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    Twitter é tábua Oui-Ja de Exu


    O dono da calunga ainda é o Exu Caveira
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    setembro 3, 2009

    qui 3set09 14:40
    Você já fechou seu blog hoje?

    Não, não é uma tendência, não tem nada a ver com o tal "fim da blogosfera", sarcasticamente desdenhado no post abaixo. O ritmo de postagem neste blog-blefe - que nunca foi speedy gonzales - estava diminuindo bastante nos últimos dois ou três meses. Não ficarei aqui de chororô, alegando esse ou aquele motivo, mas, agora oficialmente, este blog fecha suas portas. O curioso é que eu estava ensaiando essa pausa a cerca de três semanas e agora estoura esse melelê sobre a brodosfera. Mas resolvi levar adiante minha decisão, mesmo com tanto lero lero a respeito do tema q dá título a esse post. No entanto, ao contrário do jornalismo, este blog não morreu e nem irá dar uma belchiada por aí. As portas fechadas são momentâneas e necessárias para a reforma que será feita por aqui. Nada estupendo ou que poderá reformular o universo, mas algo que será significativo. Um passo ou outro será dado agora, na edição deste ano da Intercom, onde irei apresentar um artigo sobre capital social e capital de influência. De lá, espero voltar com munição. O síndico deste condomínio já foi avisado para não colocar a plaquinha de "aluga-se" neste blog. A vizinhança dorme, respiração suspensa.

    agosto 25, 2009

    ter 25ago09 14:50
    Decálogo da audiência precavida - Parte 2

    Em 2008, para marcar o primeiro aniversário* deste blog-blefe aqui na Verbeat, escrevi o Decálogo da Audiência Precavida. Penso que é hora de atualizar este preceitário - nem adiantar ir no dicionário - e, para tanto, passo a incumbiência para alguns caros amigos**. A saber: Ana Maria Brambilla, Alec Duarte, Marcelo Soares, Marcelo Träsel, Alessandra Carvalho e Daniela Bertocchi. Mas eu duvido que irão aceitar a empreitada; afinal, a blogosfera morreu ...

    Então, senhoras e senhores "convidados": é possível vocês escreverem novos decálogos?

    *o blog completou dois anos neste condomínio em maio último e eu nem falei nada. tsk.

    ** sim, é um maldito meme. vai encarar?

    Atualização: Ana Maria Brambilla e Alec Duarte já deram suas opiniões sobre a morte da blogosfera. Mas ainda estou esperando quem escreva novos Decálogos da Audiência Precavida.

    julho 9, 2009

    qui 9jul09 20:20
    O homem-animal nunca mais voará

    As placas sinalizam: estou no território de Íris Demência. Entocado, como memória, no banco do carona de um Chevette 77 marrom, entro na ossada sinuosa da traquéia que agora serve como túnel. O caminho mais suave. Para baixo, para baixo, para baixo, embala a chanson. Mutarelli de mim mesmo, tamborilo Código Morse no painel do carro: levai as almas todas para o céu. Enquanto os outros dormem, para mim, tudo é pussyble. Bem abaixado em seu banco - para escapar dos tirambaços -, o motorista ciborgue tem o tampo da cabeça cortado. Como proteção, confio em minha Cabeça de Transformer. O Chevette 77, assim como as câmeras panorâmicas instaladas em pontos seguros neste carro, é controlado por relés embutidos no cérebro do ciborgue condutor. Sei que ele conhece este caminho de cor. Eu não me lembrava, com a mesma exatidão, dos caminhos de minha terra. Eram, até agora, apenas tábuas rangendo de madrugada sob o Peso da Palavra. Eis aqui meus excessos: um labirinto de arrecadação de minotauros. Os energons do motorista ciborgue se esvaziam e o carro estanca. Sou cuspido para fora do carro, à frente e abaixo da encosta onde se sustenta uma igreja que se desbota no fundo azul. O antro de meus inimigos? Nenhuma das balas disparadas dentro do túnel me atingiram, mas sei que a trajetória de cada uma delas produziu fios. Paródia de diamastigose: um golpe de marreta afrouxa minhas costelas e me faz lembrar da primeira queda. Antes do golpe, consigo ver a inscrição sabbaoth entalhada na quase-maça. Penso na contrariedade da ocasião para os seguidores ideológicos-lingüísticos do Senhor de Voisin. Mas esqueço rápido. A Palavra. O Peso. Minha cabeça de Optimus Prime rola pelo chão. Tudo que consigo sentir agora é o lento som de uma saqueboute.


    [início do livro - inacabado, é claro - Cabeça de Transformer, de autoria deste que vos digita.]


    julho 7, 2009

    ter 7jul09 19:50
    Entrevista: Guilherme Kujawski


    kuja


    Guilherme Kujawski é jornalista de tecnologia, autor de ficção científica e produtor cultural. Desde 1993, colabora em diversos veículos com artigos e ensaios sobre novas mídias e tecnologias. Entre 2000 e 2002, foi editor de tecnologia da revista Carta Capital. Atualmente, concebe e organiza eventos na área de arte tecnológica para o Instituto Itaú Cultural, onde também edita Cibercultura, revista sobre arte, ciência e tecnologia. Em 1994 publicou o romance Piritas Siderais (Editora Francisco Alves).


    As hipergazetas que você criou em Piritas Siderais preconizaram, de certa maneira, uma forma de escrita que hoje é possível ser percebida no Twitter. Poderíamos então considerar que as hipergazetas e os contos-manchetes seriam os pais de uma narrativa adaptável/utilizável em microblogagem?

    A antevisão dos escritores de FC sempre foi um mistério para mim. Vejo esse caras como uma mistura de áugures e analistas radicais de um presente perfeito. Com relação a essa última colocação, a antevisão é apenas uma justificativa de interpretação projetiva do presente. Tanto que não deveriam ser chamados de futuristas, e sim de presentistas. Com relação às hipergazetas, creio que não se tratou de um caso de antevisão, pois eu estava imbuído naquele momento pela tecnologia dos hipertextos (o livro foi concebido entre 1987 e 1993). Tanto que as hipergazetas eram frases distribuídas em disquetes (sic) que, quando carregadas no computador, poderiam ser recombinadas por meio de cliques sobre os ícones de um besouro, que intermediavam as frases. Portanto, hipergazetas e microblogging são um caso de coincidência total.


    Muito se tem falado - e criticado - a respeito do "jornalismo twitter": uma cobertura concisa e em tempo real neste sistema de microblogagem. Você considera que a utilização de contos-manchetes - não por empresas jornalísticas - poderia ser um caminho "lúdico-filosófico-opinativo" viável para este tipo de cobertura?

    Creio que sim. Ao menos traria uma dimensão "ficcional" aos fatos. Não foi o McLuhan quem disse que o texto jornalístico é o que gera os fatos, e não o contrário? Outra coisa proposta pelas hipergazetas é a concentração informacional oferecida por pílulas textuais. É como se tivéssemos que, atualmente, "compactar" o texto como compactamos as imagens estáticas e os vídeos. Esse tipo de recurso poderia oferecer um panorama mais denso em menor espaço-momento.


    Até que ponto os sistemas de lifecasting e microblogagem estão explorando - ou podem explorar - uma narrativa de hipergazetas? Você enxerga possibilidades de uso destes sistemas nesse sentido?

    Por enquanto, não vejo ainda algo nesse sentido. Mesmo por que eu não esperaria que as hipergazetas estivessem tão alastradas assim. Elas pertencem a um livro obscuro, escrito sob várias influências e certamente com laivos autotélicos! [Autotélico: Diz-se do que tem sentido apenas para si próprio, como no caso de um autor que supostamente escreve só para si mesmo, convencido de que a literatura é apenas entendível por quem a produziu]


    Mocorongos mal-intencionados mixam microblogagem com microbrodagem, monetizando maledicências e mocozando milongas?

    Cara, você é um GRANDE escritor de hipergazetas! Já disse isso e repito aqui agora em público!

    junho 22, 2009

    seg 22jun09 02:28
    Exigindo diploma para tanto chororô

    Enquanto entidades classistas, vários jornalistas e estudantes universitários insistiam em imputar à queda da exigência do diploma todos os males de uma profissão duramente criticada não de hoje, havia quem entendesse que este é apenas um elemento a mais no cenário de transformação - necessária - do Jornalismo.


    Minha estréia no Trezentos, falando sobre a queda da obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista.

    junho 10, 2009

    qua 10jun09 02:33
    Blog da Petrobrás: crítica à mídia ou manobra política tática?

    Escrevo oportunamente este post sobre o trelelê acerca do blog da Petrobrás - doravante aqui tratado como Blogobrás- no dia marcado para que o Supremo Tribunal Federal talvez julgue a obrigatoriedade do diploma. "Talvez" porque, como bem pontua Rogério Christofoletti, a pauta pode ser soterrada pelo julgamento do Mensalão e do caso Goldman. Ou seja, há temas mais pertinentes a serem tratados do que este imbroglio maniqueísta entre corporativos e midialivristas. Como, talvez, o próprio caso Blogobrás versus jornalões, uma vez que estamos presenciando vespeiro em fúria após fortes cutucões, fato - jornalístico - que pode levar a uma outra configuração da atuação midiática tradicional.

    Ainda bem.

    O síndico deste condomínio, organizado que só, fez um belo apanhado hipertextual analítico sobre o caso - quero ser igual a ele quando ficar bem velhinho. Portanto, reservo-me o direito de não mais fazer rodeios. É preciso deixar bem claro que não há heróis nesta história. Não se trata de defender a Petrobrás - que realizou uma manobra política tática em tempos de CPI assobiando no ar - ou meramente culpar os jornalões - que estão batendo pezinho como crianças birrentas, quando deveriam procurar formas de "contra-ataque" mais efetivas. Trata-se aqui de compreender a natureza desta tática, entender porque a birra é a resposta da imprensa e as implicações diretas da publicização, feita pela fonte, da íntegra da entrevista - não importando se antes ou depois da matéria publicada, a bem dizer -, como pondera o jornalista Leandro Fortes.

    Da minha parte, pontuo algumas questões debatidas com o advogado Túlio Vianna, em um rápido, porém elucidativo bate-papo. Vamos considerar que informação jornalística pode ser tratada como um bem de interesse público - alguém aí falou em utopia ? A Petrobrás, uma empresa pública, é acionada pela imprensa a prestar informações relativas à CPI. Até onde eu entendo, as informações que alimentam uma CPI, por serem de interesse dos cidadãos, possuem caráter público. Pergunto a Túlio Vianna quais são as implicações jurídicas no fato da Petrobrás estar publicizando as entrevistas que concede por email aos jornais, antes mesmo da publicação das matérias. De bate-pronto - e pensando em publicar as perguntas e respostas antes que eu escreva este texto -, ele responde: "Qualquer empresa pública só tem dois tipos de informações: as públicas e as sigilosas. A regra é simples: as sigilosas não podem divulgar pra ninguém; as públicas elas divulgam pra quem quiser, como quiser".

    Então por que esse chororô todo da imprensa, seu Túlio ? Transparência no trato com a coisa pública não deveria ser um ato juridicamente louvável ? Deixo-o responder antes que leve a cabo a ideia de colocar a entrevista logo em seu blog: "Os jornais estão querendo monopólio de notícias de órgãos públicos, o que evidentemente seria ilegal, caso praticasse, pois a empresa estaria dando informações privilegiadas a um veículo em detrimento dos outros".

    A chiadeira dos jornalões está centrada em um sigilo nunca acordado entre fonte e jornalista a respeito de informações em uma entrevista - e, nesse caso, voltam as distorções a respeito dos termos "ética" e "moral" que condenam o que está sendo feito no Blogobrás. Como jornalista e professor de Jornalismo, entendo que a fonte pode tranquilamente publicar uma entrevista a qual respondeu - afinal, também produziu aquela informação. Cabe ao jornalista, se for sagaz no xadrez político que é a profissão, traçar uma estratégia para desenrolar-se desse novelo, tirar proveito de um momento que o termo "transparência" está assim tão associado à "informação jornalística" e lidar com esta última realmente como um bem público. Em suma: pensar e agir como jornalista - que não deveria deixar-se pegar de calças curtas.

    Hum, talvez esteja aí o aspecto psicológico da perda de tempo fazendo birra.

    Este episódio parece revelar mais um ato da novela jornalística, no que diz respeito à necessidade de mudanças estruturais desta prática, especialmente no campo da comunicação digital. Retomo a conversa com Túlio Vianna, que ficou ali, alguns parágrafos acima, e pergunto se ele considera que entidades classistas deveriam prestar maior atenção em episódios como este e não apenas concentrar esforços em prol da obrigatoriedade do diploma em jornalismo. Postando-se neste parágrafo, ele não titubeia: "Entidades classistas de jornalistas, advogados ou qualquer outra, são criadas para proteger os interesses da classe, então é natural o protecionismo. O legislador, porém, deve legislar não no interesse de uma classe, mas no interesse público e me parece óbvio que não há qualquer interesse público no monopólio da divulgação da informação pela classe dos jornalistas detentores de um diploma universitário".

    E voltamos a ideia de "monopólio da informação", termo que suscitou, no meio desse bafafá todo, discursos inflamados e ânimos exaltados - tanto do lado de quem defende quanto na ala dos que condenam o Blogobrás, é bom frisar. No meio deste destempero, quero destacar, além das notas que a Abraji e ANJ soltaram, a prática, em listas de discussão como a do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo, de chamar de "petistas e governistas" todas as pessoas - especialmente blogueiros - que se manifestam favoráveis à estratégia adotada pela Petrobrás. Fico imaginando que, ao tratar desse assunto em sala de aula de turmas de Jornalismo e manifestar minha opinião a respeito do Blogobrás, eu talvez deva ter algum receio de soar "petista e governista" - posição esta que passo ao largo, do mesmo modo como friso que, nem de longe, sou tucano. Mas certos reducionismos eram esperados, o que é próprio do "ambiente democrático de discussão" que pauta os entreveros acerca de questões jornalísticas.

    [update: como era esperado, o julgamento da obrigatoriedade do diploma em jornalismo para exercício da profissão foi adiado - sem data prevista para voltar à pauta do STF um novo julgamento está marcado para o próximo dia 17, outra data cheia de pautas a cumprir. E no xadrez político, o Blogobrás recua e passa a postar as entrevistas somente após a publicação da matéria nos meios de comunicação. Jogo de comadres reloaded ?]

    abril 10, 2009

    sex 10abr09 22:25
    À sua imagem e semelhança

    Faz um tempinho que eu fui convidado por Gisele Jota, apresentadora do progama Caleidocóspio, da TV Horizonte, daqui de BH, para gravar uma participação no quadro "Se liga". A idéia era indicar quatro blogs para um público adolescente, que é o alvo do programa. O primeiro foi o do jornalista Sérgio Léo. Agora, a produção do programa disponibilizou - eita verbo ! - os outros três vídeos. Eis aí as bagaças.

    Tudo o que eu penso sobre Arnaldo Branco - não recomendado à pessoas sensíveis:


    Tirando o chapéu para Cristiana Soares:


    Sendo socialmente aceitável ao falar de Raquel Recuero:


    Uma grande sacada foi colocar um ator para ler um post escolhido pela produção do programa. De minha parte, apreciei bastante o resultado deste quadro, apesar de constatar que, em vídeo, pareço uma cruza de Artur Dapieve, Tom Waits e Rocky Balboa.

    E o pior é que possivelmente repetirei a dose. Tremam.