Pois é,

Uma das situações que mais desintegra uma pessoa é estar desempregada.

Quem já passou por essa situação sabe bem. O desemprego atinge a dignidade da pessoa. Humilha. É uma das causas de separação de famílias. Os filhos sofrem. A pessoa se torna dependente dos outros para manter um mínimo de sobrevivência.

É por isso que a iniciativa da Rute Vera é raro exemplo de dedicação: Rute Vera, com seu site ONG da Rute: Oportunidades & Pessoas ajuda as pessoas que procuram resgatar sua dignidade de trabalhadores.

É um trabalho hercúleo, pesquisar e divulgar. E tudo isso em troca de nada. Apenas a íntima sensação de que, afinal, essa vida deve ter um sentido maior do que simplesmente aproveitá-la para si.

O blog concorre ao prêmio "Top Blog". Já ganhou uma vez. Poderá ganhar uma segunda. Depende apenas de que façamos como ela: dediquemos um tempo das nossas vidas para os outros. E por que votar? Porque assim, quem sabe, poderemos compartilhar um pouco com ela a sensação de um sentido maior para a vida.

Vão lá e votem. Eu já votei.



Pois é,

Aniversário!

Quem diria, hein? Seis anos de blog. No dia 22 de junho de 2004 escrevia meu primeiro texto. Como tudo nessa vida, foram seis anos de altos e baixos. Períodos de muitos textos, muitas visitas e muitos comentários, até períodos, como agora, de poucos textos, pouquíssimas visitas e raros comentários.

Muitas bobagens e algumas poucas aproveitáveis. Mas, sobretudo e o mais importante, conheci muita gente. O blog foi minha entrada no mundo das mídias sociais. Bem antes de existirem Twitter, Facebook e tantos outros soltos por aí. (a bem da verdade, essa coisa toda começou muito antes, mas aí vou ter que me declarar... Sabe? Algo tipo BBS?). Vi a internet nascer. Sou dos tempos do B6900 e da programação por cartão. Minhas primeiras linguagens de programação foram Fortran e Algol.

[E o melhor de tudo é que ainda sou um jovem. Tá certo, jovem senhor. Mas vá lá, ainda dando pro gasto.]

Voltando ao tema principal, não é fácil manter-se nesse negócio por seis anos. Não pelo sucesso, pelos outros, mas por si. Excetuando os que já nascem com a caneta virada para a Lua, é uma briga diária contra a auto crítica.Tendemos a querer a perfeição, ou pensamos que tudo que fazemos é perfeito. Qualquer bobagem que saia da nossa cabeça será, sempre, a melhor de todas. Desde que consiga sair da nossa cabeça. E ai de quem diga que é uma bobagem. Algo que já passou por tanta luta interna não merece ser bombardeado por outras pessoas.

Queiramos ou não, a gente cresce. Na internet, para quem se deixar, mais ainda. Os meus rumos de seis anos atrás, no blog, com certeza já não são os mesmos de agora. E põe-se a questão: que rumos tomar? Algum há de ser, pois parar jamais!

A construção de um caminho. É isso. Tenho apenas, na melhor das hipóteses, mais cinquenta anos para viver. Na pior, mais cinco. E tenho que me controlar para não querer dar uma de JK. E tenho que me soltar para ser um JK. Ser ou não ser um JK. Eis a questão!

De qualquer forma, feliz aniversário para O Chato! Que tenha muitos e muitos anos de vida. Ou até que a blogosfera acabe.



Pois é,

Quem eu me lembre, uma única pessoa acompanha esse blog desde o ínício. E se aparecer por aqui deverá achar estranho não ter a tradicional "festa" de aniversário. Mas a verdade é que esse ano conseguiram me derrubar.

Então não teremos festa. No máximo uma lembrança de que nasci hoje. Em uma manhã de um 2 de junho de um ano qualquer, em um estado que sequer existe mais.

- Porra, Afonso!
- Quié, Chato?
- Peraí. Sem festa? Logo tu, festeiro por natureza?
- Pois é, Chato. Quem diria...
- Seguinte, ó: ainda tem gente que gosta de ti. Tua mulher, tuas filhas...
- Para por aí com essa tua lista, Chato. O resto certamente só disfarça...
- Não, não! É verdade! Eu, por exemplo, se não gostasse de ti, não te deixaria aparecer por aqui de vez em quando. E bem sabes que sou muito chato com o meu blog...
- Opa! Ja discutimos isso uma vez e já te provei, por a mais b que o blog é meu. Além do mais, bem que poderias respeitar a data e não provocar discussões inúteis.
- Sei, sei, coisas do tipo, quem nasceu primeiro, o Afonso ou o Chato? Jamais saberemos, meu caro aniversariante. Logo, te convém aceitar que eu nasci antes. E por uma razão bastante razoável, se me permites a redundância: eu já nasci Chato, tu ainda tentas ser um.
- Queres saber de uma coisa, Chato?
- Depende!
- (típico) Vou tratar de fazer o dia passar rápido, tá? Tchau!



Pois é,

Desafio #PhotoDay

De vez em quando algumas pessoas lembram que ainda é possível, nesse mundinho prá lá de conturbado, ter boas ideias. Pois foi o que fez o pessoal do Desafio #PhotoDay, via Twitter: um desafio, aparentemente simples, mas um desafio: postar uma foto por dia no Twitter (via Twitpic) durante um ano.

É mais uma rede-na-rede-na-rede-da-rede que se forma para mostrar (assim eu vejo) o olhar cotidiano das pessoas, além de tirar do conforto quem gosta de fotografar mas não é profissional. Fora a oportunidade do compartilhamento.

Estou participando. Nada pretencioso além de conseguir cumprir a meta: 365 fotos até o dia 10 de maio de 2011.

Minha primeira fotos:

"O vermelho e o Azul"

Claramente inspirada no título do livro do Stendhal, O Vermelho e o Negro,

A segunda,

"Quando alguém me fotografa, pergunto: por que me chamas lago, se nasci rio?"

é uma referência ao atualmente chamado de Lago Guaíba, em Porto Alegre, que durante quase toda sua existência foi um rio, o Rio Guaíba, cantado em prosa e verso e música. Não adianta a explicação técnica. O Guaíba sempre será o nosso Rio Guaíba.

À ciência cabe apenas manter o coração batendo. E este coração que ainda bate respondeu: para mim ainda és rio, "velho Guaíba".



Pois é,

"A COZINHA É NOSSA! - Foi-se o tempo que as mulheres mandavam na cozinha".

A categoria "A Culinária do Chato" foi elevada a blog.

Um novo blog para um tema velho: homens na cozinha. Em uma cozinha especial: a da nossa casa. Não para homens "chefs", mas para homens que sabem fazer um bom e simples bife e que, de vez em quando, se arriscam. Isso. Um blog para os que não têm medo de errar, pois sabem que em matéria de cozinha, é errando que se aprende. Do miojo ao salmão.

Um espaço para romper com o velho mundo. Um mundo que ainda pensa que "por trás de todo grande homem há sempre uma grande mulher!"

Não mais na cozinha.

(leia mais)


É um blog para quem quiser publicar histórias sobre homens na cozinha, receitas, qualquer coisa que homens comuns fazem numa cozinha comum. Participe. Defenda-se da pecha de que somos o que somos, na cozinha, porque "por trás de todo grande homem, sempre há uma grande mulher".



Pois é,

A Lasanha Kaya-Reinehr e o descanso de Deus! - Final

Comecemos respondendo as diversas consultas recebidas de ontem para hoje. Todas afirmando que não haviam conseguido identificar, pela foto, o que poderia ser o tal tempero miraculoso. A dona Celestina, de Ramires do Oeste, expressou, até, certa indignação pelo tamanho das letras.

Apenas para efeitos de não precisarem rolar até o post anterior, repito a foto:

Respondi que ela não perdesse seu tempo, pois, infelizmente, para ela e qualquer outro habitante desta Terra, somente eu e o autor do molho é que podemos desfrutar da iguaria. Foi o que bastou para que dona Celestina enumerasse uma infindável série de "elogios" ao Chato. E que era uma "puta sacanagem" eu publicar uma receita, aparentemente tão gostosa, mas que ninguém mais poderia fazer.

Agora me digam: que culpa tenho se ganhei de presente? Minha intenção, ao dar o nome da lasanha a quem me presenteou, era apenas a de prestar a devida gratidão pela lembrança. O que tem dentro do potinho não tem nada a ver com o próprio. É um molho de pimenta caseiro feito pelo Rafael Reinehr. Daí o nome: Kaya, por ter sido ela a pedir; Reinehr, por ter sido ele a me presentear com o maravilhoso molho de pimenta.

Enfim, vamos ao final da receita:

É forte! Putz, meia colherinha de café misturada ao molho é suficiente para deixar qualquer mexicano cantando "ai, ai, ai, ai, ai..." pelo resto do dia. Coloquei um pouco menos. Afinal, a Condessa iria comer. Embora ela esteja acostumada aos meus molhos apimentados, nunca havia comido uma pimenta assim.

O resultado vocês já sabem. Está aqui, nesse video.

Ao final do cozimento do molho, acrescentar um punhado de orégano:


Mexer um pouco e tampar. Deixar assim enquanto prepara os materiais para começar a montagem:

Forrar o fundo com um pouco do molho e cobrir com uma camada de panquecas:

Após, cobrir com uma camada de queijo mussarela e outra de presunto de peito de peru (atenção: seja farto, não seja mesquinho com sua família. Você não está num restaurante que precisa economizar e só coloca tirinhas de queijo e presunto). Cubra com o molho:

Como soe acontecer com qualquer lasanha que se preze, repita a operação até atingir a borda do prato, observando para que a camada final seja de queijo coberto com molho:

Leve ao forno.

[Por falar em forno, temos uma consulta sobre isso. O José Carlos, de Constantina, que se diz amante da culinária, reclama das receitas que indicam a temperatura do forno. Diz ele: "Chato, fico danado com essas receitas que dizem 'coloque no formo pré-aquecido a 220ºC'. Será que não sabem que a maioria das pessoas mal e mal tem um fogão dos mais comumzinhos e só com o botão de alto e baixo? Como eu faço?

Não faz José Carlos. Simplesmente não dá bola pra isso. Essa gente faz isso porque não sabe fazer feijão com arroz. Aí inventa essas coisas de temperatura. Não te preocupa, pois os antigos homens da caverna tembém não tinham forno com marcação de tempereatura e sabiam fazer mastodontes assados como ninguém. Acende o forno no alto e coloca a lasanha. Depois de uns dez minutos, baixe o fogo e deixe assim até sentir o cheiro (forte) da lasanha. É quando ela estará pronta.]

Por fim, a lasanha pronta:

CHATOOOOO!!!!!

Fica tranquilo, Véio! Já reservei um pedaço pra Ti. A Eva vai levar. Agora, abre Teu olho: se a Eva resolver comer a lasanha no meio do caminho, a culpa não é minha!

Lasanha Kaya-Reinehr, a lasanha que acabou com o descanso de Deus!



Pois é,

A Lasanha Kaya-Reinehr e o descanso de Deus! - III

CHATO!!!

[putz, encrespou!]

- fala, Véio!
- Que fizeste com a Eva,que ela está aqui toda choramingosa?
- ô Meu, pergunta pro Adão. Eu não fiz nada, apenas disse para ela esperar mais um pouco até eu publicar o próximo post.
- Cuidado! Ela me disse que havia encontrado algo que definitivamente iria nos satisfazer.
- Assim, ó, muita sacanagem Tua querer me cobrar por isso. Eu apenas falei que tinha uma dica.
- Não foi isso que ela me disse. E ela foi muito clara: "o Chato está fazendo algo que vai redimir nossos pecados".
- Peraí, o Bondoso. Não é bem assim. Tá certo que até dá pra chamar de "divina", mas, na verdade, está mais para pecado do que para redenção. Mesmo porque, estimula a gula. É, essa mesma que o teu pessoal (ah, só pra te atualizar, modernamente chamamos "pessoal" de "colaboradores") diz que é pecado. Aliás, até hoje não entendi porque comer bem e bastante é gula. Por acaso já provaste uma picanha sangrando? Não? Devias! Verias que a gula é uma coisa boa... Por acaso provaste o que eu fiz e estou tentando publicar? Nem precisa responder. Claro que não! Fiz e comemos tudo, sozinhos. Eu, Kaya e Condessa.

- Chato!
- Fala, Tchê!
- Não me provoca!
- Eu? Te provocar? Deixa eu Te dizer uma coisa: não tenho nada a ver com a Tua obra. Criaste a Eva por vontade própria. Agora aguenta as consequências. Por sinal, tenho uma duvida. Posso perguntar?
- Pergunta.
- Tens certeza que a Eva foi criada por Ti? Às vezes tenho a impressão que foi o Diabo... E antes que fales qualquer coisa, me deixa terminar. Tens todo o tempo do mundo. Eu não. Olha aí na tua agenda e vais ver a minha data. E como já perdi muito tempo nessa conversa, só vou poder publicar uma foto e dizer que a culpa é toda Tua, por não terminar de publicar a receita hoje.
- Que foto?
- A razão de ser do nome:



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Entre sem bater



Alguns negam, outros não sabem. Alguns mais, outros menos. Todos somos chatos!

E Einstein já dizia que "apenas duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana e eu não tenho certeza se isso é verdadeiro para o primeiro".

Sobre o Chato



"Vós vos deleitais em estabelecer leis, mas deleitais-vos ainda mais em violá-las, como crianças que brincam à beira do oceano, edificando pacientemente torres de areia e, logo em seguida, destruindo-as entre risadas. Povo de Orphalese, podeis abafar o tambor e afrouxar as cordas da lira, mas quem poderá proibir a calhandra de cantar?"
(O Profeta, Khalil Gibran)


Doe suas asas. Não importa se quem as recebeu voará tão logo, ou se ainda viverá muitos e muitos anos antes de iniciar o voo final. Lembre-se: dure quanto tempo durar, você estará ajudando um pássaro a voar feliz.

Aqui não tem democracia!


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