quarta-feira, 02/07/2008

julho

Bolas de neve. Fico pensando em bolas de neve, caricaturas de avalanches em desenhos animados e seu uso exagerado em expressão de fala. Sempre preferi a imagem do efeito dominó porque as coisas desabam e tudo se acaba mas de forma tão ordenada e bela.

Fico pensando em bolas de neve porque nunca vi nada do gênero e me pergunto como seria estar presente em uma avalanche.

Não gosto do frio, mas bem que podia nevar. Daria algum propósito a esse exagero de agasalhos e cobertas e café quente. Nem isso.

Em São Paulo o clima é incerto, quatro estações em uma semana. E meus professores de geografia tentando dizer que no sudeste do país só existiam duas estações bem definidas. Nada é muito definido nessa cidade.

Mas o frio. Não gosto. Há uma certa melancolia em rostos pálidos e aquele céu branco de nuvens adormecidas depois que caiu a chuva.

Como se o mundo estivesse pronto para acabar.

[do meu "Que os mortos enterrem".]

segunda-feira, 30/06/2008

e então escrever

essa necessidade de escrever é uma merda. essa angústia do não-escrever é um troço à toa. e me esmaga a existência não produzir coisa alguma. mas pra que escrever? por que precisar escrever? por que não só ler? tantos livros para se ler. ninguém está interessado em personagens que não dizem nada a ninguém que não o escritor. ninguém se importa. são tantos os livros. tantos.

quem mexeu nos meus reflexos?

dizer que o álcool diminui os reflexos é fácil. multar e tirar a carta de motorista bêbado é muito fácil. quero ver é tirarem a carta da minha avó, que viaja pra Atibaia todo fim de semana, pela Fernão Dias. (bom senso, alguém?)

(ou do velho que entrou na minha rua pela contramão, procurando a Alameda Barros, e entrou num dos prédios de carro e tudo, pela portaria. muito bem sóbrio, por sinal).

mas tem que inventar um sonômetro, pra medir o sono, porque o estado de uns tipos logo cedo às sete horas da manhã também é para se desconfiar.

e nem estou dizendo que o álcool não diminui reflexos e toda aquela ladainha yada yada. certos, devem estar muito certos. mas não tem uns motoristas por aí que já são naturalmente todos desreflexados?

(não há como concordar assim como não há como discordar dessa lei. o problema mesmo é o contexto estúpido em que ela surgiu. ninguém estaria reclamando se tivessem certeza que as coisas nesse país de merda costumam funcionar como manda a lei, ou mesmo que a grana que se paga de multa iria para qualquer lugar mais certo do que o bolso de algum político metido a esperto.)

(a não ser que eu vendesse cerveja. aí eu estaria bem brava.)

quarta-feira, 25/06/2008

momento "se mata!" da semana

recebo a prova de Teoria Literária.

5,5/6.

maior nota da turma. (viva!)

no topo da página, a professora escreveu: reveja sua redação.


(agora se joga da janela.)

sábado, 21/06/2008

para ouvir no sábado

ouçam.

o melhor mesmo é a partir dos 13 minutos. vai até os 23 minutos, mais ou menos. pode ouvir tudo, também, se tiver um tempo sobrando. e depois assine o podcast do Acoustic Long Island, porque é muito bom.

mas antes, ouça nesse episódio o "Richard Cashman's stream-of-consciousness Beatles rock opera". pra rolar de rir.

gatinho!

gatinho

prrrr!

[via]
sexta-feira, 20/06/2008

um problema de escala

o vizinho Flávio Prada comentou o último post:

Um problema de escala. Quando estávamos plantados no chão entendíamos que a terra era uma porção plana que estava no centro do universo e nem se sonhava com o microcosmo em nós. Hoje expandimos a verdade e o real, junto com o imaginário e as conquistas. Quando atingirmos a supra-consciência universal, englobaremos os ultra mundos e nossa visão cósmica será eterna e instantânea. Verdade. Voce entendeu o que eu falei? Eu não muito bem, mas achei que ficou bonito. Tá vendo por que se inventa o mundo?
a isso, eu só poderia mesmo concluir, como muito convém, que eis o motivo pelo qual tudo funciona muito melhor na literatura. o mundo, as palavras; faz tudo muito mais sentido no infinito da ficção, e não há qualquer lógica que se possa dar à vida que existe fora dela.

quarta-feira, 18/06/2008

ao que poderia existir como verdade

parece certo que o problema de termos como "real" ou "verdade" (e afins) está no próprio termo. que é essa insistência humana em inventar nome para conceitos abstratos ou essencialmente subjetivos, quase sempre inexistentes.

terça-feira, 17/06/2008

geração internet

a internet está criando uma geração burra?

como pode deixar burro uma coisa que te dá possibilidades? que dá escolhas? que obriga a fazer escolhas?

mas hein?

sim, a nossa sociedade está ficando a cada dia mais burra. não vamos discutir o que é óbvio. mas é por causa da internet? do computador? da tecnologia? do iphone? duvido muito. a internet é só um espaço em que se pode disponibilizar informações. há informações falsas? sim. mas sempre houve, fora dela. sempre haverá. há bobagens e propaganda enganosa. como há fora da internet. como há na televisão e nos jornais e em toda a grande mídia de um modo geral.

a diferença é que na internet você pode escolher.

estão fazendo as escolhas erradas? não duvido. depois de anos aprendendo a assisir às maiores futilidades na televisão, por que esperar que vão procurar ensaios críticos sobre proust na internet? se ninguém se deu ao trabalho de desligar a televisão para, digamos, ler um livro sobre física nuclear, por que esperar que essa gente vá à internet pesquisar sobre a biodiversidade no congo?

claro que não. essa gente vai à internet para assistir a bobagens no youtube, porque é isso que aprenderam com a televisão. vão escrever scraps no orkut do amigo, porque a internet sempre vai ser espelho do que existe fora dela. vão ficar em redes sociais. não fosse a internet, estariam assistindo à MTV (eu diria que a MTV parece ficar a cada dia mais estúpida, mas concluí que ela não fala mais para a minha geração, então eu não seria mais capaz de compreendê-la).

não se lê? claro que não. mas tenho certeza que lêem mais do que antes da internet. ou, ainda: quem lê mal na internet não leria coisa nenhuma se não fosse a internet.

como, então, culpar a burrice da sociedade moderna por uma ferramenta que permite a escolha? não é a internet que dita a escolha. a culpa não é da internet. é da escolha. é do que determina as escolhas. mais que isso: o problema é justamente que as pessoas ainda não são capazes de se livrar do clichê da escolha comum e descobrir o quanto existe por trás dos vídeos do youtube ou da pesquisa rasa na wikipedia.

e não? vão dizer: o google me deixou muito burro, não preciso saber mais nada, basta jogar ali na caixa de busca. mas que merda, hein? desde quando tenho a obrigação de decorar todos os nomes dos rios do estado do maranhão? ou o nome daquele ator, daquele filme? a gente aprende na escola que saber é decorar e reproduzir na prova, e isso é uma estupidez sem tamanho. isso serve pra escola. isso não serve pra vida.

como poderia ser ruim uma ferramenta -- que seja o google -- que te dá a possibilidade de se lembrar dessas informações menores? que tal ocupar a cabeça com qualquer atividade mais... sei lá, criativa? que tal usar a internet como ela pode ser usada?

internet é escolha. e nisso ela é diferente da televisão e de toda a grande mídia. na grande mídia o objetivo é quebrar as pernas da possibilidade de escolher. há esse e aquele canal, esse e aquele programa. mas estão quase todos ligados a uma noção de que se deve falar ao espectador "médio". claro que há um jogo de interesses por trás disso, e nesse jogo de interesses melhor mesmo é emburrecer todo mundo. e por isso o que existe é o clichê.

e convenhamos, quem vocês pensam que está sendo acusado de burro por usar a internet?

o nosso querido espectador "médio".

o que há na televisão se reproduz na internet. o que há em toda a grande mídia se reproduz na internet. mas a internet é infinitamente maior que isso. e a merda é que a grande massa não se dá conta disso. o computador com a internet vira mais um joguinho estúpido para passar o tempo e matar a hora de estudar. pelo menos estão clicando e escrevendo -- feito macacos, mas --. o que não deixa de ser melhor do que passar o dia na frente da televisão. ou não?

segunda-feira, 16/06/2008

pequenas alegrias

chegou meu Lacdose. agora eu posso comer coisas com leite e... sorvete!

pode fazer o frio que fizer, me meto debaixo das cobertas e tomo meu sorvete com lactase. hip hip!

quinta-feira, 12/06/2008

do dia dos namorados

se todo dia é dia de dar e ganhar presente, por que uma data comercial também não seria?

(porque depois de dois meses corrigindo redações sobre indústria cultural, eu quero mais é que o pensamento crítico se exploda).

segunda-feira, 09/06/2008

repensando

testando agora um ou dois dias de paz antes de ser devorada por obrigações outra vez, rabiscando idéias e começando coisas -- adoro começar coisas --, escrevendo sem muita ordem e dando nomes ridículos aos capítulos (como "conversando com o amigo-chefe" ou "chegando no escritório do empresário". ou "capítulo 1", na falta de coisa melhor) que é só pra lembrar depois o que exatamente acontece naquele pedaço de texto.

sempre necessário o Tiagón me cutando pra eu largar de ser neurótica (embora, inevitavelmente, ele só me faça ter ainda mais certeza das minhas neuroses) e fazer o que deve ser feito.

e claro que vou continuar brigando entre a técnica e a literatura (mas hein), como se eu realmente pudesse ter qualquer coisa a dizer, ou escrever. mas eu às vezes tento fugir e me vêm uma dessas forças de gravidade me puxando de volta pro chão. aí eu sonho (tantas vezes), que eu dou um impulso assim para cima com os braços e saio voando.

voar é um troço bem difícil de se fazer, e você precisa estar assim, disposto. mas é possível subir bastante alto para escapar dos prédios e assistir ao pôr-do-sol, como eu fiz algumas vezes, e subi na placa (devia ser de antes do Kassabão matar as placas), e aí descansei um pouco.

de qualquer forma, é melhor voar do que saltar muito alto e só lá em cima se dar conta de que não há forma eficiente de se pousar. isso também eu fiz várias vezes.

em sonhos.

(por isso também eu comprei um allstar verde-militar, que era a única cor decente que tinha tamanho 36, e o meu allstar vermelho começa a falar pelas bordas, quase literalmente. se alguém um dia quiser me dar um presente, um allstar 36 é sempre uma boa opção.)

(e esse meu primeiro post via blog editor do Flock 2.0 alpha1pre e o que mais.)

 

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