laaaaaaaaaaaaa: uh cinco anos

laaaaaaaaaaaaaa
-- laaaaaaaaaaaaaaaa!


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clica, não é música, é poesia! texto do MESTRE Melamed


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----- Original Message -----
From: Tiago Casagrande
To: Gejfin
Sent: Friday, June 27, 2003 3:22 PM
Subject: dicionário

gejfin, eu preciso de uma definição para "beretear".


não pergunta.


----- Original Message -----
From: Leandro Gejfinbein
To: Tiago Casagrande
Sent: Friday, June 27, 2003 3:40 PM
Subject: Re: dicionário

Putz... foi o Geva que inventou isso.... tenho que perguntar pra ele. É complexo...ehhe

Mas acho que...

beretear - [be-re-te-ar] [Do lat. beretearum]: V. int. 1. Caminhar, andar, passear sem ter destino certo. 2. Divagar; pensar sobre alguma coisa sem a necessidade de um porquê ou de se chegar a uma conclusão. 3. Contemplar. Ex.: Saí para beretear por aí. / Ele está ali, bereteando.


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beretear não é simplesmente evocar o flanêur. bereteio é o maravilhamento infantil necessário ao sujeito moderno-líquido diante do seu esvaziamento. é o sentimento que pode conectar indivíduos-ilhas pós-modernas e lhes devolver conexões em troca. é o thaumas filosófico e o deus grego do espanto.

beretear tem proposta - e proposhta, inclusive. e conceito. beretear é dar uma resposta a Bauman. um dia vira manifesto.


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o blog não era pra ser sobre isso; era e ainda é pra ser sobre mim. mim ser bereteio abstrato. e aqui um espaço que já foi maior, e em mim um espaço que já foi maior, mais explodindo, menos logística.

mas eu, e tantos de eu, e até tantos de eu que tem que refletir pra não constranger.
mas eu, foi eu que fiz, é o que tinha, e o que tem, e um dinossauro leprechaun gritando graaack!


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cinco anos de bereteando, já faz uns dias.
cincão, cara. 1298 posts, 0,7 por dia, só número, desimportante. mas é vida pra cacete.
não vale dez pila, mas não é coisa de se botar preço, né?


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algum dos leitores (principalmente os mais antigos) lembra ou lembrou em algum momento desta caminhada (oooh) da palavra "bereteio"? promoção: o comentário mais bacana sobre isso ganha o zuniceratops (o laranja de frente pra câmera) entregue na porta de casa.

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bereteando sorri e faz mesuras de obrigado. às ganha :)))

berê top 10 07/08

como prometido, segue a mixtape com as mais tocadas neste ano de last.fm. ou ainda, as mais tocadas sem repetir a banda - pra não ficar muito parecido. organizadinho pra descer redondo em tímpanos e estribos - do mais pesado ao mais etéreo. cantem com a zente!


(tem um embed do imeem aqui, amigo do feed)


trilha de comentários:

01 Anata, Cold Heart Forged in Hell
technical death metal - sueco, fugindo da tradição local, mas não da grandiosidade dos músicos daquelas terras. riffs inspirados no neoclássico, cheiro de metal épico, velocidade e uma marcação de bateria genial, na perpendicular das cordas. também grudenta - depois de escutar a frase principal de guitarra, se fica esperando ela voltar o tempo todo. e ela volta, gloriosa, com blast beats ao fundo. dissonância, melodia e peso bem colocado: brilhante.
02 Gorod, Hidden Genocide
descobri esse ano a melhor [e hoje minha preferida] banda de death metal técnico do mundo. os franceses do Gorod sabem usar em mesma medida groove, peso e linhas de guitarra intrincadas, deslizantes, redondinhas, ahhh! é tão técnico quanto memorável, e esse é o maior desafio do gênero: aumentar a exigência virtuosa dentro de uma gama de composições marcantes. eis um belo exemplo. não perder os últimos 50 segundos, em que os riffs do tema são reconstruídos em viola, bandolins e baixo, cheirando a leste europeu. de morrer na hora.
03 Lykathea Aflame, To Give
obscura banda tcheca, que tem o poder de criar culto em quem a absorve. pra mim a maior banda do metal avant-garde ao lado de Gorguts - daquelas que exigem atenção e tributo enquanto conquistam aos poucos. e então um dia explodem na sua cara e mudam - literalmente - a maneira como se escuta música. brutal death de bateria à velocidade da luz, enquanto os riffs ficam pela metade ou um quarto disso; growl atonal, quase instrumentação. melodia em diversas camadas, frases de guitarra sem distorção, exemplos de beleza e harmonia em meio ao peso. bah, fico besta escutando esses caras. faz falta uma produção de primeira linha, mas deixa a impressão de que nunca mais vai haver igual.
04 !T.O.O.H.!, Kali
outra banda tcheca. sim, eles são foda. nos primeiros 20 segundos, a introdução repete três vezes uma frase a 160bpm e com três compassos diferentes. técnica? isso é música que deixa o seu cérebro mais inteligente, bicho. depois vira um grind/groove de vocal rasgado em língua local. e termina com 2'10 do solo de guitarras e baixo mais filhodaputa desde aquela versão de Freewill ao vivo no Exit... Stage Left, do Rush. e com a vantagem do bumbo duplo comendo. ouça. vença. seja capturado para sempre.
05 Black Sabbath, Snowblind
já falei que Killing Yourself to Live é a melhor música de todos os tempos de todos os lugares de todos de tudo? é! mas quem apareceu no topo das charts foi Snowblind. dispensa apresentações. na mixtape, pra variar, botei uma versão ultra-rare ao vivo, no California Jam/1974.
06 Cave In, Stained Silver
banda gringa mui criativa e até um pouco injustiçada. fabrica alt rock com pedacinhos de metal, stoner e afins. aqui com um grande riff, refrão grudento, alguma melancolia por trás da parede de guitarras. vai fácil e cativa.
07 OXES, China, China, China
uma canção que vale por duas. a primeira parte é um post/noise rock cadenciado, quase tranqüilo, quase jam sem muita pretensão nem objetivo. a segunda é uma ligação telefônica entre Prison, integrante da banda, e o dono do selo que lançaria o disco contendo essa faixa - com acompanhamento etéreo de feedback de guitarras e acordes aleatórios. a conversa faz pouquíssimo sentido, embora se entenda tudo que dizem. existe algo de hipnoticamente fascinante aqui e eu não consigo explicar muito bem. talvez seja o nonsense, um clima de filme. os últimos segundos são "just a bunch of noise", e chama USA, USA, USA. maluquice que parece até instalação, ou, sei lá. é uma banda muito doente e eu me sinto muito bem ouvindo OXES.
08 Sweep the Leg Johnny, Only in a Rerun
wooooo! goin' down swingin', baby! veloz, groovy, banda americana que faz math/noise rock e tem safoxone a dividir os riffs com as guitarras. altíssimo astral.
09 V for Vendetta, Vision (Aries)
puxa, essa faixa é bonita pra cacete. banda - na verdade, um duo - que durou um só disco. casal de garotas, uma na guitarra/voz e outra revezando guitarra e bateria. aqui apenas cordas, intrincadas de math rock, belas de sensibilidade pungente. música cheia de lacunas pra você se inserir e acomodar, até o final com um crescendo de harmônicas enchendo os fones. contrapõe tudo que se ouviu antes na mixtape: joga simplicidade na cara do ouvinte e diz ó, tem horas que bastam apenas boas idéias e transbordantes sentimentos honestos.
10 all your gardening needs, ...a fungi parade, and we're holding hands
uh jabá! oh yeah, espelhos sonoros. aqui ao contrário: que o leitor escute a parada dos fungos e diga o que acha! ;)


segue a fonte, o top original:
01 !T.O.O.H.! : Kali 85
02 V for Vendetta : Vision (Aries) 79
03 Lykathea Aflame : To Give 76
04 Gorod : Hidden Genocide 70
05 Cave In : Stained Silver 66
06 !T.O.O.H.! : My Zreli v Cire Kontemplaci 65
07 OXES : China, China, China 65
08 Lykathea Aflame : A Step Closer 64
09 all your gardening needs : ...a fungi parade, and we're holding hands 64
10 all your gardening needs : since you've been dreaming of a pillow fight in zero gravity environment 64
11 OXES : I'm from Hell, Open a Windle 63
12 Lykathea Aflame : On the Way Home 63
13 Sweep the Leg Johnny : Only in a Rerun 62
14 OXES : Half, Half and Half 61
15 Anata : Cold Heart Forged in Hell 61
16 V for Vendetta : Smatasmorismal Smimsmarasmive 61
17 all your gardening needs : don't bother, i've fixed it 59
18 Black Sabbath : Snowblind 59
19 OXES : Boss Kitty 59
20 OXES : ...And Giraffe, Natural Enemies 58

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aproveitando pra lembrar que toda sexta é dia de vencer! livebloggings para vencer: as melhores e as piores (eu, eu) arrobas do twitter reúnem-se para descobrir nova música, compartilhar impressões e divertir-se em clima de confraria heróica em horário de expediente. pergunte-nos como!

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se eu pudesse salvar apenas uma das artes da ruína completa e do fogo dos heréticos, adivinha qual seria?

um ano de last.fm

oh yeah! dia 18 fiz aniversário de last.fm. com poucas exceções, é um catálogo da música que eu ouvi nos últimos 366 dias! não serve pra nada, mas pra quem leva o assunto a sério como eu (#nerd), é uma delícia ver as tabelinhas dizendo o quanto eu me amo pela música que escuto.


[lembrando do tempo de categorizar centenas de fitas cassete numeradas numa planilha de excel em 486 etc]


donde, eis o top 10 da temporada 07-08 de bereteando:

01 Black Sabbath
com muito orgulho. maior banda do mundo de todos os tempos. period. muito freio pra não tatuar aquela silhueta-mancha Ozzy/capa do Vol. 4 nas costas. é líder do top de todos meus anos desde 1991. não cansa JAMAIS.
02 Colleen
linda, etérea, lúdica cellista e artista de colagens francesa. electronica (rótulo grande, da manufatura) de sonho a embalar madrugadas. também preferida do O Primo.
03 Crowbar
sludgemasters, sabor doom sabbath + melodias do pop sessentista envoltas no pântano distorcido das guitarras. confirmado para stoner sessions, esse velho gordo e podre, pai de Kyuss, senhor da geração NOLA e das crocâncias do southern metal.
04 OXES
grande, grande e ignorada banda de noise de Baltimore. duas guitarras mais bateria, riffs intrincadas com pegada rock, harmonia e grandes doses de humor. instrumental, genial, obscuro e desaforado.
05 Loscil
que durante o trabalho eu escuto geralmente death metal; de noite, metal ou alt rock; no cansaço da madruga, ambient. Loscil é projeto de um canadense meticuloso na criação de atmosferas brancas - um ambient rarefeito, minimalista e ainda assim marcante. referência. música preferida pra quando eu não quero ouvir música.
06 all your gardening needs
que eu escuto o que eu faço, né? escuto e gosto. cinco faixas prontas para o segundo EP. em breve.
07 Anal Cunt
na real nem rodou tanto assim, mas com faixas que costumam bater em 45 segundos, duas semanas no ano revisitando discografia vira top hit, né? last.fm charts não levam em conta tempo de audição, mas número de faixas. e aí grindcore fica em vantagem. pero sem problema: Anal Cunt é histórico. e a música mais ofensiva que já foi feita.
08 Polvo
se muito gosto de math rock, noto que minhas bandas preferidas não são as que fazem puramente o gênero - mas o mesclam ao indie rock. Polvo é por aí, e das mais relevantes. às vezes são meio bobos (a parte do indie que me incomoda), mas quando acertam no experimental de suas guitarras em afinações bisonhas, é incrível. e demais cativante.

09 Pan American
sabe Loscil, que falei ali em cima? pois cavei pelos "related artists" de Pan American. mais vigoroso, com certos elementos orgânicos (tipo solo de trumpete), e ainda landscape. o disco que toca muito seguido é "360 business/360 bypass". freqüências altamente imagéticas, cinematográficas.

10 !T.O.O.H.!
e como eu tenho um leque alimentício de bandas de metal extremo maior que ambient, poucas e valorosas bandas surgem nas top charts. essa achei indicada em um liveblogging no last.fm - difícil de descrever, seguido se vê "grind/prog death metal", o que é uma bobagem, embora não exatamente incorreta. assassinada (pela Earache) banda tcheca que faz um death velocíssimo, técnico, de vocal rasgado (em língua local) e com certo toque de leste europeu nas composições. PUTA avant-garde destruidor, que leva o raro rótulo de música sem paralelo.


e aí eu falava de número de faixas versus sua duração, e viva as APIs públicas!, existe um Normalizer - que gera o top pela duração média das faixas de cada artista. dessa forma, a tabela fica:

01 Loscil (2)
02 Black Sabbath (1)
03 Pan American (9)
04 OXES
05 John Coltrane (14)
quantas faixas de Coltrane tem menos de sete minutos? vou fazer essa conta, uma hora dessas. mas dos meus discos preferidos - "A Love Supreme" e "My Favorite Things" -, eu sei: 1/8.
06 Colleen (2)
07 Marsen Jules (12)
cordas e colagens etéreas: Martin Juhls é um artista alemão que poderia ser irmão da Cécile Schott (a Colleen).
08 Aidan Baker (42)
e o canadense Baker podia ser primo do Mark Nelson (Pan American) e do Scott Morgan (Loscil). a diferença é que usa a guitarra como base de seus ambient. o resultado é uma jam de nuvens.
09 Miles Davis (11)
santificado seja o vosso nome.
10 Crowbar (3)


mais, mais? para meu e (espero) vosso deleite, logo crio uma mixtape com o top 10 de faixas, as mais pedidas! seleção com base científica, não?


abaixo, seguem traquitanas variadas à guisa de diarinho. tem mais (incluindo mega tabelas, gráficos e mashups, inclusive pra desktop) em build.last.fm.











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disclaimer: alguns dos badges são dinâmicos, ou seja, vão atualizar com a passagem do tempo.

tá no last.fm? adiciona lá!

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música é o melhor about me que existe.

pelas barbas de Bradbury! tem água em Marte!


@MarsPhoenix > Twitter





e foi a sonda que disse. assim que descobriu, contou no twitter - inclusive dizendo w00t!.
será que já saiu a notícia?


*título do camarada @bcardoso

alô procon

alô procon (zoom)

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parem as rotativas os leitores de feed! atalhe urgente para estes posts:

publicitários, SEO e mentiras - uma revolta, por O Primo
Olivia avisa: futilidade e inércia, não confundir com "internet", pera lá!
achismos sensíveis e bereteios da Tainã sobre as possibilidades do jornal impresso
Rafael Galvão sobre press releases, coragem e o fim da crítica de cinema
e - sem queimar o Dunga - que o Brasil fique fora da Copa 2010! Milton Ribeiro cansado de guerra


daqueles dias em que a inspiração parece certeira. grandes, pertinentes, questionadores ataques e defesas. boas críticas. mini-ensaios, tubos de. sementes.


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segue até as 14h desta quarta o Firefox Download Day. tá por fora? argumentos? comofas///? logo abaixo! até o momento deste post madrugadeiro, 3.740.238 cópias baixadas, sendo mais de 120 mil brasileiros. e de Samoa, 4.

firefox

Ó incauto usuário de Internet Explorer, quer saber por que deve usar o Firefox?


PARA VOCÊ
• o Firefox é software livre
• é mais rápido que o IE
• é muito mais seguro que o IE
• permite adicionar complementos que tornam a navegação mais eficiente
• mais divertida
• e personalizada
• sem deixar o Bill Gates ainda mais rico
• e barrando a proliferação de softwares muito ruins como o IE
• além de fazer você parecer mais sintonizado com as novas tecnologícias


PARA CONTAR AO SEU FILHO
Era uma vez um barquinho azul, grátis, chamado Nétisqueipe. Os pioneiros, como o Vovô, descobriram as Internets que você tanto gosta navegando com ele. Mas o vilão, um riquíssimo explorador, tinha muito ciúmes e queria que todo mundo usasse a frota dele - mesmo que fosse uma porcaria. Então resolveu encher o mar com seus próprios barquinhos. E eles eram todos feios, bobos, malvados, e com furos no casco que podiam destruir quem andasse neles! O pior aconteceu. O explorador matou o nosso amigo Nétisqueipe por asfixia. E viveu feliz fazendo "har har har", até que anos depois surgiu uma raposa flamejante (tipo lança-chamas, filho) andando sorrateira e esguia (escondidinha) pelas florestas (procura no google), levando as pessoas até as internets com mais segurança, brinquedinhos pra curtir a viagem, e livre, e de graça. Hoje, o explorador tenta pegar a raposa pra assar no espeto, e ela usa seu poder de multiplicação para estar em cada vez mais lugares ao mesmo tempo e não virar churrasquinho.


PARA DONAS DE CASA
Firefox não lava mais branco, mas também não deixa um rastro de imundície por onde passa. Os adolescentes da família estão incomodando? Dê um Firefox pra eles. Com sorte, eles vão ficar incomodando na internet, e não você. É de graça, mas diga que pagou bem caro. Seu marido aprendeu a limpar o histórico da navegadinha pornô? Coloque Firefox e veja como ele vai demorar um bom tempo até descobrir como fazer isso de novo. A vaca da sua vizinha é loira, lisa, rica e tem três amantes? Destrua a reputação dela usando um navegador mais eficiente. Seja mais completa com Firefox. Até o padre da paróquia aprova. Repita a frase dez vezes bem rápido.


PARA A GRANDE, FEIA E SUJA AD-BLOGOSFERA
navegador download grátis nu pelado peitão fuck shit cock ass titties boner bitch muff pussy cock butthole barbra streisand!


PARA MIGUXOS
bx çe pograma navg +rpd joguinho msn spr legas kkkkkk!


PARA VENCER NAS INTERNETS
clique aqui e instale o Firefox 3!

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disclaimer: no momento deste post, a página do Firefox só carrega com muita reza, tem vezes que aparece o link apontando para a versão 2, antiga (e às vezes aparece banner da versão velha também). tudo isso é porque as pessoas estão em chamas batendo recorde mundial de download. mas tem um link direto aqui procê, ó: http://tinyurl.com/5fr8vm (dica da @raquelcamargo). e não deixe detalhes e detratores o desestimularem. mesmo que dê tudo errado hoje (dia de polvorosa), o Firefox seguirá sendo muito melhor do que o IE maledetto. se foi bobagem subdimensionar a escala de um chamado para recorde mundial, é outro papo. pra mim, tio Bill sentou no servidor deles e tá tentando sufocar a raposinha.

update, 19h10min: parece que tudo voltou a funcionar belamente! clicai, clicai!

a arte de Iberê, o museu do Siza

iberê camargo

num movimento raro da iniciativa privada em prol da comunidade, inaugurou aqui em Porto Alegre, no último dia 30, o museu Iberê Camargo. um dos mais distintos e influenciais expressionistas incategorizáveis brasileiros, e o maior artista gaúcho, hoje tem um belíssimo espaço dedicado a guardar e expor as mais de sete mil peças que produziu em mais de 50 anos de trabalho.

obras de difícil assimilação, as pinturas viscerais, carregadas de relevo e entrega, provocam sensações contrastantes por entre o concreto branco das formas geométricas e curvas suaves na arquitetura do museu. nos cinco andares de exposição, estão lá suas séries mais famosas - os carretéis/brinquedo de infância, os ciclistas da Redenção, as idiotas alheias ao mundo, vendo a vida passar. esboços e rascunhos não estão nas paredes, mas em mesas onde o artista torna-se mais próximo, e mais humano, de seu público.

museu iberê camargo

se o portoalegrense, que apenas agora pode começar a conhecer a obra de Iberê com mais atenção, fica com sentimentos divididos - os pais do ermão Gejfin o classificaram como "depressivo" -, o mesmo não acontece em relação ao espaço do museu. de fato, a obra do arquiteto português Álvaro Siza (que venceu a bienal de Veneza em 2002 com este projeto) rivaliza as atenções dos visitantes. sua proposta, de envolver em concreto branco e ripas de madeira clara as pesadas telas de Iberê, traduz-se em uma experiência quase coletiva de fruição. os andares são abertos e é possível ver quase todo o museu a partir do fosso central - e a sensação de integração entre as obras e o público é fantástica. na área de 8 mil m², encravada num morro da av. Padre Cacique em frente ao Guaíba, pequenas janelas nas rampas que ligam os andares (a exposição começa no quarto piso, e por elas se vai descendo) emolduram a paisagem, destacando-a. natureza, arte, arquitetura e público tornam-se indissociáveis e criam uma ilha reflexiva como há muito Porto Alegre não recebia. e com ingresso gratuito.

museu iberê camargo

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mais fotos? lá no flicker.

é uma história de amor



há véus que tremulam verdes e lilases durante a noite. movidos por uma brisa suave, mas gelada como a ponta do nariz de um chihuahua. um vento marítimo carregado de pequenas partículas de sal marinho e suor de marinheiros, peixe recém descamado e madeira eternamente úmida. os véus oscilam para dentro e para fora, lambendo o pó dos móveis e trazendo para dentro do ambiente uma estranha presença de capitães de esquadra mortos já há bastante tempo, desfeitos de carne e pele em erosão contínua e misturados à maresia. havia nos véus milhares de microorganismos de alma netúnica preenchendo os espaços e os vazios e o ar pesado daquela praia.

em pequenos momentos da manhã nascente, a luz do sol torna-se azul. e da varanda, não se vê separação entre céu e mar, num horizonte monocromático sufocante. sobre o oceano azul-tranqüilo da madrugada recém desfeita e o céu atomicamente colorido da mesma forma, o sol crispa com chamas azuis as estrelas que desaparecem em direção ao futuro. não há futuro. mas há estrelas. e véus. e um copo de suco de laranja onde flutuam mínimos cristais de mel de eucalipto. e um cigarro. e cabelos negros perdidos pelo chão. e vespas rindo. elas são as primeiras a sair dos cantos da casa, tontas, buscando alguma coisa nas árvores do pátio, pequenos pontos pretos no azul da varanda, emaranhando-se por vezes nos véus e ali permanecendo presas. de tempos em tempos, os véus são recolhidos para a lavanderia, e então restos de vespas e marinheiros são derrotados por sabão em pó e amaciante.

e quando o sol se cansa de castigar pescadores e bodegueiros e cães pulguentos e pássaros lerdos, desaparece em poucos minutos, num pôr-do-sol veloz e acanhado. no verão, são esses os momentos em que o ar fica possuído de um amarelo-queimado estúpido que chamusca as múltiplas arestas dos ladrilhos coloridos. então tudo brilha demais, transformando a casa num farol a sinalizar o fim do dia. e há o retorno dos barcos para a praia, e as vespas voltam para as frestas, e os pássaros recolhem-se preguiçosamente para seus ninhos. já os bodegueiros riem e comemoram as luzes com gritos entusiasmados, saudando o regresso da noite, ligando em seus pequenos aparelhos de som portáteis música alegre em fitas cassete e preparando o gelo e as batidas. os cães ficam eufóricos, pulam em seus calcanhares e são escorraçados. mais tarde, quando todos estiverem bêbados, serão chamados para participar, ou mesmo consolar os desesperados.

ao último uivo desse cão cansado, alguém acende um incenso na sala aberta. a música agressiva cessa e é substituída por longínquos grunhidos, roncos, cricrilares, estalos e, como de praxe nas madrugadas dos sábados, gemidos. as vespas ouvem o ruído surdo e amanteigado da cortiça sendo perfurada, e os capitães de armada mortos invejam a garrafa de vinho derramando-se generosa em notas repletas de harmônicas num cálice de cristal fino como hóstia. os véus tornam-se lilases de rioja. o ar assume um tom acre, então ácido, então adocicado, então framboesa, então amora, então tesão. há como pano de fundo um ruído branco constante provocado pela maré extremamente coordenada, que faz diversas pequenas ondas quebrarem em intervalos mínimos de tempo umas das outras, espalhadas como uma rede de satélites pelo oceano. e um cigarro. e cabelos negros eternamente úmidos, carregados de pequenas partículas de suor de marinheiros mortos. e uma lâmina.

ela desliza até a sacada. os véus lambem-lhe marrom-dourado as pernas. a noite não permite interrupções e segue sibilando, terminando seu curso. a atmosfera marinha enche seus pulmões e ela a inspira, a assimila. alimenta-se de brisa suave e gelada. seus pêlos se arrepiam, e então os mamilos. o vinho lhe bebe. então um barco passa, ao longe, luz fraca, difícil dizer se é verdadeiro ou uma ilusão. um desejo projetado. nesse cinema a céu aberto, o barco está vazio. ela sabe que está. não há futuro. mas há estrelas. e marinheiros. e o seu capitão. e uma lâmina. e expectativa pelo momento certo. porque o capitão há de voltar. a brisa lhe preenche e dá esperanças. é uma noite escura e cerrada como a barba do seu capitão. e ele vai voltar.

o capitão ocupa quase todas as lembranças que ela tem do outro mundo. não costuma pensar muito na mãe, porque se culpa. e os irmãos e a irmã e os amigos afinal não importam. eram vespas a zunir que era louca, que estava desvairada, que era marrom e cinza e doente. mas o capitão valeu cada instante. vale. o capitão, ela ria comparando-o com os pescadores frágeis como seus caniços, era um homem inteiro. íntegro, honesto, culto, lindo, valente. meu pai, ela balbucia em voz baixa, o olho tremendo um pouco, brigando contra o choro, fazendo careta, prendendo respiração, ficando lilás e verde e um cigarro. e uma lâmina rindo. para o dia em que o capitão voltar. porque ele vai voltar. ele prometeu. textualmente, enquanto o enfermeiro a carregava na cadeira de rodas, ela meio sedada, os pescadores a entreolhar desconfiados, os bodegueiros cochichando e preparando frituras, as vespas desconfortáveis da casa recém aberta, uma tarde esquisita, de um sol amêndoa, mesquinho, incompleto, ele gritou, isabel, eu vou voltar, uma noite eu vou voltar. e ela lembra disso numa memória obnubilada como clara em neve, e ela chora de raiva.

e hoje, como todas as noites, ela inspira a brisa forçadamente, preenchendo-se do cheiro da alma de marinheiros mortos, procurando pelo cheiro da alma do seu capitão. ela sabe, que se ele morrer, ela vai saber. ela vai sentir o seu cheiro. ela teme que o capitão morra antes de voltar para buscá-la. isso não pode acontecer, isso estragaria tudo. e enquanto não o descobre no meio de grumetes apunhalados, pescadores desastrados, piratas azarados e policiais suicidas, ela espera. ela sabe que ele está vivo e voltando. voltando para buscá-la, para ela, para seu amor, sua filha, para encontrá-la sentada na varanda, nua, de mamilos excitados, rubra de vinho, e com a garganta aberta de fora a fora por um bisturi. porque ela quer que o capitão a encontre recém morta, fresca como o peixe que os pescadores vendem por um preço aviltante aos comerciantes da região. o capitão merece essa honraria. não é pelo telegrama de um pescador que saberá do tentador cadáver dela.

o breu luta bravamente contra o dia que força obstinado. há um galo que canta, e os véus tornam-se película turquesa-transparente. os pescadores fazem pequenos ruídos sortidos e o moleque do armazém entra assobiando e deixa na porta dos fundos as sacolas com frutas, vinho, cigarros, água, pão, azeitonas, salame e presunto, porque hoje é domingo. e o dia nasce naquele azul insuportável. e seu corpo relaxa, e ela sente sede, e um suco de laranja adoçado com mel de eucalipto. e um cigarro. não foi nessa noite, outra vez. ainda não foi nessa noite que eu fiz minha verdadeira loucura, ela ri, a boca tremendo um pouco, os cabelos da franja batendo-lhe nos olhos. o capitão acreditou quando todos disseram que ela estava louca. ela sabe que um dia ele vai ver a verdade. o amor verdadeiro que os une e insistem em desbotar. e então ele vai voltar, arrependido, para buscá-la. já até deve estar nesse longo caminho, ela tremula. ele vai me dizer que eu não sou louca e que eu posso voltar pra casa, isabel sonha, mas eu não vou ouvir porque é nesse dia em que vou estar morta, porque eu te odeio, e os véus se agitam pálidos e cremosos de manhã recém parida. e os barcos voltam para o mar, e os peixes são outra vez cinza-brilhante de escamas solares, e ela sobe as escadas deixando um rastro de cabelos negros, pegadas de pés suados, a lâmina repousando sobre o aparador essa noite também.


durante mais essa manhã, a casa dorme.

enquanto isso os bodegueiros, as vespas e a lâmina riem. isabel acredita que as vespas sabem de seu plano, porque micropartículas energéticas dos seus pensamentos ficam grudados nos véus e são absorvidos por aquelas que ali se emaranham, transmitindo as informações pouco antes de morrer para outras vespas que tentam auxiliá-las na fuga das tramas. além disso, isabel está certa de que elas enxergam tudo o que faz com o enfermeiro, nas tardes de segunda-feira, exceto as chuvosas, como forma de pagamento para que fique longe dela e da casa; esse era o trato. para um pasmado filho de pescador com curso técnico mas nenhuma ambição, trepar dá na mesma do que manter uma maluca sob forte regime de medicamentos, se o cheque continuar chegando. já os bodegueiros riem porque aprenderam a rir de tudo que lhes acontece, como uma maneira de suportar a existência limitada. assim, tornam-se poltrões em dois tempos, crescem-lhe as barrigas de cerveja e maledicência, mas covardes que são, chutam apenas cachorros. e a lâmina ri porque é uma lâmina. é mais; se fosse, já bastaria, mas é uma lâmina com uma missão. preparada para manchar de sangue rioja os véus verdes e lilases de uma noite escura e cerrada, como numa maldição que acaba engrandecendo o hospedeiro por causa da grandeza de sua maldade, orgulhosa de um ato destrutivo pela dimensão que acarreta ao seu portador, causando-lhe uma culpa que consome e preenche como a dor de uma falsa satisfação.

o sol logo briga outra vez com a intensidade inversa da lua. os peixes escondem-se no fundo do mar e os pescadores mergulham atrás deles, entupindo seus ouvidos com água salgada de marinheiros erodidos. as luzes da casa gritam histéricas e os cães latem para os espectros. algumas oliveiras brotam. vespas atacam uma laranja. as cores não descansam. há estrelas. o tempo parece lento.






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intervenção de outubro de 2005 para Syrene, de Coccarelli. super special extra bonus track easter egg: vá ate este site, clique em "galeria", escolha a década de 90 e utilize as coordenadas 3, 4 para ver a tela que inspirou o texto.

em tempo: Jojo é incrível já na genética.

and then they talk


um dos assuntos recorrentes - por motivos de força maior - da internet conectada* é a baixa qualidade do serviço oferecido pelo Twitter - o local preferido para microblogagem em rede.

por baixa qualidade, entenda-se longos e sucessivos períodos fora do ar, mensagens de erro em abundância e funcionalidades desativadas - como o uso pelo celular ou comunicador instantâneo. motivos suficientes - e que persistem - para abandonar o Twitter. de que serve uma ferramenta que funciona mal?


a chamada web2.0 se caracteriza [além de outros pontos] por uma alta proximidade entre serviço e usuário. um site como o Twitter (ou o Last.fm, ou o Wordpress, até a Camiseteria) está mais para o armazém da esquina (ou o seu sommelier de confiança, não é uma questão de qualidade - esta é subentendida) do que para a multinacional supermercadista. ao usar juntar-se a um site como os citados acima, há o forte sentimento [inclusive cultivado] de que existe um grupo de humanos trabalhando a favor do produto, da proposta, da comunidade; isso se reverte em segurança, confiança, boa vontade e fidelização. também por serem geralmente iniciativas "menores", seja no tamanho físico, no da equipe ou na aproximação, não apenas agradam a identidade líquido-moderna como distanciam-se dos "grandes impérios", seja por postura ideológica, seja pela busca de personalização.


[o blog, ferramenta, inclusive sente-se muito bem nessa conversa toda.]


e então os problemas do Twitter se agravam de uma forma que provoca seus usuários a pensarem "pô, por quê?"; e não se ouve voz do lado de lá, e então as pessoas começam a pesquisar alternativas. e o Twitter, o que faz?

amplia seus canais de comunicação e lida de forma transparente com o público.

mordendo (com vontade) a isca do (influente e muitas vezes pedante blog gringo) TechCrunch, o CEO dono do serviço respondeu a uma série de questões acerca da estrutura física e da equipe do Twitter. fez-lá seus rodeios - que acenam a um trabalho bem-feito de Relações Públicas - mas admitiu que o serviço hoje é, basicamente, fundo de quintal.

isso é ruim?
de forma alguma. os usuários do Twitter estão preocupados que o site funcione, e ponto. tem uma estrutura precária, e estão prometendo melhorias? ótimo, que seja logo e pare de queimar fidelidade com paciência. o relevante aqui é que, via blog da empresa (que é um canal adequado), houve resposta e transparência.


pode não ser verdade? pode. mas se não for, eles não vão ter outra chance. estão fritos pra sempre. o mote da comunidade interligada líquido-moderna é: você pode me enganar uma vez, mas se fizer isso, eu não apenas não volto, como vou botar fogo na tua casa e na tua família.


e o que aprendemos hoje? que as empresas estão entendendo isso, e mudando. quem fornece produto ou serviço tem que se mostrar cada vez mais tangível - se o computador coloca o éter como distância, ela se torna desprezível diante da geografia. contra-argumentos de que se trata de um caso específico serão desqualificados; em consumo, se essa especificidade atende a uma massa crítica identificável, essa mesma fatia será responsável pelo mesmo poder propagador, modificador e revolucionário de uma turba de manifestantes marchando. (tá virando livro, inclusive, sob texto de Jeff Jarvis.)

é claro - não tem a mesma graça do que queimar relógios da Globo fazendo contagem regressiva pros 500 anos do Brasil. mas em tempos de googlebomb, o que as empresas tem de melhor a fazer é rumar, cada vez mais, para a comunicação - rápida e transparente.


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*pessoas que utilizam a web de maneira social e gerando conteúdo, geralmente usuários avançados, em contraposição ao navegador passivo que apenas recolhe informações na internet. já existe, ou alguém sugere um termo melhor/mais apropriado e em português, pra isso?

a batata já estava assada, só não tinham mandado pra ninguém ainda.

pois aterrissou no colo do Pedro Dória. o post é curto e vai na íntegra.


Ordem judicial não se discute. Se cumpre.

Este Weblog lançou, há alguns meses, uma campanha pedindo que um deputado federal se lançasse candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro. Aconteceu e ele é candidato.

Hoje, o deputado foi intimado por conta do banner que este e outros blogs publicam em apoio a sua candidatura. O TRE-RJ exige que seja retirado do ar. Em caso contrário, corre o risco de ter sua candidatura cassada.

Nenhum político paga por este banner. É uma declaração de voto pessoal de minha parte. O banner leva a um argumento pela sua candidatura. É o meu direito como cidadão de manifestar o que penso, qual o caminho que desejo para minha cidade. Ninguém deve ser punido porque exerci meu direito de cidadão em uma democracia de manifestar minha opinião.

Mas a Justiça considerou que deve impor limites ao meu direito de expressar minha opinião. É um fato grave.

O Weblog é um veículo jornalístico. Eu sou jornalista. O gesto do Tribunal é uma censura à liberdade de imprensa.


isso é muito lamentável. sob todos os aspectos.

pra mim é um claro, óbvio e indiscutível caso de cerceamento de liberdade de expressão. já preconizado quando saíram as regras do TSE. se eu botar um selo de partido ou candidato no meu blog, dando meu apoio pessoal, vou ser obrigado a retirá-lo, sob pena de cassação da candidatura que apóio? e se eu usar um broche, pode? carregar uma bandeira na rua dá prisão? se eu colocar um adesivo no meu carro são 100 chibatadas e solitária?

Gabeira foi notificado pela justiça eleitoral; a pena é cassação da candidatura. Pedro Dória, um eleitor, tirou a imagem de apoio do seu blog. logo, acho que vou colocar aqui no berê um FULL BANNER com as imagens do Fogaça, do Onyx e da Manuela - três candidatos que eu NÃO quero ver eleitos no próximo pleito. quer dizer - pra apoiar o meu candidato, eu vou ter que mostrar os outros.

NONSENSE. digno das silly elections do Monty Python.


no entanto, discordo do PD num ponto: eu não usaria a palavra imprensa. ele diz, nos comentários, que foi apenas específico - e que julga ser um caso de censura de expressão. eu prefiro deixar a palavra "imprensa" bem longe dos blogs. deixa imprensa pra conjugar com mídia de massa, que é gorda, grande e palpável (e suja e bobona e má, como dizem lá no Nova Corja). que é daí que surgem as confusões e o nivelamento por baixo que é geralmente feito pelo Judiciário. nesse caso, se tá publicado na internet, é tudo igual - cidadão, entidade ou corporação.

enquanto seguirem na inglória luta de classificar blog como conteúdo, e não suporte, ferramenta, esses desencontros entre Justiça e realidade continuarão ocorrendo. blog não é imprensa. é um monte de coisas, inclusive imprensa; mas também suporte de comunicação pessoal.


a intenção do TSE foi boa, quando ditou as regras? vá lá. mas e como faz pra mostrar pra esses senhores que um selo num blog é um broche na camiseta, e não um anúncio no UOL, ou no Estadão, ou na Zero Hora?


por outro lado, pode ser que o TSE saiba muito bem o que faz, e julga que blog é difusão e toda difusão maior do que uma bandeira na rua é proibida. nesse caso, o Poder ignora que a propagação capaz de ser promovida pelos blogs - usados pelos cidadãos, lembrar - é crítica, e apenas tende a fortalecer o processo democrático (momento sin perder la ternura). e proibir essas manifestações - por qualquer período de tempo - é cultivar a desinformação. na esfera pessoal em que o blog de um cidadão se desenvolve, não é razoável, nem lógico, exigir a isenção aplicada à imprensa às manifestações pessoais de apoio a um candidato. opor-se a isso é cercear a liberdade de expressão, e isso é inconstitucional.


nos comentários do post do PD, muita gente mais preparada do que eu discute as questões, inclusive jurídicas, em torno do caso. e eu não acho que seja fácil, mesmo, embora exija de mim mais boa vontade para lidar com isso do que geralmente tenho. mas de qualquer forma, é preciso que o Judiciário compreenda melhor com o que está lidando.

sugestões são bem vindas.



***UPDATE, 30/05/14h45min.
matéria saindo na madrugada: "TRE-RJ libera campanha em blog e site de relacionamento".
outras lúcidas e ponderadas opiniões sobre o tema, que valem a visita e complementam/contrapõem este meu olhar: Pedro Doria, Censura e Liberdade de Expressão na Internet, da Raquel Recuero; e Gritaria ou Censura, da Tainã Nalon. como vocês notarão, o debate é amplo, frutífero e de alta qualidade.
***UPDATE, 30/05/15h50min.
PD volta ao tema, e também linca post do juiz Jorge Alberto de Araújo. Walter Valdevino, da Nova Corja, dá a chinelada típica - e dele, também vale observar o comentário neste artigo do WebInsider.
***UPDATE, 30/05/16h16min. Sergio Leo lembra que, mais do que ser conclusivo, o importante é divulgar e debater o caso.
***UPDATE, 02/06/11h15. provavelmente fechando esta série, indispensável ler o que disseram o Biscoito Fino e a Massa e o Martelada.



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