[originalmente publicado em 12/05/2008]

O sempre simpático Umberto Eco, em entrevista no Caderno Mais da Folha, de ontem, desvela uma função social para o futebol.

PERGUNTA - O terrorismo acabou na Itália, na Alemanha e na Irlanda, mas permanece na Espanha, além de surgirem outros. Qual é sua opinião sobre os terrorismos que surgiram nos anos 1990?
ECO - O desejo de "revolução", entre aspas, permanece sempre. Inclusive ali onde não se pode fazê-la, tenta-se... Em países onde existem grupos étnicos e há território suficiente para que se produzam insurreições. Na Itália, esses enfrentamentos se converteram em embates futebolísticos. E em outros territórios acontecem violência, fanatismo, superstição. Quando isso é levado ao terreno da política, já se sabe como vai terminar.

Grifo meu.

Continuo achando que o futebol está para os esportes como o criacionismo para a religião. O bom é que os "futebolacionistas" matam-se entre si, defendendo escudos.

4 anos de lia

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Hoje, Bloomsday, é aniversário de 4 anos da Lia. Parabéns pra maluquética!
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Esse é um ano emblemático para aniversários biajônicos: eu faço 40 e Isabelle Polenta faz 18. Ufs! #velhice

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Listei 45 filmes para indicar para os participantes de minha Oficina de TV.

São filmes que, de alguma maneira, têm histórias com elementos de mídias (TV, rádio, jornal impresso) e/ou que questionem a publicidade, a propaganda, o marketing. Devem ser filmes que possam ser encontrados no Brasil.

Abaixo, a lista. Alguma sugestão?
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1 - Cidadão Kane, Welles, 1941
2 - A Montanha dos Sete Abutres, Willer, 1951
3 - A Conversação, Coppola, 1974
4 - Todos os Homens do Presidente, Pakula, 1976
5 - Rede de Intrigas, Lumet, 1976
6 - Muito Além do Jardim, Ashby, 1979
7 - Ausência de Malícia, Pollack, 1981
8 - Um Tiro na Noite, DePalma, 1981
9 - Sob Fogo Cerrado, Spottiswoode, 1983
10 - Os Gritos do Silêncio, Joffé, 1984
11 - Salvador, Stone, 1986
12 - Os Bastidores da Notícias, Brooks, 1987
13 - Bom Dia, Vietnan, Levinson, 1987
14 - Verdades que Matam, Stone, 1988
15 - Como Fazer Carreira em Publicidade, Robinson, 1988
16 - Ladrões de Sabonete, Nichetti, 1989
17 - Sexo, Mentiras e Videotape, Soderbergh, 1989
18 - O Pescador de Ilusões, Gillian, 1991
19 - Volere, Volare, Nichetti, 1991
20 - Herói por Acidente, Frears, 1992
21 - A Testemunha Ocular, Franklin, 1992
22 - O Ano em que Vivemos em Perigo, Weir, 1992

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23 - Bob Roberts, Robbins, 1992
24 - O Jogador, Altman, 1992
25 - O Âncora: A Lenda de Ron Burgundy, McKay, 1993
26 - Kika, Almodóvar, 1993
27 - O Jornal, Howard, 1994
28 - Um Sonho sem Limites, Van Sant, 1994
29 - Assassinos por Natureza, Stone, 1994
30 - O Povo contra Larry Flint, Forman, 1996
31 - O Quarto Poder, Costa-Gavras, 1997
32 - Mera Coincidência, Levinson, 1997
33 - Celebridades, Allen, 1998
34 - O Rei da Baixaria, Thomas, 1998
35 - Medo e Delírio em las Vegas, Gillian, 1998
36 - O Informante, Mann, 1999
37 - Quase Famosos, Crowe, 2000
38 - Adaptação, Jonze, 2002
39 - Obrigado por Fumar, Reitman, 2005
40 - Capote, Miller, 2005
41 - Boa Noite e Boa Sorte, Clooney, 2005
42 - Scoop - O Grande Furo, Allen, 2006
43 - Rec, Balagueró, 2007
44 - Zodíaco, Fincher, 2007
45 - Frost/Nixon, Howard, 2009

Apdeite:

46 - Redentor, Torres, 2004 (obrigado @vanessa_alencar)
47 - A Primeira Página, Wilder, 1974 (obrigado @chicofireman)
48 - Videodrome, Cronenberg, 1983 ...
49 - Quiz Show, Redford, 1994 ...
50 - O Show de Truman, Weir, 1998 (obrigado @bereteando por esses três)

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Apdeite 2:

51 - Fletch - Assassinato por Encomenda, Ritchie, 1985...
52 - Fletch Vive, Ritchie, 1989 (obrigado @bereteando pelos dois. rever esses dois foi lindo!)
53 - A Vida Aquática de Steve Zissou, Anderson, 2007 (de novo, @bereteando)
54 - A Vida de David Gale, Parker, 2003 (obrigado @fabioshiraga)
55 - Muito Além do Cidadão Kane, Hartog, 1993

O grande Flavio Dealmeida está botando o Flávio Books na praça.
O primeiro livro tem prefácio meu. Recomendo! Vai lá!


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Aqui, a matéria completa de Amanda Aguiar.
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E aqui uma entrevista muito boa de Alex Castro
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hérnia

Pois é, no sábado, 5h45 da madrugada, operei de uma hérnia inguinal. Saí do hospital só às 22h. Não foi tão simples quanto parecia, já que a hérnia tinha 16 anos!

Uma semana de repouso completo, mais pelo menos 10 dias sem esforços físicos simples como dirigir e subir escadas. Se já estava sumido do mundo internético, vou sumir AINDA MAIS nos próximos dias. Mas tou aqui, vivo.

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Aproveito o descanso obrigatório para tirar o atraso de filmes. Ontem, foram seis: "Só 10% é Mentira", sobre a poesia de Manoel de Barros; "Tyson", documentário de James Toback; os três filmes suecos da trilogia Millenium e um curta metragem interessante, "2081" com trilha do Kronos Quartet, baseado em Vonnegut.

Vou tomar café e minhas pílulas, assim que estiver recuperado falo mais dos filmes.
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Hoje faz seis anos que botei ponto final no meu primeiro livro concluído, "Sexo Anal - Uma Novela Marrom". Motivado por amigos e blogueiros que leram o primeiro arquivo, em Word, fiz uma impressão caseira de 100 exemplares que enviei para 16 editoras - e todas denegaram a publicação. O restante, dei para familiares e amigos.

Desiludido, botei o livro para download gratuito. Ele ganhou uma resenha positiva no Caderno Prosa & Verso d´O Globo. Bateu nos 10.000 downloads. O resto é história.

Para comemorar e preparar o terreno para o lançamento de "Elvis & Madona - Uma Novela Lilás" (meu quarto livro em 6 anos - ei, é uma boa média, vai dizer?), estou colocando "Sexo Anal" para download gratuito novamente.

Meus outros livros, "Virgínia Berlim - Uma Experiência" e "Buceta - Uma Novela Cor-de-Rosa", estão fora de catálogo, depois do fechamento da Editora OsViraLata. Pode ser que a Editora Língua Geral, que vai lançar "Elvis & Madona", se anime em editar todos os outros.
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Então, se você quiser o .pdf de "Sexo Anal - Uma Novela Marrom", especialmente preparado pelo grande Branco Leone, basta clicar aqui.

Olha só a capa original, de Helton Winter, e a dedicatória, em 2005, para Nababu:

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Se baixar, ler e gostar, escreva algo, por favor. Se não gostar, desça o pau.
E compre "Elvis & Madona", por favor.
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Depois de vencer o prêmio de público no Festival de Cinema Brasileiro de Paris, "Elvis & Madona" passou no festival de filmes gueis de Zagreb, Grécia Croácia (obrigado, Lucia Malla). O buchicho tá tamanho, creia, que o filme vai para Varsóvia - e para vááários outros festivais, tá todo mundo pedindo! Já passou no Tribeca, no Los Angeles Brazilian Film Festival, nos festivais de Natal, Tiradentes e Agulhas Negras, no Mix Brasil... Ufa!

O cartaz provisório, que está sendo utilizado nesses festivais, é de Sonia Madruga:

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No Brasil? Bem, no Brasil deve estrear no Festival de Gramado ou no Festival do Rio, Agosto ou Setembro. Guentaí.
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Eu avisei.

Perdidos estavam os roteiristas. Acho que até o J.J. Abrahams ficou decepcionado com o caminho que a coisa tomou.

Depois da primeira temporada, não segui mais - dava pra ver que não havia um norte.

Para quem acha que não precisa haver, ótimo, deve ter sido bom.
Eu acho que não é sempre necessário um norte. Mas em uma série de TV calcada em mistérios, desenlaces interessantes e originais são importantíssimos.
Não foi o caso.

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Quando fiquei sabendo de Lou Reed na FLIP, como grande fã, pensei: "uau, olha só, meu ídolo vem para o Brasil, vou lá tietar e pedir um autógrafo". O segundo pensamento foi: "mas... peraí! Esse é um evento literário e não um festival de rock! O que esse cara vem fazer aqui?".

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Ah, poxa, sim, é inegável a importância de Lou Reed para a música de maneira geral. Nos quesitos "temática" e "poesia" ele é um dos grandes - e lá se vão bons 45 anos! Musicalmente, teve grandes colaboradores que moldaram seu som, como John Cale, David Bowie, Dick Wagner, Fernando Saunders, Robert Quine, Mike Ratke, entre outros - e, se não fossem esses caras, não sei se Reed iria muito adiante em suas inovações musicais.

Mas... o que ele escreve pode ser lido fora do contexto musical? Pode estar desagregado do ritmo, da música e da performance? Tem, ér, sustentação no papel? Pois, como grande fã, digo que não.

Uma vez Reed disse que a língua inglesa é ótima para o rock pois tem abundância de monossilábicos. Faz todo sentido, e as palavras monossilábicas abundam nas letras de Reed. Esse é um dos elementos que dá ritmo à canção. Com o jazz, ele aprendeu outra manha: a da repetição. Pedro Só escreveu uma vez, sobre "Ecstasy" (1999) último bom disco de Reed, que era "muito repetitivo". Bem, essa é uma característica do repertório reediano: a música precisa se estender e então ele repete, já que não tem muito a dizer. Muitos vêem, nessa repetição, um elemento dramático e isso realmente acontece em alguns casos, como em "The Gun", música do disco "The Blue Mask". Mas, na grande maioria dos casos, a repetição está ali apenas para tentar engendrar um refrão, para estimular o ouvinte a simpatizar com a canção, sem efeito dramático e muito menos literário, quando se lê a letra no papel.

Se houvesse um prêmio Nobel (Reed começa a dizer que merece um) para música barulhenta, especialmente nas performances ao vivo, Reed podia reivindicar o prêmio máximo: é praticamente o inventor do feedback, da distorção, do "barulho emocional". Isso não se estende à poesia, às letras.

"Walk on the Wild Side", única música de real sucesso de sua carreira, é uma grande canção - pensada por Bowie - com grande letra de Reed. Vai descrevendo histórias de pessoas do underground. Não é uma grande novidade, a geração beatnik tinha poemas mais interessantes na mesma linha, mas Reed popularizou isso, levando para uma canção. Que tocou no rádio. E que o transformou numa espécie de porta-voz do movimento. Mas ele não conseguiu fazer nada na mesma altura - nem tão pop, nem tão emblemático. Depois desse disco, "Transformer" (1972), fez um álbum belíssimo, "Berlin", que tem como grande característica o hermetismo. Não sabemos sobre o que ele fala, o disco parece ser conceitual, contar uma história, parece que é sobre ele e sobre o fim do Velvet Underground e da complicada relação entre ele, Cale e Nico. Mas não temos essa certeza. E, no final, fica apenas parecendo que Reed estava sem assunto e queria ombrear com Bob Dylan - que estava no auge de suas longas e monocórdias elocubrações musicais/poéticas, como "Visions of Johanna", letra pela qual ele mesmo concorreu a um Prêmio Nobel anos atrás. Não que "Berlin" não seja maravilhoso e viajante e musicalmente inebriante com seus arranjos sinfônicos inusitados para um ídolo pré-punk. Não, o disco é belíssimo, mas as letras parecem mais um arrazoado de lástimas de alguém afundado nas drogas, se lidas num papel. Com música, viram um turbilhão de sentimentos.

É por isso que digo que Reed não é um poeta, é um letrista de rock. Dos bons. Mas o barulho precisa estar ali para tudo fazer sentido.

Há algum tempo, Reed vem experimentando a mesma complacência de Tom Waits, por parte da grande crítica: qualquer merda que lançam, todos dizem que é uma maravilha. Estão investidos da autoridade de serem independentes dentro da massacrante e uniformizante indústria do rock - e isso dá a eles o benefício da avaliação indulgente. Pois o que Reed vem fazendo nos últimos 10 anos é uma merda, o cara podia ter parado em 2000 e teria uma obra respeitável e digna. Aparentemente careta, faz música pra ouvir na beira do rio para meditar, faz música pra cachorro, faz música com aquela tia gorda e insossa do Antony, com o The Killers, com o Gorillaz. Não me impressionaria se aparecesse com uma versão de "Walk on the Wild Side" com a Lady Gaga. Eu, como fã, viro motivo de chacota.

Reed sempre reivindicou um élan literário, pura viagem de sua cabeça cozida em barbitúricos. Eu não acredito que ninguém tenha detonado a sério essa idéia que ele vem divulgando há décadas de que se inspira em Chandler e Hammett e Poe para "criar" suas letras. É deprimente. Se eu fosse um crítico da Rolling Stone perderia umas horas para desconstruir essa falácia de Reed, apontar que suas letras não contém nada, NA-DA, do romance noir, do texto de mistério e de whodunit. Não tem nada do terror de Poe. Tem, com muita boa vontade, a fala direta ao ouvinte - e é diferente ouvir um texto a ler um texto, então Reed é muito mais rítmico e cadenciado que um Poe, que é escorreito.

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A vindicação de lugar no panteão de autores fez com que Reed publicasse, em 2002, um livro com suas letras, mais de 300. Não podia ser mais um livro com letras de um autor de rock: tinha que ser um projeto "artístico". Assim nasceu "Pass Thru Fire", livro que eu comprei assim que saiu. O que Reed fez? Ele tratou cada conjunto de letras de cada disco de maneira visual diferente, e achou que estava fazendo algum tipo de arte.

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Mais uma vez mostrou que ele só entende de música. Ele pega um disco e trabalha as letras visualmente de modo diferente, até esgotar todos os tipos de disposição na página, até não saber mais o que fazer com as letras. Se ele tratasse a cada letra de música de maneira diferente, talvez obtivesse bons resultados. Mas não: ele escolhe um álbum e decide que, naquele, algumas palavras terão letras borradas, como se alguém tivesse chorado sobre elas. Nas letras de algumas canções, funciona. Em outras, não. Fica um pusta rock do crioulo doido que parece querer mais é tirar nossa atenção para as sofríveis poesias - ainda que sejam maravilhosas canções.

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Do alto dos seus 65 anos, Reed já fez de tudo nessa vida. Imagino que eu precisaria de três ou quatro vidas para fazer o que ele fez - e acho que não teria tido coragem para algumas coisas. Mas uma coisa é fato: ele não sabe escrever para o outro ler. Isso é diferente, isso é complicado. Não por acaso, Reed tem publicado alguns livros de fotografias. Visualmente, ele tem apuro estético, parece conseguir diálogo com o espectador. Mas encadeando palavras numa folha, ele é só um grande músico de rock.

Na verdade, um dos melhores.

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(As fotas desse post foram feitas pela Dona Fresca, que está virando fotógrafa)

Apdeite:
Bruno Porto informa que o design do livro de Reed, que vai sair no Brasil pela Cia das Letras, é de Stephan Sagmeister - deve ser tudo dele mesmo, apesar de Reed reclamar o "conceito" do livro. Sagmeister fez o pôster de Reed abaixo:

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