Retomando a extremamente impopular série de termos jurídicos absurdos deste blog (veja mais termos aqui), a palavra do dia é acareação.
A acareação é um meio de prova previsto no Código de Processo Penal pelo qual acusados, testemunhas e/ou vítimas são colocados frente e frente para novos questionamentos, com vistas a esclarecer pontos divergentes entre seus depoimentos.
A palavra vem do verbo acarear, ou seja, salvar o mundo das cáries colocar cara a cara.
É usada para quando esses personagens do processo já prestaram seus depoimentos, mas foi possível perceber uma certa contradição nos fatos entre o que disse uns e outros. O réu não precisa se submeter à acareação se não quiser (isso decorre do princípio geral de que ninguém é obrigado a produzir prova contra si mesmo - aliás, forçando um pouco a barra, é possível estender esse princípio para escapar da exigência de se fazer o teste do bafômetro!).
Imagine a seguinte situação: aconteceu um crime de furto, e duas pessoas que estavam passando pela rua no momento presenciaram a cena. Em seus testemunhos em juízo, uma testemunha garante que o possível ladrão fugiu em uma moto. A outra assegura ter visto o larápio escapar de ônibus. Há dois supeitos: um que teria pego o ônibus, e outro que costuma perambular pela cidade com uma moto. Como uma testemunha não pode ouvir o depoimento de outra, as partes do processo, a autoridade policial, ou o próprio juiz, podem achar por bem ouvir novamente as duas testemunhas juntas, como uma forma de tentar determinar, afinal, se o ladrão fugiu de moto ou de ônibus. Esse confrontamento das duas testemunhas é conhecido como acareação.
Aplicação na vida prática:
Você não foi na festa, mas seu namorado foi. No dia seguinte, naturalmente, você vai procurar saber, através de amigos, como ele se comportou sem você. Se uma amiga disser que o viu com uma loira, outra disser que o viu com uma morena, e uma terceira jurar de pé junto que ele estava sozinho o tempo todo, uma saída é colocar as três frente a frente - e se possível, também, o namorado - até que consiga extrair a verdade (acareação enjambrada detected!).
Cansado de sua vidinha online pacata? Crie um fake! Você pode interagir em diversas comunidades no Orkut, passear quase incólume por sites como fóruns de discussão e bate-papos, e até mesmo arrancar boas risadas dos demais usuários do Twitter. Tudo isso sem ter que se preocupar em ser você mesmo.
Na escalada social do dia-a-dia, precisamos a todo momento tomar conta de nossa identidade, de forma consciente ou inconsciente. Na prática, como nem todo mundo é paranóico com sua própria imagem o tempo todo, muita coisa passa batida, e mesmo sem querer o que não queríamos demonstrar pode acabar se transformando no modo como os outros nos vêem (Goffman vai dizer que há as impressões dadas, a parte que a gente controla, e as impressões emitidas, aquela parcela de nossa identidade que foge ao nosso controle).
Mas e naqueles momentos em que tudo o que se quer é simplesmente relaxar? Bom, para essas situações, pode-se recorrer a um perfil fake.

Praia deserta para fakes no Orkut
No Orkut, há todo um submundo dedicado aos fakes. Há shopping de fakes, festas de fakes, e até mesmo uma agência de adoção para bebês fakes. Fakes casam, têm filhos, visitam lugares exóticos, e até "morrem" (morrer, em linguagem fake, significa deletar seu perfil). O problema é que os fakes acabam levando uma vida tão normal, mas tão normal, que precisam também enfrentar o dilema de conseguir cada vez mais e mais amigos. E o que era para ser solução acaba se transformando em um novo problema. Se é para ter os mesmos problemas de um perfil normal, qual a vantagem de ser fake? A vantagem pode ser vista neste vídeo: A liberdade. A possibilidade de se reinventar a cada dia. A experimentação de identidades. A construção e representação de novos papéis, ainda que virtuais.
No Twitter, ao menos por enquanto, a apropriação da ferramenta pelos fakes tem sido um tanto diferente. Se no Orkut o propósito é mais voltado para a experimentação de identidades, no Twitter os fakes buscam parodiar personagens famosos. Para que a paródia faça o máximo de sucesso, é preciso elevar à máxima potência o controle das impressões emitidas pelo personagem que se quer interpretar. Como resultado, alguns personagens fakes fazem enorme sucesso.
Há a Maisa do Sabado Animado, a Dercy Gonçalves, e até um Delegado da Polícia Federal fake. Fakes até conversam com outros fakes. Mas o sucesso mesmo é do Vitor Fasano (a versão fake do ator Victor Fasano; há até mesmo uma versão fake do fake, bem como uma versão fake do fake do fake, além de uma versão fake do fake do fake do fake). Muitos até mesmo passaram a adotar um estilo VF de vida.
Criar um fake não é nada fácil. Criar um fake verossímil, então, é mais complicado ainda. Você precisa captar a essência do personagem a ser incorporado de tal modo que interaja com os demais de uma forma natural. De certa forma, o VF do Twitter consegue fazer isso com maestria. Até mesmo fora do próprio Twitter.
Por outro lado, "incorporar" traços da personalidade de outras pessoas pode ser considerado crime, como no caso da falsidade ideológica (art. 299, do Código Penal). Há um limite entre a piada saudável e o abuso. Além disso, há quem se valha de fakes para cometer crimes, como os de ofensa a honra. Um fake pode até mesmo acabar com uma vida real. Literalmente. Criar um fake de um personagem de desenho animado é completamente diferente de criar um fake para sacanear seu vizinho.
Embora a maior parte dos fakes saia impune (só do ator Victor Fasano, são 4 versões fake no Twitter, e pelo menos outras 10 no Orkut), há a possibilidade de haver ações no judiciário contra aqueles que extrapolam o limite entre diversão e crime.
Alguns perfis fakes para acompanhar no Twitter:
(claro, só o VF realmente vale a pena seguir)
Silvio Santos
Padre Voador
Regina Volpato
Dercy Gonçalves
Maisa Silva (outra versão)
Roberto Justus
Regina Duarte
Leila Lopes
Ruth Lemos (a do sanduiche-iche)
Mari Alexandre
Elza Soares
Eliana
Palmirinha Onofre (alguém me ajuda - quem é este ser???) - vídeo aqui. (Valeu, oProfeTa!)
Tiririca
Ronnie Von
Hebe Camargo
Xuxa
Ana Maria Braga
Susana Vieira
Fábio Assunção
Glorinha (???)
Cissa Guimarães
São Longuinho
Jesus Cristo
Mais sobre fakes no Twitter:
EGO Notícias: O diário falso de Victor Fasano, Roberto Justus, Leila Lopes e outros famosos
De Repente: A "mídia" e a popularização do twitter
A História Doce: Fakes de famosos invadem o twitter
Mashable: Is Social Network Identity Theft a Crime? No, a Pain in the Arse
Depois de trocar de tela várias vezes, buscar algumas coisas no Google, fazer uma pausa para uma breve conversa no MSN, e interromper constantemente a leitura para acompanhar o que de novo estava sendo dito em microblogs como Plurk e Twitter, finalmente consegui terminar de ler o artigo "Is Google Making Us Stupid?", de Nicolas Carr, que foi capa da Atlantic Monthly de julho/agosto deste ano. O argumento central do texto é que a forma de navegação rápida e não-linear da web estaria mudando nossa forma de consumir informações. Se antes conseguíamos numa boa nos concentrar para ler livros imensos, hoje teríamos dificuldades gigantescas para conseguir ler qualquer coisa que contenha mais do que dois parágrafos. Em síntese, a Internet estaria nos deixando mais burros.
O interessante do texto de Nicolas Carr é que ele traz dados variados para exemplificar o quanto a tecnologia poderia estar afetando a forma como adquirimos informação. Se antes dependíamos de suportes textuais bastante lineares, hoje é possível ter contato com bem mais informações navegando através de links pela web. Entretanto, a quantidade e a variedade de informações acessíveis a poucos cliques pode conduzir a múltiplas leituras superficiais, sem que se consiga aprofundar em um único ponto. Por outro lado, o excesso de informação faz com que se tenha cada vez mais que buscar novos caminhos para captar a atenção do leitor. Nunca antes se teve tanta possibilidade de acesso conhecimento. Do mesmo modo, talvez antes não se tivesse tantos atrativos para desviar nossa atenção. De acordo com a tese defendida pelo autor, a Internet estaria alterando nossa forma de aprender, interagir e se expressar.
É possível ler o texto neste link, explorar mais a fundo as referências citadas pelo autor a partir deste link, ou então acompanhar a discussão gerada no espaço de blogs do site da Enciclopédia Britannica.
Estive em Porto Alegre ontem para apresentar os resultados de uma pesquisa sobre usos sociais do Twitter em um evento de iniciação científica. Enquanto minha monografia focava no caráter de blog do Twitter, a pesquisa de IC foi mais voltada para o aspecto de rede social do sistema. E o que pude notar, a partir de uma observação participante da ferramenta, é que, além de servir como plataforma para publicação de conteúdos (algo mais voltado para o caráter de blog), o Twitter pode ser usado para diversas formas, digamos, mais "sociais", tanto para estabelecer (conhecer novas pessoas) quanto para manter laços sociais (reforçar amizades), e esses usos costumam mobilizar diferentes formas de capital social*.
Entretanto, embora tenha encontrado vários exemplos de utilização social da ferramenta, cada vez me convenço mais de que o Twitter se presta mais para difusão de informações do que para conversações. As pessoas parecem usar o Twitter mais para comentar, compartilhar e distribuir informações (notícias estrito senso, ou até mesmo fatos sobre suas vidas) do que propriamente para conversarem umas com as outras. As próprias conversas muitas vezes emergem espontaneamente a partir de informações originalmente compartilhadas pelos usuários. Até surgem conversas, diálogos, mas em geral, pelo que tenho observado, eles rapidamente se dispersam no mar de outras informações no Twitter. O sistema não favorece interações com mais de três usuários, e as trocas comunicativas com mais gente se tornam confusas e difíceis de acompanhar.
Uma apropriação um tanto diferenciada pode ser observada no Plurk, por exemplo; lá, a própria estrutura do sistema favorece que haja mais conversações, mais discussões de determinados tópicos, uma vez que as "conversas" ficam agrupadas debaixo de uma atualização motivadora inicial. Como resultado, tem-se um afastamento ainda maior da idéia de "blog". (-- A Raquel Recuero fez recentemente um post bem interessante sobre as diferenças entre Twitter e Plurk enquanto suportes para conversação.)
E vocês, o que acham? Para que serve o Twitter? Ele estaria voltado mais para a difusão de informações, ou para usos mais sociais? Depois de tantos usos diferenciados que vêm surgindo para ele e para as demais ferramentas similares, ainda faz sentido comparar microblogs com blogs?
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* Para uma maior discussão sobre o tema, deixo aqui
um link para o trabalho que produzi com os resultados da pesquisa sobre capital social e usos do Twitter (uma versão mais burocrática desse mesmo texto foi apresentada à UCPel como relatório de pesquisa).
Entrou no ar hoje o Yahoo! Posts, uma editoria dentro do portal Yahoo Brasil que se propõe a reunir links para posts de blogs sobre temas variados. Os posts são selecionados por quatro consultores e um editor, inicialmente a partir de um grupo de cerca de 100 blogs (a lista dos blogs pode ser conferida aqui).
Alguns pontos interessantes da proposta:
- Os links apontam para o post original, sem interferir no conteúdo dos blogs (permanece a independência editorial; ninguém ia ser doido a ponto de tentar impor regras para se escrever posts de blogs!);
- A seleção inicial reúne blogs de temas bem variados meeesmo (tem os blogs clássicos, aqueles famosos que figuram em tudo quanto é lista de top-qualquer-coisa, mas também há blogs interessantes, mas pouco conhecidos; aos poucos, outros blogs também serão incluídos).
- Com essa seção, o Yahoo! passa a fornecer uma seleção diária de posts variados para o seu público - vale lembrar que o público que freqüenta um portal tende a ser bastante diferente do público que acessa regularmente esses blogs.
- Em contrapartida, os blogueiros cujos posts forem linkados podem vir a receber visitantes novos em seus blogs, o que pode gerar novas conversações.
- Como apontado no Remixtures, diferentemente de outros sites, que se baseiam no crowdsourcing ou em ferramentas automáticas para seleção de conteúdo, a escolha dos posts que irão constar na home do Y!Posts é feita por um conselho editorial, formado por cinco blogueiros, que faz sua escolha a partir do conteúdo publicado nos 108 blogs pré-selecionados para o projeto.
A página entrou no ar ainda com algumas partes faltantes (como a FAQ), e o pessoal chiou no Twitter. Reclamaram tanto da parte técnica que esqueceram de comentar a idéia, o conteúdo... De qualquer modo, o buzz gerado logo na estréia foi considerável.
A proposta parece interessante. Resta saber como irá se desdobrar, e isso só o tempo poderá dizer. Para saber mais sobre o projeto, consulte a FAQ do site (que agora está no ar!). Este post do Ian traz uma boa explicação geral do projeto (mas praticamente assassina o nome deste blog, chamando-o de Jus Comunicatio - tudo bem, ninguém mandou colocar um nome tão esquisito em um blog :P).
Na tarde de ontem, aconteceu um terremoto em Los Angeles de 5,4 pontos na Escala Richter. Abstraindo um pouco a parte trágica da coisa (na verdade, só houve danos materiais; ninguém ficou ferido), o interessante foi que, ao menos desta vez, foi possível ter uma boa noção geral do quanto o Twitter pode ser ágil como meio de comunicação nessas situações.
De acordo com o blog do Twitter, as primeiras atualizações sobre o terremoto teriam levado segundos para aparecer no microblog (em contraposição, o despacho da AP sobre o terremoto só foi ser emitido 9 minutos depois do acontecimento). Pouco tempo depois, a conta da Cruz Vermelha no Twitter já enviava dicas de como enfrentar a situação para possíveis atingidos pelo terremoto (um uso bem interessante da ferramenta, como apontou o Tiago Dória, considerando que se pode receber as atualizações pelo celular).

Twitscoop - busca pelo termo "earthquake" nos últimos 3 dias
A quantidade de atualizações também surpreendeu (vide gráfico acima). Teve até uma mulher que fez, digamos, uma cobertura bem pessoal do terremoto, e acabou virando um meme espontâneo no Twitter.
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Curiosidade: a
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Bônus: também há vídeos interessantes do terremoto no YouTube (via newsblog).
O Google finalmente abriu o Knol para o público - ele estava em beta fechado desde dezembro do ano passado. Em linhas gerais, o Knol seria uma espécie de enciclopédia colaborativa online, mas com autoria identificada, concorrência entre autores, possibilidade de lucro, e busca por reputação - praticamente uma Wikipedia sem a horizontalidade inerente ao formato wiki.
O blog ReadWriteWeb comparou o sistema do Knol com o Mahalo. A diferença é que no Mahalo a disputa é por fornecer o maior número de links sobre um determinado tópico apontando para fontes diferentes. No Knol, distorções podem acontecer (tipo uma página em que todos os links - surpresa! - apontam para o site do criador da entrada). Além disso, pelo fato de que o usuário pode lucrar, com sua própria conta no AdSense, a partir das páginas que disponibiliza no Knol, pode-se esperar uma disputa acirrada pelos artigos mais populares. E o Google vai ter que encontrar uma maneira de lidar com o spam. Mais um pouquinho e já aparecerão "especialistas" em SEO bolando estratégias para lucrar com definições estratégicas.
Da Ajuda do site: o Knol é um site que hospeda vários "knols", ou, unidades de conhecimento ("knowledge", em inglês). A participação do usuário não se limita a escrever textos: pode-se comentar, avaliar e sugerir informações relacionadas. Ou então escrever outros textos sobre o mesmo tópico e deixar a comunidade decidir qual é o melhor. A idéia é que os demais usuários possam ajudar a avaliar a qualidade e a veracidade das informações prestadas. O autor da entrada escolhe a licença que dará ao conteúdo (CC com atribuição, CC com atribuição e para fins não comerciais, ou copyright) e se irá convidar outros autores, ou manter seu conteúdo fechado.
Os textos são submetidos aos Termos de Serviço e à Política de Conteúdo do site. Afora isso, não há nenhuma espécie de edição por parte do Google - a proposta é que os próprios usuários, aos poucos, com sua participação, ajudem a separar o joio do trigo, o conteúdo bom do meia boca.
Por enquanto, o único conteúdo externo que pode ser acrescentado aos knols são cartoons da revista New Yorker (?). Aos poucos, o serviço irá firmar parcerias com outros sites. É de estranhar o fato de que ainda não é possível acrescentar vídeos do YouTube...
O Know não é tão colaborativo quanto um wiki (mesmo assim, algumas iniciativas de colaboração já começam a aparecer). Mas com um sistema de votos a la Digg (Google está por comprar o Digg) poderia ficar bem bacana :)
Resta saber como se dará a apropriação social da ferramenta. Muito provavelmente usos inventivos surgirão à medida que a base de usuários aumente.
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Assunto paralelo: falando em projetos abertos ao público, o socialmedian anuncia que irá migrar de alfa privado para beta público em pouco tempo. Trata-se de um projeto interessante, para compartilhamento de notícias e informações, mas que só terá graça mesmo quando mais pessoas conhecidas passarem a usá-lo.
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Obs.: os links para o Knol foram devidamente 'relnofollowados' :)
Demorei um pouco para aceitar a morte da Tina. Vi o post do marido dela assim que ele apareceu em meu Google Reader, mas esperei algum tempo para me manifestar. Vai ver eu tinha entendido mal ou algo parecido. Como assim a Tina tinha falecido dois dias antes de seu aniversário? Simplesmente não fazia sentido.
Quando apareceram os primeiros comentários ao post, vi o quanto a situação era séria. Ontem no Twitter, em um momento de catarse coletiva, diversos tipos de sentimentos afloraram com relação ao acontecido. E embora alguns tenham tido reações infantis, muitos lamentaram o ocorrido.
Pelo fato de ela freqüentar vários blogs, ela era odiada por uns, tolerada por outros, e amiga de muitos. Nesses últimos anos, a Tina Oiticia Harris constituiu uma parte importante da blogosfera. Era incrível como alguém conseguia comentar diariamente em tantos blogs, relacionar-se com tanta gente. A Tina era alguém que, apesar de conviver com diversos problemas de saúde, via na blogosfera uma válvula de escape e uma maneira de se socializar, de se sentir entre iguais. E sua participação não se limitava só a comentar em blogs. Ela enviava mensagens pelo Twitter, e-mails com recomendações de posts, também trocávamos links no del.icio.us (era a Rede Anarchic_Universe no del.icio.us, como ela gostava de frisar), chegamos a conversar pelo telefone algumas vezes. Em uma dessas ocasiões, ela me ligou porque achou que eu estava de mal com ela porque a tinha removido como contato no del.icio.us. Conversamos por horas até ela ver que não tinha nada de errado entre nós. Depois que a adicionei de volta, ela me enviou um cartão virtual em agradecimento - um gesto bastante simpático de sua parte. Até hoje tenho esse e-mail marcado com uma estrela no Gmail (o que significa e-mails lidos, mas não respondidos). Senti-me mal ao constatar que não havia respondido não só este como mais de metade dos e-mails que recebi dela ao longo desses últimos anos. Agora é tarde demais.
Na época da "treta" com o Kid, ainda não conhecia a Tina. Mas acompanhei de perto a confusão com o Marcus - e embora tenha achado que, na ocasião, nenhum dos dois tivesse total razão (sorry, Marcus), foi a partir daquela situação que passei a compreender melhor a Tina - como um ser único, peculiar, com uma baita bagagem cultural, e que levava muito a sério os relacionamentos que mantinha na blogosfera (e talvez por isso ela acabasse se metendo em tanta confusão). Foi ela quem me apresentou a muitos dos blogs que acompanho atualmente. E aposto que muitos chegaram aqui a partir das recomendações insistentes dela.
Ela me perguntava várias vezes sobre as faculdades, sobre quando eu iria me formar, e chegou até mesmo a ler um dos meus trabalhos, dando-me sugestões de estilo e formatação. O último comentário que recebi dela neste blog, no próprio dia de sua morte, foi esse, me parabenizando pela formatura:
"Meus parabéns, Gabriela!
Passarei aqui daqui a 18 meses para dar parabéns de novo!
E agora, em que área você atuará?
Beijos e felcitações, uma vez mais."
Infelizmente, ela não retornará daqui a 18 meses :(
Lamento pela morte, e espero que sua família - ela deixou marido e filho - consiga superar a perda.
A Tina, sem dúvida, fará muita falta para a blogosfera.
Finalizo o post com a frase com a qual ela me respondeu quando disse que não tinha tempo para fazer o mesmo que ela (comentar em seu blog diariamente):
"Você é responsável por aquilo que que cativa".
Obrigada por tudo, Tina! E peço desculpas, ainda que tardias, por não ter dado em vida toda a atenção que merecias.
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A Luciana, do Cintaliga, fez uma bela homenagem à Tina. O post do Doni também é belo - e critica aqueles que só se limitaram a falar mal da Tina, mesmo sem conhecê-la.
Mas também há o outro lado. Não dá para deixar de mencionar as tão aguardadas manifestações do Kid e do Marcus.
Anteontem fiz um post sobre o TwitScoop. Em linhas gerais (para quem tiver preguiça de clicar no link para ler o post em si), trata-se de (mais) uma (dentre inúmeras) ferramenta criada a partir da API do Twitter, cujo diferencial é exibir uma nuvem de tags atualizada em tempo real com as palavras que estão sem mencionadas naquele instante no Twitter. Divertido, não?
Mas foi só depois de fazer o post que percebi o potencial dessa ferramenta para o jornalismo. No mesmo dia, cheguei a comentar no Twitter que fiquei sabendo de um terremoto nas Filipinas a partir do TwitScoop (veja a imagem acima). E hoje o Donizetti comentou que ficou sabendo de um atentado à embaixada norte-americana em Instambul pela mesma via.
O que há de interessante no TwitScoop, então, é que observar as tags aumentando e diminuindo de tamanho em tempo real não só pode nos revelar tendências do Twitter, como também permite acompanhar o estopim de grandes acontecimentos, em um autêntico crowdsourcing. Em síntese, trata-se não só de uma poderosa ferramenta de marketing, como também pode ser usado como uma ferramenta para o jornalismo.
Depois de passar vários finais de semana em casa digitando no Word (com direito a ficar sabendo de um incêndio na esquina de casa através do MSN, e não pelo cheiro de queimado, ou pelo barulho das sirenes dos bombeiros), depois de várias madrugadas analisando contas do Twitter, depois de quase fazer este blog virar semente na capa da Verbeat... na sexta-fera, finalmente apresentei meu trabalho de conclusão de curso!
Nos últimos meses estive envolvida com a produção do trabalho, e tive que abrir mão de algumas atividades para dar tempo de fazer tudo. Um dos mais prejudicados foi este blog (e todas as demais atividades online conexas). Mas a imersão valeu a pena. Desde meados de agosto do ano passado, quando decidi o tema do trabalho (jornalismo no Twitter) até a última sexta, foram muitas leituras, muitas conversas e discussões sobre o tema, enfim, uma verdadeira primeira grande aventura científica.
Com a correria, não deu tempo de agradecer a todo mundo que contribuiu para o trabalho - desde o Jean-Luc Raymond, o primeiro a quem pedi sugestões de contas jornalísticas do Twitter, e que não só respondeu com contribuições, como também me enviou pelo correio um livro sobre jornalismo na era eletrônica, até, bem, eu não teria dado nem o primeiro passo se não fosse a Raquel Recuero ter concordado em orientar um trabalho à primeira vista mirabolante (querer fazer uma monografia sobre jornalismo no Twitter em agosto do ano passado não parecia algo muito, digamos, viável).
Nesta sexta-feira, apresentei o trabalho, com o resultado de minha imersão jornalística no Twitter. Exceto pelo fato de que é preciso colar grau (e de que o diploma, depois, deve ser levado a registro junto ao órgão do Ministério do Trabalho para que--ok, papo chato de regulamentação de profissão), já praticamente posso me considerar uma jornalista.
A apresentação foi bem tranqüila. Ou melhor, depois que passa tudo parece absurdamente simples. Tive uma excelente banca, com diversos apontamentos pertinentes. Gostaria de agradecer, em especial, a participação do professor Alex Primo, da Ufrgs, tanto pela leitura minuciosa do trabalho, como também - e principalmente - por ter aceitado o convite de participar da banca. As inquietações levantadas pelo professor Carlos Recuero também foram bastante instigantes.
Claro que nada disso teria sido possível não fosse a excelente orientação da Raquel, cujas recomendações, sugestões e críticas não só contribuíram para a produção deste trabalho em específico, como também reforçaram em mim a vontade de continuar pesquisando - servindo de base para constituir esse "protótipo de pesquisadora", agora (praticamente) graduada, mas que pretende continuar em frente desbravando o ciberespaço.
Obrigada também aos que assistiram - como o Gilberto Consoni, o Jandré, e outros. A platéia era pequena, mas só estava lá quem realmente importava estar lá no dia :) E eu ia transmitir por live streaming para o Jorge Rocha, mas no fim ele não me lembrou e acabei esquecendo. Aliás, obrigada, Jorge, por também levantar questionamentos pertinentes, ainda na fase de elaboração do trabalho. Ainda estou devendo uma incursão pela sociologia do jornalismo.
A programação deste blog deverá voltar ao normal (a normalidade é um conceito relativo) ao longo deste mês.
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Em tempo: meu próximo TCC precisa ser entregue em agosto de 2009. É nisso que dá terminar um curso, mas continuar cursando outro. Tenho pelo menos mais um ano e meio de Direito pela frente. Na próxima semana ainda tenho algumas provas de segunda chamada, depois vêm as férias. Me formo, e 10 dias depois voltam as aulas!
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* o título do post é em resposta à pergunta feita pela Ariadne Celinne pelo Twitter.
Um adendo ao post anterior: o João Carlos Caribé propôs para o dia 19 de julho uma Blogagem Política Coletiva contra o projeto substitutivo proposto pelo senador Eduardo Azeredo. A idéia é postar em respostas às absurdas proposições do projeto de lei que busca restringir a circulação de informações em meios digitais criminalizando diversas condutas.
Ainda em reação ao projeto de lei, André Lemos e Sérgio Amadeu lançaram um Manifesto em Defesa da Liberdade e do Progresso do Conhecimento na Internet, já ratificado por dezenas de outros pesquisadores lá no blog do Sérgio Amadeu. Visite, leia, e assine também. O Caribé criou ainda uma petição online contra o projeto, e a Raquel Recuero fez um grupo no Facebook. Outra sugestão é que se envie e-mail para os senadores pedindo para que impeçam esse projeto de lei de ir adiante (parece que a votação está prevista para o dia 9 de julho).
É possível acompanhar os desdobramentos do protesto pelos blogs dos pesquisadores mencionados acima, e também pelo Twitter (#blogagempolitica, #ciberativismo).
Imagine como seria se, toda vez que você saísse de casa, uma câmera o acompanhasse onde quer que você fosse, registrando todos os seus passos, gravando tudo o que você diz, e essas informações fossem arquivadas por um período de tempo de 3 anos. Daí se você cometesse algum crime nesse período, não seria preciso fazer grandes esforços para prová-lo - bastaria que a polícia pudesse ter acesso a esses dados, e então a punição seria célere e certeira (em um típico cenário distópico a la máquina do tempo).
Parece absurdo? Pois é mais ou menos isso o que um dos artigos do projeto substitutivo que tramita no Senado pretende fazer com relação à Internet. Aos provedores caberia armazenar todos os nossos dados por 3 anos - tudo o que a gente faz na web, todas as nossas ações na rede. Problema prático (em um mundo ideal, considerando que fosse técnica e economicamente viável guardar todos esses dados)? Isso fere alguns dos princípios básicos insculpidos na Constituição Federal - como a liberdade de informação e a presunção de inocência.
Mesmo assim, o projeto substitutivo foi aprovado nesta semana na Comissão de Constituição e Justiça do Senado - o que em termos práticos significa que ele foi considerado viável frente à Constituição. Ainda há um longo caminho legislativo pela frente, mas só a mínima possibilidade de que esse absurdo jurídico seja aprovado já bastou para fazer a blogosfera chiar.
O projeto não é de todo mau - ele prevê, dentre outras coisas, severas punições contra crimes de pedofilia. Isso é algo positivo. Mas não da forma como está sendo feita.
Sendo assim, quebrarei o combinado de postar apenas duas vezes neste mês (:P) para aderir à campanha contra os projetos de autoria do senador Eduardo Azeredo que buscam controlar a Internet. A campanha foi proposta pelo Sergio Amadeu, em seu blog.

Sim, é o mesmo projeto ainda (aliás, lembram disso?).
Vale lembrar que esse mesmo senador também esteve envolvido no Valerioduto.
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Leia mais no blog do Sérgio Amadeu e na Nova Corja.
Blogs são um meio democrático e livre para manifestar opiniões? Em termos. De acordo com o relatório da WIA (World Information Access), elaborado por alunos da Universidade de Washington - baseado em buscas por informações na própria Internet -, desde 2003, no mundo todo, pelo menos 64 pessoas já foram presas por conta do que disseram em blogs. Boa parte dessas prisões é relacionada a assuntos políticos. E engana-se quem pensa que isso só acontece em países lá do *distante* Oriente. De fato, China, Egito e Irã, respondem por mais da metade das 64 prisões identificadas. Nos últimos anos, entretanto, blogueiros de países como EUA, França e Canadá, embora em número bem menor, também foram presos.
Os crimes cometidos? Há desde blogueiros presos por denunciar casos de corrupção e de violações aos direitos humanos em seus países, ou por expressar opiniões políticas contrárias ao governo, a gente que foi presa por simplesmente postar relatos e fotos de protestos e movimentos sociais, ou por violar normas culturais vigentes em um determinado país.
Algumas prisões são realmente justificadas - como por postar material relativo a pedofilia, ou por incitar a prática de crimes. Mas a maior parte dos motivos alegados parece, para nós, verdadeiros afrontas à liberdade de expressão, como no caso de um blogueiro do Irã preso por criticar a prisão de outros três amigos blogueiros, ou um chinês que, aparentemente, foi preso por defender os direitos humanos em seu blog.
Segundo o relatório, as penas de prisão impostas a esses blogueiros duram, em média, 15 meses. A maior pena encontrada pelo estudo é de 8 anos. Só em 2007 foram 36 prisões. O relatório estima que em 2008 o número de prisões poderá ser superior ao de 2007, pelo menos em relação ao número de prisões por motivos políticos, tanto pelo crescimento do uso do blog como meio de comunicação, quanto pelo fato de que há eleições em países como China, Paquistão, Irã e Estados Unidos. (Eles perceberam que, em 2007, ano de eleições no Egito, o número de prisões de blogueiros nesse país aumentou consideravelmente.)
É possível acessar o relatório da WIA no site do projeto. Uma versão simplificada, com gráficos e informações sintetizadas, pode sera acessada diretamente neste link [PDF].
Via Bitacoras.com
Pelo critério aleatório da diminuição geométrica linear* involuntária da quantidade de posts neste blog nos últimos meses (vide gráfico abaixo), podem esperar, no máximo, duas atualizações para o mês de junho. Ou melhor, esta, e mais uma.
O ritmo "normal" (a normalidade é um conceito relativo) deste blog, juntamente com todas as suas relações blogosféricas conexas, deverá ser retomado apenas em julho.
Gráfico 1 relação entre o número de posts esperado[1] e o número de posts efetivos ao longo de 2008.

[1] média aleatória considerada: um post por dia
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Tudo culpa do Twitter, é claro :P (direta e indiretamente)
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* Valeu, Marcus!
Dois eventos sobre Jornalismo para acompanhar amanhã (28 de maio) pela web:
- Para comemorar os 10 anos da revista eletrônica Cyberfam, os alunos da Famecos, PUCRS, irão realizar uma maratona de 24 horas de discussão sobre jornalismo. Estão previstas entrevistas e atividades das 18h do dia 28 até às 18h do dia seguinte. Será possível acompanhar por áudio, vídeo, e até pelo Twitter. O release do evento pode ser acessado aqui.
- Já em Recife, na UFPE, acontece amanhã o I Seminário de Jornalismo Contemporâneo, promovido pelo Grupo de Pesquisa Jornalismo e Contemporaneidade. Alunos de Jornalismo farão a cobertura ao vivo, por texto, foto e vídeo, no blog do Grupo (Via GJol). Confira a programação do evento aqui.


