seguindo a trilha de Renmero Rodriguez e Bruno Cardoso, tomo o Impop de assalto (convocando o Tinoco) pra cometer a listinha de destaques dos primeiros seis meses do ano.

ano que tem sido GENEROSO, como há muito não se via. pelo menos às minhas esferas auditivas.

donde, sem classificação, seguem-se dez:


soilent• SOILENT GREEN, Inevitable Collapse In The Presence Of Conviction
New Orleans é um capítulo à parte no metal, e esses caras ficam cada vez melhores. é o som peculiar de praxe, com a criatividade de composições de sempre: a efetiva e marcante mistura de sludge, death, grind e melodias/levadinhas doom metal, generoso nas mudanças de andamento. e o cheiro da origem, claro. vocalista novo é bom mas falta um pouco de entrosamento, no entanto.

nortt• NORTT, Galgenfriest
eta resvalão no clichê, mas que disco GELADO esse - do obscuro dinamarquês conhecido como Nortt. no rótulo vem descrição, que é soma: depressive funeral atmospheric doom metal. valia um drone aí no meio. tipo Sun O))) que é primo do Drudkh. as músicas são absurdamente lentas e chegam a dark ambient num piscar de olhos.

animal• ANIMAL STYLE, Gameboy Madrigals
madrigal, wiki: a type of secular vocal music composition, written during the Renaissance and early Baroque eras. Throughout most of its history it was polyphonic and unaccompanied by instruments, with the number of voices varying from two to eight, but most frequently three to six. The earliest examples of the genre date from Italy in the 1520s, and while the center of madrigal production remained in Italy, madrigals were also written in England and Germany, especially late in the 16th and early in the 17th centuries.
agora mistura com chiptunes - música criada em videogames de baixa geração.
é. e o artista oferece.

korpi• KORPIKLAANI, Korven Kuningas
não gosto dos outros discos dos finlandeses do Korpiklaani. nem gosto muito de folk metal, pra falar a verdade. mas esse Korven Kuningas é genial. não é apenas viking folclórico, com seus instrumentos típicos, de pedir cerveja em taverna; é um trabalho muito acima da média em termos de composição. na simplicidade das canções, espaço para melodias e acompanhamentos quase big band. fora isso, eu sigo escutando Kipumylly viciosamente e esperando enjoar. tô no limiar da dúvida do fato. (Suden Joiku, que se segue no tracklist, é quase isso.)

abort• ABORTED, Strychnine.213
a crítica tem apontado como um posicionamento do Aborted direção ao público deathcore, do lado mainstream. eu, lendo purismo underground demais - afinal, segue sendo um disco de brutal/tech death metal -, acho ótimo. os outros discos dos belgas do Aborted são mais brutais, mas muito menos inspirados - e isso é o que conta. faixas memoráveis e um disco redondo e bem produzido. dobradinha The Chyme Congeries (melhor refrão do metal esse ano) e A Murmer in Decrepit Wits (com direito a sample intro à cybergrind) é absolutamente matadora.

• MARCELO BIRCK, Timbres Não Mentem Jamais
tem pra streaming no site oficial. oito anos de espera para o novo do bruxo avant-garde jovem-guasca portoalegrense - com valia. grande, psicodélico, experimental, inteligente, fundamental álbum do rock gaúcho. e grandes letras. (alô cidade, tem show no Ocidente quinta!)

ocoai• OCOAI, Breatherman
das recentes bandas do sludge/post-metal, é das mais promissoras. é lento, lembra por momentos Pelican e Isis, em outros evoca a aura do death/doom dos 90. as tintas de blues ficam pela raiz do Tennessee. raro e valoroso disco de estréia que mostra maturidade nas composições, controle técnico e produção de primeira linha.

moob• MADE OUT OF BABIES, The Ruiner
os anglo-saxões tem uma palavra boa, sem tradução decente em Português: "fresh". Made Out of Babies faz (e é) um tipo de metal que não se ouvia nem se ouve a não ser o dela mesma. 85% responsabilidade da vocalista e atriz principal, Julie Christmas. esse álbum, menos selvagem mas não menos agressivo, mostra um amadurecimento da banda - que ainda não sei se é de todo positivo (o disco é recente). mas ainda assim, um trabalho de personalidade e coragem ímpares. além de uma puta sonzeira, óbvio.

hop• HOUR OF PENANCE, The Vile Conception
escrevi assim, numa comunidade do last.fm: There's a point when brutal death becomes just *so beautiful*. This is one example. Has been sitting (along with Disgorge) on the top of my wake-up playlist. Track Absence of Truth is incredible. ouvindo, jamais se diz que os caras são italianos. nos ouvidos, machadada pra tudo quanto é lado.


Antlers• ANTLERS, S/T
caiu de pára-quedas semana passada. me conquistou imediatamente. não sabia que se fazia música assim ainda - math rock, post rock, delícias crocantes de guitarra. nenhuma informação a não ser no last.fm: a group of Richmond/DC musicians from bands such as Mass Movement of the Moth, Gregor Samsa, Resonance, and Olive Tree. The band plays melodic primarily instrumental mathy tunes that might remind you of bands like Don Cab, Ghost and Vodka, and June of 44.. bah, brilhante.

~.~

e olha, sobraram alguns discos aqui - como a estréia do Kingdom of Sorrow, o EP do Death of Her Money, os novos do Monolith Deathcult, Emeth e Textures, e outros. alguns daqui vão pra lista do fim do ano. e que ele siga gordo e repleto de vitórias.

tem uma lista parecida? deixa ela aí nos comentários!

não da forma de "horror" que você pode estar pensando; não há monstros ou fantasia ou zumbis. o que há, sim, é uma atmosfera tão pesada, tão densa, que transcende o próprio peso sonoro. comparação fácil à parte - nunca ouvi nada tão próximo a um pesadelo. e eu, que posso ser ninado com Morbid Angel numa boa, penso duas vezes antes de escutar esse disco - porque eu sei que ele vai interferir diretamente no meu humor e na maneira como me sinto e me percebo no mundo.



imagem: divulgação/decibel magazine

o BATTLE OF MICE é a reunião de Josh Graham (Neurosis, ex-Red Sparrowes) e Julie Christmas (do fantástico Made Out of Babies). num show no SXSW, cada um com sua banda, conheceram-se e imediatamente se odiaram. colegas de Neurot Recordings, numa turnê sucessiva repensaram a postura e descobriram amor e sexo. pode parecer uma informação cretina, mas é importante para entender o disco: no final das sessões de A Day of Nights, os dois não se aturavam - ao ponto de se recusarem a gravar juntos. tanta tensão, ódio e uísque resultaram numa obra perturbadora, e incrivelmente bem-sucedida musicalmente.


By the time the sixth song, "Cave of Spleen", was recorded, Julie and Josh couldn't bear to be in the same room together. As such, the guitars and vocals were completed on different days; the vocals in one take, with no pre-written lyrics. (...) The sonic philosophy of the band reflects a huge, primal range of emotion: Love, lust, jealousy, whiskey, and blind rage, Julie explains. And while it might be pointed out that whiskey is not necessarily a clinically-recognized human emotion, it is unlikely that anyone will misunderstand the implications of its inclusion after hearing Battle of Mice. battleofmice.com

O disco, lançado em 2006, foi considerado o segundo melhor do ano pela Decibel Magazine - logo atrás de Blood Mountain, do Mastodon. definitivamente metálico, rotulado como post-metal da mesma forma em que criaram o post-hardcore: é mais do que sua base, mas ainda sem um nome específico. sem dúvida sludge - riffs lentos, graves, sujos e ultradistorcidos - mas escapa da fácil classificação pelo vocal maníaco de Julie. em momentos com a aura infantil de Björk, noutros como um gárgula vicioso berrando os pulmões pra fora, ela domina a cena. o envoltório de guitarras lhe cai bem e é inspirado, mas muito difícil não relegá-lo a moldura. como em sua banda de origem, Julie não canta, nem interpreta; se automutila nas letras enigmáticas. fascinante e visceral são adjetivos instantâneos.

hipnótico, A Day of Nights é um disco suicida - um relacionamento onde os dois enforcam-se para produzir "o melhor trabalho das suas vidas", nas palavras da vocalista. faixa a faixa, se morre e mata pela sua voz em atmosferas distintas: "The Lamb and the Labrador" é soturna em suas pausas cortantes, ameaçadora nos riffs. a aterradora "Bones in the Water" é o que considero um dos momentos mais pesados do metal, numa sucessão opressora de tons que vão se elevando para romper a barreira da sanidade. "Sleep and Dream" é uma quase-pausa em lento 4 por 4, ritmo de contador de histórias narrando um cão-besta ameaça iminente, para um final simplesmente épico várias oitavas acima na garganta de Julie. "Salt Bridge" e "Wrapped in Plain" seguem cadenciadas, e vão tornando-se mais sombrias e tristes; num ponto em que as guitarras parecem ir cansando da batalha. o retorno da demência vem logo no início de "At the Base of the Giant's Throat", de batida vigorosa e alternância de vocal limpo e guinchos; no seu final, uma gravação para o 911 faz do ouvinte voyeur de alguma desgraça. (eu escutei a primeira, talvez a segunda vez; agora, sempre passo adiante quando chega nesse ponto.) A última faixa, "Cave of Spleen", surge lenta e deprimida do sample anterior, para dar lugar a mais riffs tensos e vocais esquizóides. o peso, aqui como em todo o disco, vem no timbre e nos riffs menores, nas pausas agoniadas, na claustrofobia da voz de Julie enterrada no lodaçal criado por Josh Graham. são 45 minutos marcantes, pegajosos, e que não permitem ao ouvinte sair ileso. diferente de um disco de metal extremo, que exige tímpanos e músculos, A Day of Nights exaure psiquicamente.

se na indústria da música tudo é mercadoria, Battle of Mice entrega até mais honestidade do que deveria. e é exatamente por isso que é um disco tão marcante.

"I will not attack Josh's character in print, but I can't say anything nice at the moment either," says Christmas. "I can only tell you what a fucked-up and vicious irony it is to be doing some of the best work of your life with someone who is [so] far different from you or anything you ever want to be or be around. (...) Just about the only thing that we do agree on is how important the project is. Doing everything possible to make sure it gets off the ground and continues to be productive musically, is of the utmost importance. I think we both know what's ahead of us. Being in a band means spending time together and we'll figure it out one way or the other to keep going with Battle of Mice." decibelmag

a banda encontra-se em hiato, mas em seu site, promete novos álbuns para o futuro. em entrevista para o Brooklyn Vegan (?!), Graham afirma que neste ano deve sair um split com Jarboe, duas novas músicas. seu público aguarda, ansiado e temeroso como um adolescente dos anos 80 ao alugar um novo Faces da Morte.



site oficialmyspaceneurot recordingswikimetal archives

Miles_Ahead.jpgSemana passada eu ia lendo meus blogs e feeds quando topei com um post, favoritado pelo grande chapa Tiagón, sobre "Kind of Blue", o megaboga disco de Miles Davis. O post dizia que era "o disco mais vendido da história do jazz", "um dos mais importantes e influenciais de toda a música" e tal. Aí encasquetei que, naquela semana mesmo, ouviria "Kind of Blue" pela primeira vez.

O que me motivou foi o fato de que eu não sei nada de jazz. De fato, eu só tenho UM disco de jazz ("Giant Steps", de John Coltrane) e li algumas coisas muito picadas sobre como é que os músicos fazem jazz. Então resolvi me usar de cobaia para ver qual o efeito que "Kind of blue", erigido ao status de master-obra-prima-música-dos-deuses por quem entende da coisa, teria em meus ouvidos de neófito, despreparados para receber tais divindades.

Decidi ouvir o disco na sexta-feira, enquanto voava de Brasília para São Paulo - era o momento mais agradável do fim da semana de trabalho e ainda me dava a garantia de que eu não seria interrompido por ninguém durante uma hora e meia.

A primeira faixa, "So what", abriu, cuidadosamente, os trabalhos. A primeira sensação foi de conforto por perceber que os músicos estavam seguindo o "padrão jazz" que eu já conhecia: apresentar um setting - tipo um tema musical - e depois improvisar por cima. O tema me pareceu simples, duas notinhas, uma longa e uma curta - que até parecem mesmo dizer: "so what?". No entanto as progressões harmônicas eram bastante agradáveis - e desafiantes. Atualmente eu já ouvi o disco umas três vezes mas ainda não consegui me localizar totalmente nas mexidas de tom que os caras dão, especialmente em "Freddie Freeloader", a segunda faixa, que de repente descamba para um tom diminuto que, sei lá, eu não queria ser o cara que ia improvisar em cima daquilo.

Falando em improvisos, eles eram bem do jeito que eu havia lido: o esquema não era exibir técnica e velocidade, e sim trabalhar o lado melódico da coisa - coisa que, pelo que percebi, nosso amigo Miles faz tomando um cuidado todo especial não somente com a melodia, mas com a dinâmica e a expressão. E se considerarmos a melodia como o storytelling da música, a experiência de ver a história do disco sendo "escrita" em tempo real fez os quase 20 minutos das duas primeiras faixas passarem voando.

"Blue in green", a terceira faixa, reduziu a marcha do disco ainda mais, o que deixou bastante espaço para os instrumentos ficarem ainda mais expressivos. Eu acho isso bastante interessante, essa coisa de dizer mais com menos, de colocar intensidade no meio de discrição (até comentei disso no meu blog "normal" outro dia), mas eu ainda não sabia que o melhor estava guardado para o final. Prosseguindo, em "All Blues", a faixa seguinte, reparei que até então os músicos praticamente não haviam caído em nenhum daqueles "clichês melódicos" - sabe, aquelas sequências manjadas que você vê espalhadas por aí, desde o fim das frases na música clássica (seeempre voltando pro tom básico e resolvendo a tensão construída anteriormente) até nas melodias pop de rádio. E aí eu pensava na base de "All Blues" e aquilo parecia induzir as progressões mais óbvias. Mas é como eu disse antes, não entendo nada de jazz - talvez não seja nada disso, mas pra mim o aparente esforço dos músicos em andar por um caminho genuinamente criativo deixava tudo ainda mais interessante.

E aí veio "Flamenco Sketches" - "esboços de flamenco", numa tradução livre. Meu amigo, minha amiga, eu lhes digo que "Flamenco Sketches" me propiciou uma experiência que tem que ser descrita no detalhe:

Nos primeiros 30 segundos, apoiado pelo piano e pelo contrabaixo, Miles expõe a primeira parte do tema no seu trompete. Melodicamente aquilo não tinha nada de mais, mas eram notas tão bem escolhidas, tocadas de um jeito tão bonito... era um daqueles casos onde o músico pega um punhado de notas simples, descompromissadas, e na hora de junta tudo acaba nascendo uma frase inesquecível - como as notas do tema de Star Wars ou da introdução de Come As You Are, do Nirvana.

Aí, na sequência, a base do piano/contrabaixo faz uma curva de, sei lá, um tom e meio e, para minha surpresa, vai parar num acorde ainda mais bonito. E Miles entra com uma nota - uma única nota - longa, alta e pungente em seu trumpete. Precisamente nesse instante me passaram algumas centenas de coisas na cabeça: a primeira foi "Uou!"; a segunda foi "ah, então é ISSO que aquelas cantoras ficam tentando fazer quando dão aqueles agudos chatérrimos e que todo mundo acha lindo e fica aplaudindo". É que no caso das cantoras elas até acertam a nota, dão a entonação certinha, botam um vibrato pra dar "um plus a mais" mas ainda assim sempre faltava alguma coisa... precisamente a coisa que estava, de alguma forma, contida naquele agudo pungente do trumpete de Miles Davis. Daquele instante em diante a fama de obra-prima de "Kind of Blue" estava plenamente justificada pra mim.

Só na terceira (ou quarta parte, sei lá) do tema, quando o piano toca aquela sequência realmente típica de flamenco (sabe a música do Vega, do Street Fighter? Mais ou menos aquilo ali) é que a música explica seu nome. E Miles vai acompanhando e, de uma forma que eu nunca vi antes, colocando música em todo e qualquer movimento do seu trumpete - inclusive na hora de silenciar as notas ou de tocar, bem en passant, um semitom. É mais ou menos como se o cara produzisse beleza musical até quando está parando de tocar, revestindo tudo de uma expressividade com a qual eu, definitivamente, não estava acostumado.

Fechando o disco veio um take diferente da mesma "Flamenco Sketches", também muito bom mas que não teve muita graça por causa do meu nível de fascínio com o take anterior. E aí o disco acabou e eu fiquei ali, perdido em algum ponto do céu do interior de São Paulo, sem saber que disco eu teria condições psicológicas de ouvir na sequência.

O veredito, portanto, é esse: eu posso não entender muito da coisa, mas achei o "Kind of Blue" fenomenal.

Tom Zé, lá em 1973, abriu seu disco "Todos os Olhos" cantando:

Todo compositor brasileiro é um complexado. Porque então esta mania danada, essa preocupação de falar tão sério, de parecer tão sério, de ser tão sério...

Eu, particularmente, adoro quando a música perde a compostura e vira piada, sarcasmo, nonsense ou coisa que o valha. E tem gente muito boa nisso, como por exemplo...

Kid Koala

Like Irregular Chickens - Kid Koala

O garoto coala canadense pode até ser absurdamente habilidoso nas turntables, mas o que eu mais gosto no seu trabalho é o senso de humor. Quem clicou no "play" ali em cima deve ter percebido que "Like Irregular Chickens" é feita com scratches de sons de galinhas (e de gente imitando galinha!). "Flu Season" segue o mesmo processo criativo, mas dessa vez com espirros, tosse e outras pneumopatias. E "Barhopper 2" é a primeira música da história a conter o som de um autêntico "silêncio desconfortável" em um encontro amoroso.

The Rip Off Artist

Sim, o nome do cara é "o artista da cópia descarada". Todos os seus discos copiam nomes de discos famosos, como o "Pump" do Aerosmith, o "In through the out door" do Led Zeppelin ou o "Pet Sounds" dos Beach Boys. E, ironicamente, o som é um IDM/Glitch cuidadosamente preparado e absolutamente original. E bem humorado, como a faixa abaixo deixa bem claro:

Vibrating Vegetable - The Rip Off Artist

O site dele continha um monte de biografias fantásticas - todas falsas. Atualmente elas foram substituídas por uma mensagem informando que o artista "se aposentou". Eu estou rezando pra que seja mais uma brincadeira...

Cex

Cex é, literalmente, um moleque. Seu primeiro lançamento foi em 1998, quando ele tinha 16 anos. Os discos da sua fase de IDM seriam um trabalho de altíssima seriedade... não fossem algumas faixas de gozação que sempre abrem, fecham ou entremeiam os seus discos: "High Scores", por exemplo, é uma pegadinha sonora envolvendo um casal de lésbicas e um Playstation (sério!). "Furcoat" abre com um casal de músicos falsos chegando no tapete vermelho do MTV Music Awards e confrontando um Cex versão gangsta, com facas e tudo.

Beastie Boys

Os caras já são naturalmente espirituosos, mas o lado "piadinhas" dos Beastie Boys sai mesmo do armário é na coletânea "Anthology - The Sounds of Science", cheia de faixas, digamos, "descompromissadas", como o inesperado country em "Railroad Blues" e "Country Mike's Theme", ou a hilária "Boomin' Granny" que versa sobre o amor pelas velhinhas, e que merece um trechinho da letra reproduzido aqui:

Because I saw you at the check-out line
You dropped your coupons, and you were looking fine
Sophisticated, and so mature
I couldn't really care if you're sixty or seventy-four
Because I want ya, and I need ya...

Mas a melhor é "Netty's Girl", uma baladinha dor-de-cotovelo cantada por um Mike D. e um Ad Rock que, ou estavam realmente bêbados, ou fizeram a melhor performance pseudo-etílica da história. Ouça você mesmo:

Nettys Girl - Beastie Boys

No MySpace do cara tá escrito assim:

DF Tram is one of the most respected chillout djs/producers in north america and also one of the brains behind the band jumpcut and the ambisonic collective.

Os sets dele são simplesmente geniais: faixas clássicas de ambient temperadas com samples obscuros, divertidos ou inusitados: jingles de comerciais dos anos 60, trechos de palestras sobre drogas, canções infantis, áudio de missões da NASA e o que mais der na telha. Acontece bem do jeitinho que o slogan da Rádio AmbiSonic diz: "tuning you in, chilling you out".

Uma boa iniciação ao trabalho de DF Tram são os sets da Chillits, pequena (e exclusiva) festa anual do gênero. Todos os sets de todos os DJs que tocaram na festa, desde o ano 2000, estão disponíveis para download. Os de 2005 e 2007 eu garanto.


(escute e compreenda enquanto lê)

a wikipedia diz que é post-rock; a pitchfork prefere modern chamber music with an indie rock sensibility. tem quem goste de post-classical, o que é meio grandiloqüente. RACHEL's flutua por esses lugares todos, e ainda coloca um pouco de field recordings e experimenta, ou seja, cabe como uma luva em nosso tão querido avant-garde.

a escalação dos instrumentos vem assim:

Jason Noble - guitar, bass, and sampler
Rachel Grimes - piano, harpsichord, organ
Christian Frederickson - viola and laptop
Edward Grimes - drums, vibraphone, sampler
Greg King - films and keyboards
Eve Miller - cello

e não raro, tocam com mais cordas e instrumentos orquestrais. projeto um-dia paralelo e logo depois solo de Jason Noble, do RODAN, já fizeram shows em museus, bibliotecas e inferninhos. com suas muitas camadas de texturas, em certos momentos provocam curiosidade; em outros, é simplemente belo. há alternância de sonoridades entre canções (e entre discos); embora gostem de criar avalanches de notas rápidas, também trabalham muito com tempos quase parando, ambient, rarefeitos. e sempre com riqueza: um trabalho minimalista de composição acaba sutil diante do resultado.

apesar disso, as canções de Rachel's não são brancas, ou mera trilha sonora. elas são provocantes e muitas vezes despertam inquietude. geralmente trabalhando conceitualmente seus álbuns, trazem temas como as grandes cidades e a vida moderna (quase sempre de forma instrumental - raras são faixas com vocal). cada música tem grande evolução própria, que acaba costurando-se no todo do disco - principalmente em Selenography e Systems/Layers, os mais notáveis entre os seis (mais um split com o MATMOS) lançados entre 1995 e 2005.

atualmente, a banda está em hiato, e seus integrantes dedicam-se a outros projetos.


(e esses embeds do imeem são mui lentos pra carregar)

site oficialpágina na touch and go

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se eu fosse um produtor falaria muitas merdas pras bandas que gravasse, entre elas eu diria que você tem que ter um certo cuidado ao montar uma banda desse tal de post-rock que caminhe pelas mesmas trilhas que Explosions in The Sky, Mogwai e Pelican caminharam em dado momento de suas carreiras. Essas três bandas foram desbravadoras de novas sonoridades que estavam esperando para serem descobertas e abusadas. Quando você quer tocar tão alto e letargicamente quando o Pelican tem de ter cuidado.

com o quê, perguntaria um jovem sentado no lobby do estúdio trocando as faixas no seu iPod. tem de ter cuidado pra não tocar a mesma coisa que já foi tocada antes, com a mesma emoção, progressão e experimentação. Isso é foda, esse tipo de música ainda não encontrou uma banda que consiga subvertê-la a ponto de virar uma coisa nova. Faz anos que as bandas tocam praticamente a mesma coisa. Os detalhes é que fazem uma ter um disco superior a outra, um som mais cativante, mais pesado, mais urgente e ligeiramente inovador.

detalhes tão bestas que variam de ouvinte pra ouvinte de forma assustadora. Enquanto eu fico achando que aquela faixa do Russian Circles é a melhor coisa do ano um conhecido meu nem conseguiu escutar até o final. E o que o Three Steps To The Ocean tem de interessante que valha a recomendação? um toque de eletrônico nas suas três canções do EP de estréia self-titled seria uma boa. A temática, digamos assim, oceânica (o nome da banda acabou por ser deveras apropriado) seria outra.

prefiro ficar com essa coisa do oceano. as três faixas são como um tema para quem já ficou de madrugada olhando o mar batendo forte na praia enquanto divagava em pensamentos intranquilos. isso é o que faz o Three Steps To The Ocean uma banda pra ouvir alto e prestar atenção na bateria ditatorial de Davide e nas linhas melódicas que se repetem várias vezes até encontrar algo novo. Esses caras devem ser muito bons ao vivo.

aí o cara sentado no lobby do estúdio não ia entender nada.

736px-Drum_kit_illustration

num extremo, se tem o ultraeconômico kit de bateria do rock - bumbo, caixa, chimbal, surdo, dois tom-tons e dois pratos - se muito. se for punk, tira dois itens, e o resto está em péssimo estado.
no outro - o do metal progressivo, existem verdadeiros TAJ MAHAL de latinhas cromadas como este HUMILDE drum kit de Mike Portnoy, baterista do Dream Theater.

drum kit: Mike Portnoy

na primeira olhada, dá vontade de vomitar. é um exagero desnecessário, como um cachorro cravejado de diamantes ou acender charutos usando pequenas civilizações como fogo.

mas aí vai ver o cara tocar, né.


e aí? show off ou caprichos de quem tem técnica - e grana?
pra mim, é o meia que fica sambando com a bola minuto e meio na frente do marcador, dá um balãozinho e sai fazendo o drible da foca - aos 43 minutos do segundo tempo de uma partida sendo vencida por seis a zero, com a torcida gritando olé. toca muito, mas ficou desnecessário. e ao contrário de um grande jogada de futebol - brega.


mas então se descobre que isso é só metade do caminho.





se Terry Bozzio não fosse o músico histórico (cof *Frank Zappa* cof) que é, ia dizer que era impotente.





CINCO bumbos?


hat-tip: deciblog

post de sexta-feira baixando a mão do peso em favor de riffs garageiros e inteligentes.

indie rock? meu problema com as tags "indie" [e, em certa medida, "emo"] não são de caráter preconceituoso. o que eu não não gosto é de atitude blasé com a música. deixo a (terrível) estética de lado, porque essa conexão eu não faço, escuto com os ouvidos, e se não me vale, descarto o derredor. mas se tu quer que eu ouça a tua banda, bicho, é melhor botar vontade nisso aí que tu tá fazendo.

é o que se chama, no futebol gaúcho, de "pegada". time tem que ter pegada, e banda de rock também. é evidente que só isso não basta; os rótulos acima são abrangentes e neles cabem desde acefalia 4x4 a distorções e experimentalismos à alt/noise/math.

resumo da ópera? escute com o pisca-alerta ligado e cuide quando usam a palavra "folk". e ao encontrar uma banda boa o suficiente, se na dúvida, chame de POST-HARDCORE. que foi a forma (absolutamente impopular) encontrada pelos nerds musicais de plantão para diferenciar indie, emo e screamo de pop rock mainstream.


mais introdução que conteúdo, mas finalmente chegando ao objeto de culto: durou apenas um ano, a trajetória do grande KID KILOWATT. chamado de supergrupo - mas também, hoje em dia tudo que é projeto paralelo misturando duas ou mais bandas é supergrupo -, fato é que reuniram-se metade do CAVE IN (Stephen Brodsky e Adam McGrath), um pedaço do CONVERGE (Kurt Ballou), Aaron Stewart do PIEBALD e mais um batera local. conte aí três guitarras e um baixo. isso era 1996, o Cave In era sludge metal, o Converge puro math/hardcore, e este projeto paralelo, uma elegia à GIANT'S CHAIR - ou, nas palavras de Brodsky, "our little softie rock outlet from the metal of Cave In". resenha no scenepointblank faz uma boa relação com At the Drive-In - embora o Kid seja bem menos performático, e mais amistoso.

poucos shows e gravações esparsas, a banda foi aposentada em 1997. no ano seguinte, os integrantes resolveram gravar todo o material que tinham, e aproveitaram pra compor mais três faixas. e em 2004 (!) a Hydra Head lançou Guitar Method, disco-debut-compilação-póstuma da banda.

resultado: mais culto, mais reverências, e um grande, belo, instigante álbum de indie rock. daqueles que fazem o rótulo brilhar, enquanto gente maquiada se preocupa mais com a roupa do show do que com os riffs. o vocal descolado e limpo de Brodsky não deixa dúvida de que estamos em terreno melódico, e as linhas de guitarra, como é de se esperar, dominam as composições. dissonâncias e toques de noise completam o cardápio e o resultado é tão cativante quanto raro.

raro bem à feição da cena alternativa gringa da segunda metade dos 90, onde músicos trocavam de banda e colaboravam entre si como quem pega mais uma cerveja, lançando projetos corajosos, de vanguarda e efêmeros, destinados a permanecerem locais e durarem alguns soluços.


até que houve a internet, claro.


mp3: the scopebicycle song
wiki@cave-in.netresenha @tufts observer

é [quase] sempre engraçado quando o metal extremo sai do underground e dá um passeio pelo mainstream.

um comercial de tevê britânico para o disco novo do Deicide, então, é pérola.




será que vende?
e por que não venderia, né?

via metalsucks.

(vou aproveitar um texto antigo meu sobre o Pelican pois tal banda deve constar nos autos do impop e também porque assisti hoje esse vídeo aqui)

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fica meio complicado falar sobre o Pelican sem escrever que eles tocam uma espécie de metal instrumental - post-metal, talvez? Complicado porque para muitos a palavra Metal passa longe de algo que se deva manter no player junto com o hype da semana. Como sou um ouvinte ocasional de velhos discos de metal sempre de olho em algo mais novo aqui e ali do estilo não tive esse preconceito contra o Pelican na ocasião do lançamento do primeiro EP. Chapei com as camadas sonoras e o peso descomunal de duas guitarras, baixo e uma bateria tão pesada que parece trincar os fones durante uma virada.

o disco fenomenal veio em 2005 com The Fire In Our Throats Will Beckon the Thaw onde o peso aliou-se à uma atmosfera contemplativa e orgânica (por mais que não goste de usar "orgânico" ao falar de música) de beleza melancólica, canções longas com um pé no progressivo - mas bem de leve - e o peso arrebatador que não permitia respiros ocasionais fora do momento certo, dá pra dizer que o disco ditava o ritmo do seu jeito. Foi com esse disco que o Pelican saiu das publicações especializadas e até apareceu em círculos de metal "moderno" como uma possível next big thing. Mas desde o primeiro EP a identidade sonora única da banda estava definida e era uma questão de tempo até sair um disco tão bom quanto esse - ou então caísse na mesmice que permeia o estilo.

em junho de 2006 saiu City Of Echoes, que vinha sendo cunhado em shows há um bom tempo e para os fãs já tinha material conhecido. A mudança de atmosfera é logo perceptível: as canções não são tão longas, não há mais tanto espaço para trabalhar as melodias até o peso ensurdecedor cair de uma vez. Mas isso não significa que eles estejam tocando mais rápido ou coisa assim. O espaço para contemplação deu vez ao baque seco dos andamentos menos progressivos e mais focados em riffs altos. Um bom exemplo é a incrível Lost in the Headlights onde a bateria começa barulhenta até ser amparada por riffs oldschool tocados com um quê stoner pra fazer a cabeça balançar sem perceber.

a cozinha é um espetáculo à parte. O baixo possui um tom estranho um pouco agudo e distorcido fácil de identificar e sempre preenche os (poucos) espaços deixados pelas guitarras sem deixar a sensação de "massa sonora" desaparecer. A bateria continua densa e com um ritmo pulsante - quando o bumbo duplo começa a atordoar não tem jeito, é melhor prestar atenção e deixa-se levar pelo peso. City Of Echoes não chega a ser tão belo e completo quanto o disco anterior porém mostra que o poder de fogo do Pelican não está perto do fim e entrosamento perfeito de seus instrumentos ainda é das coisas mais singulares na música atual, é como escutar algo de Josh Homme - dá pra reconhecer na primeira parte de riff.


ok, o background rápido: uma vez houve uma banda chamada Prisão de Ventre, que era ou foi ser quase uma pré-Graforréia Xilarmônica. e depois as coisas não fecharam muito e Marcelo Birck deixou a banda aos auspícios de Frank Jorge, enquanto estudava e explorava música no Aristóteles de Ananias Jr., Os Atonais e, finalmente solo.


Ié-Ié-Ié do Oiapoque ao Chuí


quem já ouviu a Graforréia, sabe: jovem guarda, bailão, nonsense, regionalismo, noise dodecafônico; mistura que fez dela a banda mais importante do RS na década de 90. Birck, compositor, puxava o trem do experimentalismo. nos projetos pós-GX, deixou isso bem claro - até culminar na obra-prima homônima lançada em 2000, um disco onde psicodelia e colagens desafiaram tudo o que havia feito até então. em Marcelo Birck, o rock sessentista ultrapassou o limite do experimental para tornar-se desafiador. disco que vai ser escavado daqui a uns anos e apontado importante como algum dos Mutantes, genial explorador perdido da música brasileira, não sei como é que esse cara não ficou rico no Japão ainda etc.

depois de oito anos entre shows, participações em convescotes graforréicos, gravações e provavelmente outras coisas, Birck lançou em março Timbres Não Mentem Jamais. como se poderia esperar, é uma continuação domesticada e mais polida do primeiro. na produção e mixagem, notadamente; as composições seguem lisérgicas, mas ganharam um outro fiel da balança na dose de experimentalismo. se o primeiro é marcado por um tom garageiro e agressivo, este é mais macio e amistoso; porém sem abandonar o espírito anti-pasteurizante de complicar e inverter singelos acordes. uma das técnicas recorrentes são as sobreposições desencontradas de trechos da música - usadas magistralmente neste disco. faixas como "Ouça esta Canção" e "Fluidez Borbulhante" (principalmente) são bons exemplos: temas simples e melódicos que vão emaranhando-se em harmonias trançadas e hipnóticas - colocando psych-heads como Jupiter Maçã num lugar bem mais modesto. há também temas velozes e dissonantes, e as vinhetas cibernéticas de praxe. o som de Marcelo Birck é um banquete de rock cerebral. uma jornada arriscada e gratificante.

e que faz todo o rock brasileiro se orgulhar, e enrubescer.


Tricicloscópio

todos os discos de Birck e seus projetos anteriores estão disponíveis em streaming no site do artista.


site oficialmyspaceblog

se a pergunta é "o que surgiu de melhor no metal extremo até este momento do ano*",
a resposta é http://impop.muxtape.com/!

01 Ihsahn - Unhealer 6'18
O NOVO DISCO DO EX-VOCALISTA DO EMPEROR CONTA COM BAIXO E BATERIA DO VENERADO SPIRAL ARCHITECT. NESTA FAIXA, PARTICIPAÇÃO DE MIKAEL AKERFELDT, DO OPETH
02 Textures - Old Days Born Anew 5'36
TEM CHEIRO DE MESHUGGAH E COR DE MESHUGGAH, MAS É MAIS PROG E, ATUALMENTE, BEM MAIS INSPIRADO
03 Aborted - The Chyme Congeries 3'46
OS AÇOUGUEIROS BELGAS VÃO LANÇAR SEU MELHOR DISCO ESTE ANO, E SERÃO PROMOVIDOS AO PRIMEIRO TIME DO DEATH/GRIND. PRIMEIRO CANDIDATO A MELHOR DE 2008
04 Hour of Penance - Absence of Truth 3'09
RARA BANDA ITALIANA QUE NÃO FAZ METAL ÉPICO, PARA ALEGRIA DE TODOS OS POVOS. MASSA SONORA BRUTAL/TECHNICAL PERTURBADORA
05 Emeth - Anochi Kofer 4'02
OUTRA BANDA BELGA QUE VEM GANHANDO DESTAQUE NA CENA BRUTAL DEATH; TELESIS, O TERCEIRO, É O DISCO MELHOR PRODUZIDO E ESCRITO. NAS CERCANIAS DO SLAM DEATH E CHEIO DE PRETENSÕES
06 The Monolith Deathcult - Demigod 6'34
MISTURANDO DESTRUIÇÃO COMPLETA E PROFANAÇÕES A ELEMENTOS ATMOSFÉRICOS, OS HOLANDESES DO TMD BOTAM TUDO ABAIXO E MERECEM MAIOR DESTAQUE NO CENÁRIO A PARTIR DE TRIVMVIRATE
07 Abacinate - Negating the Omnipotence of your So Called Man in the Sky 4'14
EXCELENTE ESTRÉIA! MIXA TECH DEATH, THRASH, GRIND E HARDCORE, COM BOA DOSE DE GORE E SAMPLES DE FILMES OBSCUROS. INVENÇÃO DE MODA ONDE O RESULTADO NÃO DECEPCIONA
08 Arsis - My Oath to Madness 3'54
UM DOS MAIS AGUARDADOS DO ANO, WE ARE THE NIGHTMARE NÃO É O DISCO MAIS INSPIRADO DO ARSIS - MAS TUDO QUE SE ESPERA DA BANDA ESTÁ LÁ: MELODEATH À AT THE GATES COM VOCAL RASGADO E RIFFS NEOCLÁSSICOS
09 Hateform - As God As 5'00
DO DEATH/THRASH FINLANDÊS, OUTRA ESTRÉIA IMPRESSIONANTE! COMPOSIÇÕES FANTÁSTICAS, GUITARREIRA FUZILANTE E MIXAGEM OLD SCHOOL SÃO ELEMENTOS DE DOMINANCE, DISCO QUE NÃO DEVERIA ESTAR PASSANDO DESPERCEBIDO NA CENA
10 Asphyxia (AUS) - Defiled 2'31
DAS MUITAS COM ESSE NOME, ESTA É A ESTREANTE AUSTRALIANA. TECHNICAL DEATH CADENCIADO E GROOVY COM LINHAS DE BAIXO BRILHANTES E VOCAL VARIANDO ENTRE O RAW E O GROWL. BASTANTE PROMISSORA
11 Netherworld - Frozen Divinity 7'16
DRONE BÔNUS PARA SEUS OUVIDOS; FECHANDO COM O AMBIENT DO ONE-MAN PROJECT NETHERWORLD, MAIS CONHECIDO PELO SELO "GLACIAL MOVEMENTS" E QUE LANÇOU UM BELÍSSIMO SPLIT COLLAB COM O NADJA, MAGMA TO ICE


sem medo de errar: 2008 já é muito melhor para o metal do que o ano passado. escute a mixtape aqui. and rejoice.

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*contém leaks

nas noites em que eu não quero ouvir nada específico e o shuffle fica me sacaneando com porcaria (ou insistindo pateticamente em Alice in Chains ou Megadeth, que ele adora), um dos coringas dourados é Wes Montgomery.

se acontecer por aí também, quebre a vidraça com o vídeo abaixo. Full House não é só o meu tema preferido - é um dos riffs mais memoráveis do jazz.

do tipo, se isso não te cativar, cara - é melhor começar a se preocupar.

[e pra quem toca guitarra, bônus: quero ver tu fazer metade disso aí tudo com o DEDÃO que nem o gênio.]


Eu adoro o podcast da revista XLR8R - Não tem locução nem conversa fiada: ou é um apanhado de música nova ou um DJ set de gente muito fina.

Hoje fui almoçar tirando o atraso dos podcasts e ouvi muita música interessante vinda de lá. Clique nos links pra ouvir a faixa que eu comento:

MC Gringo - Alemão - Isso é globalização, meu amigo! MC Gringo é realmente alemão - um jornalista que mora no Rio e canta funk carioca em português com um sotaque hilário. Note que a base da música é emprestada do Kraftwerk...

Christopher Bissonnette - Jour et Nuit - Ah, o ambient. Aquele gênero musical onde cada faixa tem 10 minutos de porra nenhuma acontecendo. Por isso que, quando o ambient é bom, ele é realmente bom: afinal, é complicado fazer uma música boa usando apenas harmonias, texturas e reverb.

Otic Angst - Need That Love - Tem só 23 anos o tal Otic Angst, mas o moleque produz seu "electro-soul" com esmero: cuida da batida, escolhe bem seus samples, inclui uma ou outra variação inusitada para manter o interesse e depois mistura tudo na medida certa. O resultado? "Need That Love" faz você levantar as duas sobrancelhas e sentir vontade de mexer a bunda.

Débruit - Pointy - Soa quebrada, como se o cérebro estivesse doidão de alguma coisa e só conseguisse pensar pelas metades. Pra quem não usa drogas (meu caso) esse tipo de coisa é sempre interessante, é o jeito "limpo" de conseguir uma experiência mental parecida.

Don Cavalli - New Hollywood Babylon - Imagine Wesley Wilis compondo folk rock para filmes de Bollywood. Coisa linda! E o tal Don Cavalli é, surpreendentemente, francês.

Bonus: Synth Tax, DJ set de Kid Kameleon (que escreve para a revista), contém funk carioca e Bonde do Rolê, mas AINDA ASSIM é a coisa mais divertida do universo e é absolutamente IMPERDÍVEL. Baixe djá e ouça sem preconceitos.

impop