afirma que a música atravessa uma fase pouco criativa não faz ideia da bobagem que está dizendo -- e entre os motivos está a produção musical do japão. nas mais diversas vertentes, parece sempre estar (pelo menos um, quase sempre muitos passos) à frente no avant-garde, na ousadia. uma incursão pelas cenas de rock alternativo, metal ou electronica, por exemplo, resultam em horas anos do mais puro JÚBILO a ouvidos curiosos.
porém uma desvantagem é que geralmente ficamos a uns três ALFABETOS de distância na hora de entender o que dizem. cantar junto sem ultrapassar o limite olímpico de EMBROMATION também é tarefa árdua, já que, além de difíceis de encontrar, letras de música japonesa vem em ideogramas -- que não significam nada para a imensa maioria dos não-japoneses.
isto posto,
1. CASE
凛として時雨 [Rin Toshite Shigure] - DISCO FLIGHT
2. escolhida a canção, disque google para transcrição. busque banda + música + lyrics. se não funcionar, tente o equivalente pro para "letras" = 歌詞.
em nosso exemplo, tivemos logo sorte: http://j-lyric.net/artist/a04e1c7/l012a3b.html.
窓から見えるの 世界の配列 甘い匂いがするの 景色の裏側に
イカレタ僕はね 意識をスピードのDISCO FLIGHTに乗せて
目を閉じれば 世界は消えるの
感情に入り込んだ空のリズムは TIME 溶け出していく
誰もいなくなった空の裏側に FLIGHT 溶け出していく灰色と紫のフリをしている僕にだけ 少し夢を見させて
目を閉じるからあの色を見せて 揺れる紫色のDISCO SKYもう少しだけ見えない所で 揺れる紫色のDISCO FLIGHT
イカレタ僕はね 世界と消えるの
感情に入り込んだ空のリズムは TIME 溶け出していく
誰もいなくなった空の裏側に FLIGHT 溶け出していく世界を見下ろして体が透き通っていく 揺れる意識を見失う
目を閉じるからピストルを僕にだけ 浮かぶ紫色のDISCO SKYもう少しだけ見えない所で 揺れる紫色のDISCO FLIGHT
3. o que é muito bonito visualmente, mas a não ser que você possua um superpoder linguístico (e de visão -- diferenciar ideogramas kanji requer nível 32 em "jogo dos 7 erros", além de não ter cursado Miopia) nada disso tem sentido algum, porque precisamos dos fonemas. é onde entra a romanização. existe mais de uma opção na internet, mas em nossos testes destacamos el romaji.org. copia-se ideogramas, cola-se marcando -> TO ROMAJI, e voilà: sílabas!
mado kara mie runo sekai no hairetsu amai nioi gasuruno keshiki no uragawa ni
ikareta bokuha ne ishiki wo supido no DISCO FLIGHT ni nose te
me wo toji reba sekai ha kie runo
kanjou ni iri kon da sora no rizumu ha TIME toke dashi teiku
daremo inakunatta sora no uragawa ni FLIGHT toke dashi teiku
haiiro to murasaki no furi woshiteiru boku nidake sukoshi yume wo misa sete
me wo toji rukaraano shoku wo mise te yure ru murasakiiro no DISCO SKY
mou sukoshi dake mie nai tokoro de yure ru murasakiiro no DISCO FLIGHT
ikareta bokuha ne sekai to kie runo
kanjou ni iri kon da sora no rizumu ha TIME toke dashi teiku
daremo inakunatta sora no uragawa ni FLIGHT toke dashi teiku
sekai wo mioro shite karada ga suki tootte iku yure ru ishiki wo miushinau
me wo toji rukara pisutoru wo boku nidake uka bu murasakiiro no DISCO SKY
mou sukoshi dake mie nai tokoro de yure ru murasakiiro no DISCO FLIGHT
e aí está. mais fácil que isso, só com bolinhas pulando nas palavras em vídeo de youtube.
(e o que significa? bueno, pra isso a tradução do google continua sendo o melhor farol. e não mais que isso -- uma luz sobre o tema. use os ideogramas e traduza preferencialmente para o inglês.)
no próximo bloco, traduzindo grindcore pig squeals.
• 凛として時雨 •
When Summertime comes / All warm and clear / And my friends see me / Drawin' near / Who says "come on in and have a beer"?
Nobody.
Johnny Cash, "Nobody" (American III: Solitary Man)
93. Looking out the window during a long drive
[em: coisas que seus filhos talvez nunca conheçam]
Sempre olho de saltar, mas não olho demais. Bruce Wayne disse-me isso antes de saltar de um prédio pra outro. Eu devia ter não mais do que 14 anos. Era uma história ruim e isso estava escrito num pequeno quadrado de fundo preto no canto de alguma página.
Antes de escutar um disco - durante a navegação entre pastas e pastas e pastas e pastas - sempre considero o que preciso escutar. Precisar, nesse caso, tem o mesmo peso de o que me fará bem, o que mexerá comigo, o que me tirará do sério e todos esses pensamentos que correm pela cabeça quando nos apoiamos em música pra continuar andando.
Procuro sempre abrir a pasta e passar os olhos começando de uma letra que não seja o A. Não demoro muito. Clico numa pasta, acho o arquivo .m3u e clico nele.
Uma escolha banal e totalmente comum para muitos de nós. Menos cansativo do que andar por estantes de vinis catalogados de alguma forma misteriosa. Entretanto muito mais avassalador do que parece. As opções são virtualmente infinitas, é como um cão chegando pela primeira vez à praia: fica louco pra cheirar o mar de perto mas assim que percebe que ele se move sem parar volta correndo pra longe e ali fica encolhido, contrariado pela descoberta.
Basta colocar a mão fundo na água densa pra encontrar o que preciso.
Não antes de considerar que estou sozinho nisso. A escolha é totalmente minha.
Maior sentimento.
35. Recording a song in a studio
O beretz, que é conhecido como Tiago Casagrande, conhecido como Bereteando, conhecido como Dinossauro, conhecido como um dos criadores da Verbeat, conhecido como Produtor Musical, conhecido como Grande Amigo, conhecido como El Rey, conhecido como Curador deste blog chamado Impop e conhecido como All Your Gardening Needs possui em casa o seu estúdio.
Por casa eu estou dizendo toda a região metropolitana de Porto Alegre. Pode incluir São Paulo também. Pode incluir o resto do Brasil. Certo, inclua o mundo inteiro, mas começando por Porto Alegre, acho que fica bom. Ok.
Há um certo tempo o Tiago começou a programar batidas em ordem sequencial. Depois alterou a ordem dessas batidas até sua cabeça doer. Começou a colocar outros elementos entre as batidas, pra ver se fazia sentido. Em dado momento ele abraçou o caos e considerou que não importa a ordem das coisas pra encontrar o som que estava procurando. Bastava ter as coisas ali.
Lançou um disco, free, livre, pronto pra ser copiado. Lançou outro, lançou demos e lançou mais um disco. All Your Gardening Needs.
Definitivamente eu não tenho necessidade alguma no que diz respeito à jardinagem. Provável que você também não. Mas Tiago sim. Considerou que jardinagem é crescer formas de vida de uma forma diferente. Fez da música algo comparável à tarefa de moldar um solo fértil.
There is never any end. There are always new sounds to imagine; new feelings to get at. And always, there is the need to keep purifying these feelings and sounds so that we can really see what we've discovered in its pure state. So that we can see more and more clearly what we are. In that way, we can give to those who listen the essence, the best of what we are. But to do that at each stage, we have to keep on cleaning the mirror.John Coltrane
Nenhum homem de verdade, homem criado com John Wayne como rolemodel, chora com um disco.
Sem razão aparente.
Estava eu de pés descalços tocando o tapete sujo da minha casa. Laptop no colo e persianas fechadas e viradas pra cima, de uma forma que faça com que a luz entre pelas frestas e bata diretamente no teto. Estava sentindo nas mangas da camisa que usava um leve perfume de baunilha. Estava escutando a faixa fantôme teinte: soustractive. Estava respirando pesadamente. Estava me sentindo bem quando comecei a cho

rar.
Nas artes visuais, especialmente as modernas, aonde conceitos de forma, estética e plástica foram bastante, digamos, "dilatados", paira sempre aquele incômodo do que é que separa o trabalho de um artista real do que "qualquer criança de cinco anos faria igual". Mas uma coisa que eu percebi em minhas observações (absolutamente amadoras, vale lembrar) é que o trabalho dos bons artistas, apesar de parecer sem sentido ou pueril, sempre "cutuca" algum lugar diferente dentro da sua mente.
É como um quadro de Basquiat. Uma olhada rápida dá a impressão de que é desenho de jardim de infância. Mas continue olhando e um certo incômodo se apresenta, como se sua mente dissesse que "aquilo não é o que parece" ou que há algo muito mais profundo por trás da impressão inicial.

Isso é o que eu acho mais fascinante na arte: a capacidade de se adulterar percepções inconscientes e de visitar recônditos da alma que jamais seriam tocados pela ciência, religião ou coisa que o valha.
E depois dessa explicação toda aí em cima podemos, finalmente, falar da banda que torna-se cada vez mais uma das minhas favoritas: o Fly Pan Am. Que faz EXATAMENTE ISTO que eu falei, mas usando música.
A formação da banda, formada por canadenses de Montreal, segue as convenções de guitarra/baixo/bateria costumeiras. Aí você vai ouvir as músicas e elas são longas, difíceis e até sufocantes... e depois de algum tempo de aclimação, absolutamente geniais. Acostumar-se com Fly Pan Am é mais ou menos como aprender a fumar - aparte as complicações para a saúde.
Não dá pra dizer que Fly Pan Am é experimental, porque ele sabem muito bem o que estão fazendo. Os riffs que se repetem longamente não são experimentos: são a forma de acessar aqueles recônditos intocados da alma, de transparecer musicalmente coisas que você jamais esperava encontrar em uma gravação, como o sarcasmo de "La Vie Se Doit D'Etre Vecue Ou Commençons a Vivre" ou a sabotagem (explicitada inclusive no nome) de "Partially Sabotaged Distraction Partiellement Sabotee" - aonde você será enganado e vai achar que há algo de errado com seu aparelho de som. São músicas que andam por caminhos que eu jamais imaginava existirem.
Uma pena o Fly Pan Am estar em um "hiato" indefinido e ter nos deixado apenas três discos e um EP. Mas o que falta em quantidade é fartamente compensado em profundidade.
num breve átimo de suspensão da descrença e da fadiga, clico no play do vídeo acima, que chega dizendo "Nirvana vs Rick Astley - Never Gonna Give Your Teen Spirit Up".
impossível adivinhar: a versão STEALTH do inefável rick roll é BRILHANTE. como em todo mashup que merece o nome, causa nível 10 de estranhamento/wha?/mindfuck. não apenas isso; o garage sujo e podre original vira um rock/pop radiofônico grudento. Rick Astley poderia fazer fortuna numa banda de HARDCORE MELÓDICO.
e, provavelmente, também Roy Orbison.
créditos a Morgoth, que apesar do nome black metal é dj em uma festa onde só toca mashups desse tipo. deve ser bastante divertido. (download da faixa aqui. no blog da festa tem sets completos também.)
• dj morgoth •
hoje cedo tropecei num sampler do The Apparatus: uma compilação underground de tech metal, bandas todas independentes/sem qualquer tipo de contrato assinado. não cheguei nem na metade (do caminho, vale conferir Aphotic Discord) -- parei na faixa 5 e fiquei no repeat.
(Chon, Temporarily Destabilized -- mp3 mal etiquetado no grooveshark)
a música do CHON é menos tech metal e mais math shred stravaganza, na linha de Cloudkicker, Behold the Arctopus e Volta do Mar. ou Don Caballero num teto de cafeína. jams altamente técnicas e muito precisas, pedal duplo esparramando pra todos os lados, composições grudentas, inspiradas. evidentemente, trabalho de quem está há muito tempo na estrada, tocando e praticando, e olha o tanto de veteranos sem lançar disco etc.
ERRADO.
a descrição no post do Apparatus diz somente: CHON is a young math-rock/metal/fusion band from Oceanside, California. Allegedly, their former drummer was 11 years old when he joined the band.



a demo de quatro faixas, que vem recebendo destaque nas webernets, foi gravada por Mario (guitarra solo, 16), Esiah (baixo, 14), Erick (guitarra, 18) e Nathan (bateria, 12). à exceção de Erick, são todos irmãos. INFANTES. Mario e Esiah começaram na seção rítmica, quando foi legada ao mais novo e começaram a mexer com cordas. tocam seus instrumentos atuais há três anos.
típicos rapazinhos viciados? o líder Mario, que deve comer Malmsteeny Loops com fanta uva no café da manhã, contou numa entrevista: "I play guitar all day everyday unless I'm at school or chillin with friends... and sometimes i bring my guitar to school and play there."

apesar de terem vencido um "battle of bands" local e estarem abrindo um caminho promissor com sua demo, nem tudo é fácil na carreira de uma banda adolescente. este ano já ocorreram duas baixas: um novo baixista foi anunciado, porque Esiah resolveu seguir seu sonho de tornar-se um boxeador; e a procura por um baterista continua, já que Nathan...
Hey. Our drummer Nathan quit the band today. He is still very young and he just wants to be a kid. Being in a band and having to practice and play shows all the time is too much work for him. So If you are down to try out or know anyone who might be interested hit us up by sending a message. Nathan is going to play shows with us until we find a permanent drummer. 30/03/2009
com ou sem o caçula, um álbum está programado para este ano. fica registrada a torcida do impop pelo sucesso destes novos músicos. e aguardaremos o triunfal retorno de Nathan às baquetas.
e louvemos! porque ENQUANTO HOUVER JOVENS QUE etc.
• CHON @myspace •
