vermelho.

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Posso não ser a pessoa mais imparcial para escrever sobre ele, mas não consigo resistir à tentação de transformar em palavras toda a confusão que está em mim. Tive tempo e li inteiro, em um só fôlego. Trechos já conhecidos e uma sensação de que sabia toda a história.

Hoje foi o lançamento virtual do Tristes Camelos e Gabriela. Esperei meses por esse dia, quando o livro ainda era apenas pedaços soltos de texto. Esperei e atormentei e elogiei cada trecho que me mandava. É uma história sobre detalhes, aquelas pequenas coisas que nos encantam quando amamos. É um grande bolo na garganta, um choro entalado. Os detalhes só ganham a importância que merecem quando não estão mais ali. Só no silêncio percebemos como faz falta aquela risada.

Ele é meu orgulho, aquele que admiro e que me puxa pra cima. Ele insiste para que eu escreva, e eu insisto que isso é dele. Não sei colocar o coração como ele faz. Então leiam e se apaixonem.


forest.

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para assistir com legendas ou saber mais, aqui.

1964.

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Estava cansada do meu topo, tudo que conseguia pensar era o calor que a moça estava sentindo sob aquele sol - influência desse calor absurdo em pleno inverno. Sem idéia alguma do que fazer, busquei milhares de opções ainda no tema de grama verdinha e céu azul, desta vez com alguma sombra para refrescar. Sem encontrar nada, passei a ver posts nos meus tumblrs favoritos, até me deparar com essa imagem, da revista Today's Woman de novembro de 64.

Não tem nada a ver com o tema que usava, mas não importa realmente.

Então, quem estiver lendo pelo feed, veja, sim?

néia.

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Ela amava festas de família e ver seus netos crescendo. Posso ser boba e acreditar que era sua neta favorita, mas a verdade é que nasci no momento em que tudo que ela precisava era de vida. E tudo que eu precisava era carinho e alguém pra cuidar de mim. Vovó me criou e eu seria uma pessoa completamente diferente se não fosse isso.

Faz sete anos que ela morreu. Não estava comigo, me ajudando a arrumar o cabelo, em nenhuma das minhas formaturas. Não viu dois de seus netos casarem, e perdeu também o nascimento do filho de um desses casamentos. Não conheceu nenhum dos meus namorados (minha mãe ia gostar de tê-la ao seu lado ao ver a filhinha namorando). E hoje não está aqui no que completo dezoito anos.

Dá uma saudade que dói lá dentro. Não vou chorar pois ela estaria feliz com a pessoa que me tornei. Amava cinema, e sei que veria comigo todos os filmes que assistiu quando tinha a minha idade. Ajudaria a escolher minhas roupas e a desenhar meus próximos vestidos. Acompanharia meus passos, como fez quando eu mal sabia ler, e ampararia minhas lágrimas nessa época tão complicada de vestibulanda.

Sorrio e espero que, de alguma forma, ela olhe por mim e veja como cresci.

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Sorri como boba ao ver a notícia. Desde pequena, quando nem entendia grande parte das piadas, me encantava pelos livros do meu irmão - estão amarelados e rasgando, mas ainda guardo com muito carinho.

A estátua vai ser instalada, este domingo, em frente ao prédio onde Quino morou, em Buenos Aires. Adorável a chance de poder compartilhar o banco com uma garotinha tão especial, nem que seja para uma foto.

via.

Eu queria poder andar descabelada sem sentir a reprovação. Ficar descalça, de moletom e não me importar com mais nada. Comer chocolate sem a culpa que me consome. Pois eu sei que aqueles olhos vão me encontrar mais uma vez.

Sei que devia caminhar mais, como recomenda o médico. Que devia estudar já que o vestibular está logo aí. Sei, quero, e ao mesmo tempo não consigo. E me sinto uma estúpida por não conseguir realizar meus próprios desejos.

E o pior de tudo é encarar no espelho o olhar de decepção. Porque é ali, nele, que toda noite encontro com aquela que eu sou e não quero ser.

Ontem eu soube que uma amiga minha, que faltou durante a primeira semana inteira de aulas, está doente por causa da ansiedade. Ela, querendo entrar em medicina, passava os dias inteiros estudando, não se alimentava direito, o namorado mora longe, e sofria as pressões por todos os lados. Mal consegue levantar da cama.

É tão absurdo e cruel que fiquei sem reação com a notícia. Como um sistema de ensino pode fazer isso com seus jovens? Enlouquecer e pressionar até o ponto em que explodem. Agora, em Agosto, já está todo mundo exausto e desesperado. Não quero nem ver como será em Outubro.

Não faz sentido.

Um dia em que pode ter acordado com dor de cabeça e não conseguir se concentrar. Um dia para avaliarem todo o conhecimento de anos de estudo. Um dia, ou mais um ano de cursinho para esperar mais um só dia.

E o mais assustador de tudo é que ela pode estar de cama, sem conseguir ir na aula, mas não parou de estudar. Recebeu as programações e fica fazendo exercícios, pois nem quando esta doente (por causa das provas!) não pode parar de pensar no vestibular.

Eu estou cansada. Não de estudar, não das aulas, mas da estupidez disso tudo. E de saber que, por mais que eu me revolte e brigue, vou ter que fazer a droga da prova no final do ano.

nômades.

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Elas falam mirandês e suaíli, enquanto muito poucos sabem da existência desses idiomas. Sete mulheres que contam o mundo de uma forma completamente diferente; elas, acompanhadas de músicos incríveis, formam o Mawaca. Cantam sobre viajantes, amores, crenças ou apenas cantigas de ninar vindas de todos os continentes.

Descobri a banda por acaso em um blog que estava lendo pela primeira vez, assim que entrei no site e li mais sobre seu propósito me encantei. Passei o dia todo ouvindo as músicas disponíveis e lendo as informações (falam o país de origem, idioma e um pouquinho da história). E, empolgada, mostrei para todos ao redor a minha nova descoberta.

Que surpresa deliciosa foi descobrir que eles tocariam na minha cidade, de graça, no Festival de Inverno. Mais uma vez contei para todos como seria bacana, por mais que soubesse que poucos se interessariam realmente. E ontem o público era formado, na sua maioria, por adultos - os jovens estavam assistindo a uma banda de pop-rock no outro lado da praça.

O show, chamado "Inquilinos do Mundo", é formado por músicas de povos nômades; são canções ciganas, judias, africanas, entre tantas outras. A intenção de Magda Pucci, a diretora musical e pesquisadora, é mostrar as influências dessas culturas apesar de todo o preconceito. E fazem isso com excelência, contando histórias e nos ensinando palavras para todos cantarem juntos.

Comprei o livro de canções infantis, peguei autógrafos e conversei com todos. Muito simpáticas, nos contaram sobre todo o estudo das músicas e idiomas. É um trabalho lindo, e é visível a dedicação de todos. Apaixonante.