então que as coisas seguem e hoje, finalmente, encaro de frente a possibilidade de um mestrado. não é pouca coisa e me sinto esmagado diante de uma cobrança que é minha, uma exigência própria de que anos de estudo resultem em um trabalho coerente. fugindo da memória maldita de uma monografia de conclusão de curso feita aos tropeços, anseio por um trabalho que me dê orgulho. a mim. a academia é meu canal, mas não é dela que espero reconhecimento -- é a possibilidade de erguer a cabeça sem temor que me instiga.
o que pretendo fazer é ainda um embrião gelatinoso. por enquanto caminho por novos horizontes. permanecerei dentro da geografia -- ciência que aprendi, mesmo ao longo da faculdade, a respeitar e pela qual me apaixonei; mas meu enfoque dentro dela está mudado. devo imensamente a tudo o que aprendi até agora, mas para o que quero fazer as bases metodológicas e teóricas que domino hoje não chegam onde preciso.
minha visão de mundo foi forjada pelo últimos (quase) dez anos de estudos em geografia. não posso cuspir no prato em que comi banquetes durante esse tempo. o que se passa é, justamente, o inicio de um novo festim. pretensão de deglutir novos sabores geográficos.
é por isso que nas últimas semanas venho tentando aprender tudo o que não sei sobre o método fenomenológico geográfico. pessoas! é preciso atentar às pessoas, aos seus perceberes, às suas angústias e seus sentimentos. mergulhar sem medo nalgo que não existiu pra mim ao longo de toda a graduação. fico imaginando como tudo seria diferente se eu tivesse dado ouvidos às conversas valiosas que a Fernanda tentava ter comigo ao longo dos anos, às quais eu reagia com os ouvidos-moucos da cegueira metodológica. não adianta pensar condicionalmente a história, mas é um resultado inevitável diante do assombro que esse novo horizonte tem criado em mim.
como passei tantos anos perdido? por que não me mostraram opções antes? ah, a academia... não vale a pena entrar por esse assunto espinhento. e, novamente, não é o caso de renegar o que, de fato, foi aprendido. apenas lamento o cerceamento silente. lamento.
mas não paro.
sinto que estou me metendo num problema imenso. e que alegria. trabalho intelectual sem desafio é inútil. é preciso quebrar paredes com os punhos nus. é preciso. vou fazendo. (assim, no gerúndio.)
ainda agora, um soco me acertou o entreolhos (porque é sempre assim) e eu acredito ter encontrado o objeto de estudo da minha dissertação. acaso. caos. não há ordem possível. está aqui, o testemunho, com hora e data.
assim que tudo mais arredondado, mais lapidado do que esta rocha imensa, transmito as boas novas. basta saber que existe algo novo, um novo ânimo. e isso é muito.


